Minha brasilidade voltou após as Olimpíadas do Brasil

Confesso que não gostei nada da escolha de nosso país para sediar as Olimpíadas. Apesar disso, uma vez que o Rio foi escolhido, que os trabalhos iniciaram – ainda que com todos o atraso e corrupção que nos entristecem – torci para que tudo desse certo. Me empenhei em tomar parte, divulgar, comentar, estimular. Participei e vibrei como se fosse o mais entusiasta dos atletas.

Não pensem que virei a casaca, não foi isso. Eu era contra, mas a partir do momento que minha opinião não prevaleceu, não vou ficar como ave de mau agouro desejando insucesso. Quem deseja insucesso só colhe insucesso. É exatamente a atitude de nossos políticos que não concordo – não querem o melhor para o Brasil, mas sim apenas o que interessa a eles.

Eu não queria Olimpíadas aqui, mas a partir do momento que o martelo foi batido e a decisão tomada, torci para que nós fizéssemos a melhor Olimpíada da história. Comprei ingressos para meus filhos e para minha mãe, talvez tendo a única oportunidade de suas vidas de assistirem uma festa tão grandiosa. Acompanhei cada esporte que pude pela televisão. Chorei pelos eliminados, comemorei pelos medalhados. Fiquei feliz cada dia que via o Rio de Janeiro acordar uma cidade maravilhosa, com o friozinho ensolarado do inverno, com sua paisagem única e encantadora, abençoado pelo Cristo e bonito por natureza. Mas que beleza!

IMG_20160806_150828590Todos somos Olímpicos, não tem idade!

Fui Marta, Serginho, Neymar, Alison e Martine Grael. Saltei com o Nory, me pendurei com o Zanetti, remei como um louco no barquinho do Isaquias, soquei com o Róbson, nadei com a Poliana, comemorei a minha, a nossa Olimpíada. E andando pelas ruas, pelo Boulevard Olímpico, pelo Parque de Deodoro, de trem, de ônibus, de barca, o que vi foi alegria e um orgulho de ser brasileiro que não se via desde que os políticos perderam de vez toda decência e que nossa seleção foi sacudida por sete mísseis alemães. O verde-amarelo voltou para a moda, o sorriso fazia parte do vestuário, tanto dos brasileiros como dos estrangeiros, encantados com tanta brasilidade explícita, aquilo do que mais nos orgulhamos.

E que festa dos gringos, incrédulos com tudo que viam. Nossa torcida e vibração são únicas e contagiantes. Pergunte ao Bolt porque ele comemorou tanto a vitória do Brasil no futebol… ele, como tantos outros famosos e anônimos já estavam se sentindo em casa, e com a aproximação da partida, já sentiam no peito a tão brasileira saudade.

IMG_20160806_151709431_HDRAustralianos “aquecendo” antes de entrarem no estádio.
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O céu estava tão lindo que ninguém nem reparou os 26×0 que o Brasil tomou no Rugby! A Bandeira do Brasil tremulando no torcedor mostra que o importante é competir – e se divertir.

E fizemos bonito até nas câmeras, por via satélite e em tempo real para todo o mundo. Tudo bem que os guarda-vidas nas piscinas foram meio ridículos. Tudo bem que nem tudo saiu perfeito, milimetricamente calculado. Os “do contra” não contavam com nossa astúcia. Conseguimos fazer festas de abertura e encerramento encantadoramente com a nossa cara. Impossível ser mais brasileiro. Porque as cerimônias deram o tom do nosso país: grandioso, mas improvisado, lindo, mas econômico, receptivo, alegre, colorido, barulhento, musical. Deu gosto de ver os gringos batucando com os voluntários, que tiravam selfies com os passistas, que se encantavam com os gringos, tudo junto e misturado.

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Boulevard Olímpico cheio de gente!

Tem jeito não… As Olimpíadas passaram no tempo, mas não na lembrança, e esta vai ficar na memória por muito tempo… como a Olimpíada da Alegria, a Olimpíada do Brasil, que reergueu nosso orgulho e nossa crença.

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Claro que fui ver a pira!!! Candelária no fundo!

ps – não concorda? Não comente, por favor. O momento é de alegria, vamos comemorar. Guarde a desesperança para si.

Uma tarde caçando Pokémons

O Campo de São Bento é a principal área verde de Icaraí, bairro tradicional de Niterói. Lá, sob a sombra de suas árvores, crianças correm, jovens namoram, adultos se exercitam e todos podem desfrutar de momentos de relaxamento em meio a natureza. Nos finais de semana uma feira de artesanato e de bike foods lota o parque que se torna um divertido formigueiro humano.

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Recentemente um estranho fenômeno começou a acontecer. No meio da semana, em horários geralmente vazios, o Campo de São Bento está ficando lotado. Mais estranhamente ainda o público é formado prioritariamente por jovens, a maioria acima dos 15 anos. Eles se espalham pelo coreto, pelos bancos, pela área dos vovôs, estão por todos os lados. O ponto em comum? Todos tem olhar atento em seus celulares, em busca de oportunidades de caça. São caçadores de Pokémons.

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A estratégia da fabricante do game é boa. Talvez seja a primeira vez em muito tempo que estes jovens – dentre eles o meu filho Kim, de 12 anos – pedem voluntariamente para caminhar na praça e circular, pois além de caçar Pokémons, precisam “chocar os ovos”, que, espertamente, só podem ser chocados com o caminhar do proprietário do celular… ou seja, um convite para o movimento.

E subitamente a turba parece ter sido tocada por algum cowboy misterioso, pois todos se levantam e começam a caminhar. O que procuram? Pergunto ao meu filho que partilha do mesmo frenesi.
– Apareceu um Dragonair! Apareceu um Dragonair! Vamos lá!
E desaparece no meio da turba em busca do Dragonair, que eu nem mesmo sei o que é. O jogo estimula a andar, correr e até mesmo interagir, pois todos que estavam ali tinham a mesma chance de pegar o Dragonair com suas pokebolas virtuais.
Mantenho meu passo, mas meu filho logo retorna – novamente junto com a multidão.
– Não é para lá! Alarme falso, é para o outro lado!
Rapazes e moças, meninos e meninas, gente da minha idade, mãe com filhos, todos fazem parte da busca louca. Até que de repente ouvimos um grito:
– Uhuuu! Peguei!
A massa se desloca então com velocidade dobrada, tentando aproximar-se do feliz novo proprietário de um raro Dragonair. Todos teclam alucinadamente em seus celulares, tentando capturar o dragão.

“Calma, dá para todos”, parece dizer o jogo. Realmente é assim, mas nem todos tem a habilidade para capturar o monstro de bolso, o que faz com que rostos alegres se alternem com olhares desiludidos.

IMG_20160805_173546840Caçador em ação.

Pouco a pouco todos esgotam suas tentativas e retornam ao ponto de partida, aguardando o surgimento de um novo Pokémon raro, que mereça a caminhada frenética. E lá vou eu junto!

Pedalada inspiradora–Louise Sutherland

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Ela era a mais velha de cinco irmãs na Nova Zelândia. Na idade de 19, tendo crescido com a bicicleta como principal meio de transporte, ela se mudou para Hospital Oamaru para cursar quatro anos de formação em enfermagem. Para visitar seus pais em Dunedin,ela pedalava durante 7 horas, percorrendo 100 km; este foi o início de seu gosto por aventuras com ciclismo de longa distância.

Em 1945, os Otago Daily Times relatou que Louise Sutherland tinha completado um passeio de 700 km de Dunedin a Invercargill para visitar um tio e também voltara pedalando, apesar de ser o início de um forte inverno na região. Com a idade de 21 anos, Louise Sutherland estava fazendo viagens de bicicleta regulares, como o roteiro de 6 dias ‘Mount Cook trip’.

Em 1949, trabalhando como enfermeira em Londres, Louise realizou o circuito Land’s End, Cornwall. No entanto, essa viagem foi só a inspiração para uma viagem muito maior e mais pela Europa e na Índia. Tudo isso foi feito com uma bicicleta comprada em um bazar por £2.10. Mais tarde, suas bicicletas foram patrocinadas Raleigh (1950 e 1960) e, em seguida, Peugeot (1970).

Em 1978, aos 52 anos,apesar de ainda saber relativamente pouco sobre mecânica de bicicletas, não sabia ao menos consertar um pneu furado, Louise Sutherland partiu sozinha em uma viagem de 4,400 km pela Transamazônica. O roteiro auto-planejado era muito mais duro do que qualquer Tour de France, algo que muitos consideravam "impossível!" Especialmente  se considerarmos que grande parte da Rodovia Transamazônica havia sido recentemente construída. Ela foi a primeira pessoa a percorrer a rota e escreveu um livro sobre sua viagem, apropriadamente intitulado, The Impossibel Ride( Amazônia, A Viagem Quase Impossível, na versão brasileira).

Em sua vida Louise Sutherland pedalou mais de 60 000 km através de 54 países. Durante suas viagens de bicicleta e da carreira de enfermagem, Louise Sutherland demonstrou uma crença no melhor da natureza humana, especialmente dos povos indígenas que ela conheceu. Ela passou muitos anos levantando dinheiro para a assistência médica das pessoas que vivem na Floresta Amazônica e esses esforços foram reconhecidos oficialmente. Em 1991, Louise Sutherland tornou-se o primeiro estrangeiro a receber o Prêmio Golden Fish por serviços prestados ao Brasil e, em 1993, o Governador Geral da Nova Zelândia concedeu-lhe a Medalha de Serviço da Rainha por seus esforços na obtenção de ajuda para as pessoas no Peru e no Brasil.

Eu li o livro desta viagem, Amazônia, A Viagem Quase Impossível. Fiquei impressionado! Como ela conseguiu ir tão longe? Além de otimista incansável, capaz de interagir com tudo e todos pelo caminho, Louise vinha com um bom humor que abriu portas e – literalmente – porteiras. Onças, indígenas, garimpos, jagunços, buracos-crateras. Tudo estava em seu caminho. Livro que vale a pena para quem se interessa pela Amazônia da década de 70, tão diferente da de hoje.

Para quem ficou curioso:
Amazônia – A Viagem Quase Impossível
Editora Totalidade
1992

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Que 2015 seja simples e supimpa!

2015 supimpa

Para quem não conseguiu ler na imagem

Vamos simplificar 2015
Viver é tão simples, que a gente complica…
Mas se a gente tentar descomplicar um pouquinho só, 2015 será um ano bem divertido.
Em 2015 que nós não queiramos ter  mais do que precisamos. Não devemos querer nada mais novo  que nosso novo objeto novo.  Nada que não usemos mais de uma vez  sabe-se lá quando em algum dia distante. Que possamos não acumular, pois os acúmulos pesam e atrapalham o caminhar.
Que cultivemos rugas. Abaixo o botox! Ele não nos deixa ser felizes. Não nos deixa sorrir direito. Que tenhamos rugas de sorrisos, de gargalhadas, de alegria, pois elas serão a melhor decoração de nosso rosto no futuro.
Que possamos lembrar que amor não gasta. O amor não cansa, nem se cansa. Vamos amar e distribuir amor.   Podemos começar com quem gostamos. Tentar abrir um sorriso e depois distribuir sorrisos molhados de amor por onde passemos. Quero transbordar de amor.
E que no final de 2015, nosso corpo, nossa   embalagem, esteja mais gasta pela viagem, mas que lembremos que, quando nos rasgarmos, sempre poderemos nos remendar.Vida longa não é questão de anos, quem não tem recordações , pode viver cem anos e achar a vida muito curta. 
Me leve em sua mochila que eu te levo na minha. Quando precisar, estaremos  juntos ao longo de todo o ano!  2015 supimpa! Para todos nós!  

Alt, Alta, ou, simplesmente, Altamiro
I

nspirações para o texto: Guimarães Rosa, São João da Cruz, Graham Greene e Pessoal do Ceará
Mais inspirações? Leia o texto e escute a música: Almir Sater – Maneira Simples.

…breve parada no blog

Amigos,

Apos vários anos, hoje não consigo manter o blog e as Impressões Amazônicas com a frequência que gostaria. Isto ocorre por dois motivos… Um é o fato de não estar viajando mais para as aldeias. Meu trabalho hoje é todo na cidade de Boa Vista e, embora continue atuando profissionalmente diretamente com os indígenas de Roraima, muitas das histórias são simplesmente “histórias de hospital”, com pouco a ser compartilhado.
Outro motivo é o fato de que sigo em um projeto de tirinhas com meu irmão Beto Basso. Nossa série principal se passa em uma aldeia, com curumins, guerreiros e um poderoso Pajé. Quer conhecer? Nos visite em http://www.balaioquadrado.com
Ocasionalmente postaremos novidades por aqui, sejam textos, fotos ou quaisquer outras IMPRESSÕES AMAZÔNICAS. Obrigado pelo carinho e pela companhia.

Abraços,

Altamiro

ACERVO DE CANÇÕES INDÍGENAS DA AMAZÔNIA CHEGA NA INTERNET

FONTE: http://amazoniareal.com.br/acervo-inedito-de-cancoes-indigenas-da-amazonia-chega-na-internet/

Equipe registra dança e música de comunidade indígena de Roraima.Equipe registra dança e música de comunidade indígena de Roraima.

A diversidade musical das comunidades indígenas do norte do Amazonas e do Estado de Roraima foi reunida em uma inédita e rica coletânea. São quase quatro horas de 80 faixas musicais de grupos indígenas das etnias baniwa, wapichana, macuxi e tauepang, resultado do projeto intitulado “A Música das Cachoeiras” do grupo Cauxi Produtora Cultural. O nome é uma referência às correntezas da bacia do Alto rio Negro. O coordenador Agenor Vasconcelo define o projeto como um “registro etnográfico audiovisual”, no qual o principal foco é a música.

O lançamento em Manaus acontece no próximo dia 6 de dezembro, na Estação Cultural Arte e Fato. É partir desta data que o conteúdo completo estará disponível para download pelo endereçowww.musicadascachoeiras.com.br.  Uma prévia do material já pode ser acessada nos seguintes endereços:facebook.com/musicadascachoeiras e soundcloud.com/musicadascachoeiras.

Os autores do projeto “A Música das Cachoeiras” empreenderam uma expedição de janeiro a junho deste ano nas comunidades indígenas. Registraram a gaitada do músico Ademarzino Garrido e a embolada do pandeiro de comunidades do Alto Rio Negro, no Amazonas, a incomum mistura forró tradicional com a dança tradicional Parixara, o hip-hop dos índios taurepang, entre outros gêneros musicais indígenas.

Conheceram músicos de cada comunidade, além de compositores já consolidados nas cidades de São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro, e em Boa Vista (RR), como Paulo Moura, Eliakim Rufino, Mike Gy Brás, Paulo Fabiano e Rivanildo Fidelis.

O projeto foi integralmente patrocinado pelo programa Natura Musical, no valor de R$ 100 mil, selecionado por meio de edital nacional em 2012, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura do Governo Federal. O acervo inclui gravação de músicas e vídeos, registros fotográficos, produção de uma cartilha e a criação de um site.

Os realizadores explicam que o projeto nasceu de uma ideia: resgatar a mesma expedição que etnógrafo alemão Theodor Koch-Grünberg (1872-1924) realizou nas comunidades do Alto Rio Negro e na região do Monte Roraima entre 1903 e 1913. Koch-Grünberg foi um pesquisador que morou na região e registrou em suas obras a cultura material e imaterial dos povos ameríndios.

Grupo de dança dos índios wapichanas (RR) se apresentam para equipe. Foto: Divulgação

Grupo de dança dos índios wapichana (RR) se apresenta para equipe. Foto: Divulgação

Agenor Vasconcelos tomou conhecimento sobre a pesquisa do alemão na época em que fazia mestrado em Sociedade e Cultura na Amazônia na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). “O grande desafio após o término do mestrado seria poder viajar e colher as minhas próprias impressões, refazendo o trajeto já esmiuçado por mim diversas vezes mentalmente por meio dos registros de Koch-Grünberg. O que eu não esperava seria a possibilidade de formar um grupo expedicionário para pesquisar em equipe. Isso foi fantástico”, explicou.

Após a seleção no projeto Natura Musical, uma equipe de seis pessoas formada por músicos, fotógrafos, produtores e antropólogos iniciou a viagem pelas áreas escolhidas. Envolvidos de tal forma com os músicos de cada região, a equipe acabou também produzindo composições com os integrantes das bandas das comunidades.

“Mas não havia intervenção direta. Sempre estávamos preocupados em possibilitar uma gravação profissional independente das condições de trabalho. Na foz do rio Içana, por exemplo, ponto limítrofe da expedição no alto rio Negro, conseguimos reunir uma banda de teclado, guitarra e vocal. Havíamos levado pré-amplificadores, microfones condensadores, interface de áudio e muitos quilos de equipamentos para montar um estúdio aonde quer que fosse. Gravamos e os resultados são maravilhosos e divertidos”, explica.

Inspiração e aprendizado

Entre as boas surpresas encontradas na viagem, está Ademarzinho Garrido que, segundo Vasconcelos, é descendente de Germano Garrido, anfitrião de Koch-Grünberg na época em que o alemão esteve no Alto Rio Negro. Ademarzinho é líder da banda Maripuriana, onde toca violão e gaita. No registro feito pela equipe, Vasconcelos descreve a participação de Ademarzinho como o autor de “um solo de gaita, que dialoga com a guitarra em vários momentos da canção”.

A equipe também esteve na comunidade baniwa Itacoatiara-mirim, onde conheceu Luiz Laureno, e na comunidade Boa Vista, na foz do rio Içana, onde gravou com a banda Taína Rukena. Nesta mesma comunidade registrou hinos evangélicos cantados na língua nhengatu acompanhados em teclados eletrônicos e em ritmo calipso.

Nas comunidades indígenas de Roraima, o grupo registrou o som parixara, um ritmo “lento que se dança em longas filas e rodas e com cantos variados”, conforme descreve Agenor Vasconcelos, e o tukúi e marik, cantos interpretados pelos índios macuxi e taurepang.

Além do componente etnográfico e audiovisual, a equipe de “A Música das Cachoeiras” espera que o acervo seja uma fonte de pesquisa para futuras gerações e inspiração para os artistas. “Tanto músicos como pintores, literatos, poderão basear novas criações a partir dessa tão rica cultura Amazônica”, diz Vasconcelos.

O coordenador conta que a pesquisa foi também um aprendizado para eles próprios. “Pudemos aprender nuances da língua e da cultura dos povos que tivemos oportunidade de conhecer. Por meio da música figurativa, cantada, também percebemos a língua indígena viva no seio de um Brasil distante”, afirma..

O projeto “A Música das Cachoeiras” estará disponível gratuitamente no site oficial. Ele é composto por faixas, clipes e mini-documentários. Um livro-CD que também foi produzido terá 2/3 de seus exemplares distribuídos gratuitamente.

Luiz Laureano Baniwa, do Alto Rio Negro, que toca instrumentos feitos de casco de tracajá e flautas de paxiúba. Foto: Divulgação.

Luiz Laureano Baniwa, do Alto Rio Negro, que toca instrumentos feitos de casco de tracajá e flautas de paxiúba. Foto: Divulgação.

Participação de comunidades

O indígena do Alto Rio Negro Moisés Luiz da Silva considera o registro e a divulgação da música de seu povo como fundamental para valorização da cultura baniwa. Moisés foi o principal articular entre a equipe do projeto e as lideranças da sua comunidade Itacoatiara-mirim. Entre os que participaram da gravação estão Luiz  Laureano da Silva, mestre da maloca, Mário Felício Joaquim e Luzia Inácia.

“Recebi a notícia sobre o projeto pela professora Deisy Montardo (Ufam). Então o Agenor entrou em contato comigo e conversamos. O segundo plano foi consultar o povo e as lideranças baniwa, que concordaram em participar. Achamos que esse registro de gravações de músicas é uma forma de valorizar nossa cultura e divulgar para outras sociedades indígenas e não-indígenas”, afirmou Moisés.

O grupo baniwa já participou de outros projetos, como o Podáali Valorização das Músicas, patrocinado pela Petrobrás Cultural, e do Museu do Índio, em 2013.