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O mundo visto de cima

Tudo bem, o título não é novo, nem mesmo a ideia… Mas eu AMO fotos aéreas, pois juntam o que eu gosto… voar (que é sinônimo de viajar), lindas paisagens e a perspectiva de ver o mundo sob outra ótica.

Seguem então algumas fotinhos que fiz recentemente…

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Porque o Rio continua lindo…

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Ponte Rio Niterói… Que junta a cidade maravilhosa com a cidade onde orgulhosamente nasci! Niterói.

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Manaus… porque no meio da floresta colocaram uma cidade!!!

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Guarulhos…  porque todo mundo precisa de um hub para viajar!!!

Cada qual com sua beleza… Qual sua favorita?

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Nem tudo são flores por aqui

Infelizmente, nem tudo é fácil. Tempestades amazônicas atrasam bastante o curso, além de impedir a vinda de alguns participantes. Um chefe chega de galocha. Outros que vem de uma comunidade indígena próxima, Filadélfia, tem que contornar um rio, transformando uma linha reta de vinte minutos em uma odisseia de mais de uma hora. Outros nem mesmo ousam sair de suas casas, diminuindo o público alvo, mas não tirando a animação dos participantes, que são de três diferentes cidades e de seis grupos.

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Despeço-me de Benjamin, na garupa do Valdir, indígena Marubo que me conta orgulhoso estar há cinco anos no Grupo Escoteiro de Atalaia do Norte. No caminho para o rio, ele decide abastecer a moto. Como não existem postos de gasolina, ele para em uma das várias barraquinhas familiares que vendem gasolina peruana no cocão. Cada cocão, cinco reais. O que é um cocão? Uma garrafa de dois litros de coca-cola… abastecida com um funil.

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Vai um “cocão” de gasolina?? Neste posto também tem “litrinho”.

Meus amigo Jacaré e minha missão em Benjamin

Aliás… Encontrar Jacaré vale a ida a Benjamin. Vigia de escola, conselheiro tutelar e fundador de um grupo escoteiro, Jacaré, que um dia chamou-se André, tem o maior projeto social da região. Morador do bairro mais populoso e carente da cidade, Jacaré lembrou-se dos tempos de alegria no escotismo e começou a oferecer recreação para suas filhas e outras crianças nos seus momentos de folga. Logo começou a ser seguido por uma legião de infantes, vindo daí a piada: “Lá vai o Jacaré e seus jacarezinhos”. Pronto, logo estava funcionando o ProJac – Projeto Jacarezinho, não tão famoso quanto seu homônimo global, mas muito importante, levando diversão, valores, ocupação e educação para muitas crianças, que de outra forma teriam pouco mais a fazer do que nada fazer.

Minha missão é um curso para chefes escoteiros. Existem nesta região sete grupos ativos, e mais três em processo de abertura, sendo que cinco são formados apenas por indígenas da etnia Tikuna, e estão localizados dentro de suas comunidades. Por que tanto interesse? Fácil entender a preocupação de pais e professores: drogas, prostituição, alcoolismo, tráfico de mulheres são alguns dos termos cotidianos por aqui. O escotismo surge como uma opção para ocupação dos jovens utilizando um método baseado no aprendizado pela ação, em valores e uma série de atividades que permitem incorporarem o novo, sem deixarem de ser o que são, sem se descaracterizarem como indígenas e, especialmente, como Tikunas.

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Acima: Eu, Jacaré e sua esposa Josina, do Grupo Escoteiro Marecelo Maia e do Projac – Projeto Jacarezinho
Abaixo: Eu e Athos, Pastor e antigo Conselheiro Tutelar, que está abrindo o Grupo Escoteiro Filadélfia, na aldeia com o mesmo nome.

Encantos de Benjamin

E o que me encantou tanto nesta terra? Suas gentes, mistura de migrantes com os reservados Tikuna, orgulhosos guardiões de suas tradições, como sua língua, sem semelhantes em qualquer outro lugar. Gente meio anfíbia, que vive em palafitas, habituado a alagações, ao peixe frito do dia a dia, que planta quando o rio baixa e caça quando ele sobe. Gente que forjou o espírito no ritmo da natureza e, assim vive com um tempo próprio, que as vezes nos incomoda em nossa frenética pressa ocidental-capitalista, mas que está bem consigo mesmo. Gente que leva a vida sem muita preocupação além de comer, beber e ter onde dormir e criar os filhos. Gente para quem o perto chama-se Atalaia do Norte, que fica há pouco mais de 30 km, na única cidade onde se chega de carro, e onde hoje, se gasta uma hora para chegar pela quantidade de buracos. Gente para quem o mais longe que existe é Manaus, alguns dias de barco, Bogotá, com ótimos preços a partir da cidade colombiana Letícia e Iquitos, no Peru, que todo mundo já ouviu falar, mas ninguém nunca foi. Assim se resume o mundo nesta região.

Fico no Cabana’s, único hotel que merece de fato este nome por aqui. A beira de um lago, em seu restaurante mato a saudade do suco de araçá, da farofa de banana verde, chamada tacate, do pirarucu desfiado, da pupunha e do tempero puxado no açafrão. Para completar minha alegria, meu amigo Jacaré traz um saco de abiu e um grande cacho de mapati, a uva amazônica. O abiu cola a boca da gente até no sul do Brasil, mas o mapati… ah o mapati… delícia única, que não é comum nem mesmo pela Amazônia. É como uma grande uva preta, com casca grossa e repleta de sumo. Docinha, pode ser consumida in natura ou transformada em geleia ou licor… Já deu saudade!

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Patacáo, banana peruana verde, prensada, frita.

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Mapati, a deliciosa uva do Solimões.

Comércio em Benjamin Constant

Logo chegamos em Benjamin Constant. As bambolejantes passarelas parecem nos transportar. Emergimos da paz do rio grande e sereno para mergulhar na agitação da cidade. Cada loja expõe no menos espaço possível o maior número de roupas, bonés, brinquedos e refrigerantes multicoloridos, que formam padrões tão únicos quanto o de caleidoscópios. Roncos de motos, forró brasileiro, reggaeton colombiano e cumbia peruana marcam o ritmo enquanto as pessoas passam apressadas, pouco respeitando o primeiro e único sinal de trânsito da cidade. Morei aqui em 2005 e 2006. Aqui fiz bons amigos, aqui me iniciei na Amazônia, aqui me percebi com potencial de transformação do mundo, ainda que às custas de abrir mão de tanta coisa preciosa para mim.

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Impressões Amazônicas 94 – O começo da viagem

Eis que não há nada mais abaixo de nós além da imensidão verde. Mais verde. Mais e mais verde. Por muito tempo voamos sobre um mundo em que o verde só é interrompido pelos riscos castanhos dos rios. A imagem impressiona minha retina e me percebo pensando na grandeza da Amazônia, quando de repente percebo uma cicatriz na mata. E outra, e outra, e outra que se juntam formando uma grande ferida que logo se torna o que é… uma cidade. Tabatinga, a maior da região do Alto Solimões, por onde o rio Solimões, maior formador do Amazonas entra no Brasil, deixando para trás águas peruanas e o nome Maranón.

Este texto faz parte das Impressões Integrais 94. Clique aqui para ler na íntegra!

Pedalada inspiradora–Louise Sutherland

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Ela era a mais velha de cinco irmãs na Nova Zelândia. Na idade de 19, tendo crescido com a bicicleta como principal meio de transporte, ela se mudou para Hospital Oamaru para cursar quatro anos de formação em enfermagem. Para visitar seus pais em Dunedin,ela pedalava durante 7 horas, percorrendo 100 km; este foi o início de seu gosto por aventuras com ciclismo de longa distância.

Em 1945, os Otago Daily Times relatou que Louise Sutherland tinha completado um passeio de 700 km de Dunedin a Invercargill para visitar um tio e também voltara pedalando, apesar de ser o início de um forte inverno na região. Com a idade de 21 anos, Louise Sutherland estava fazendo viagens de bicicleta regulares, como o roteiro de 6 dias ‘Mount Cook trip’.

Em 1949, trabalhando como enfermeira em Londres, Louise realizou o circuito Land’s End, Cornwall. No entanto, essa viagem foi só a inspiração para uma viagem muito maior e mais pela Europa e na Índia. Tudo isso foi feito com uma bicicleta comprada em um bazar por £2.10. Mais tarde, suas bicicletas foram patrocinadas Raleigh (1950 e 1960) e, em seguida, Peugeot (1970).

Em 1978, aos 52 anos,apesar de ainda saber relativamente pouco sobre mecânica de bicicletas, não sabia ao menos consertar um pneu furado, Louise Sutherland partiu sozinha em uma viagem de 4,400 km pela Transamazônica. O roteiro auto-planejado era muito mais duro do que qualquer Tour de France, algo que muitos consideravam "impossível!" Especialmente  se considerarmos que grande parte da Rodovia Transamazônica havia sido recentemente construída. Ela foi a primeira pessoa a percorrer a rota e escreveu um livro sobre sua viagem, apropriadamente intitulado, The Impossibel Ride( Amazônia, A Viagem Quase Impossível, na versão brasileira).

Em sua vida Louise Sutherland pedalou mais de 60 000 km através de 54 países. Durante suas viagens de bicicleta e da carreira de enfermagem, Louise Sutherland demonstrou uma crença no melhor da natureza humana, especialmente dos povos indígenas que ela conheceu. Ela passou muitos anos levantando dinheiro para a assistência médica das pessoas que vivem na Floresta Amazônica e esses esforços foram reconhecidos oficialmente. Em 1991, Louise Sutherland tornou-se o primeiro estrangeiro a receber o Prêmio Golden Fish por serviços prestados ao Brasil e, em 1993, o Governador Geral da Nova Zelândia concedeu-lhe a Medalha de Serviço da Rainha por seus esforços na obtenção de ajuda para as pessoas no Peru e no Brasil.

Eu li o livro desta viagem, Amazônia, A Viagem Quase Impossível. Fiquei impressionado! Como ela conseguiu ir tão longe? Além de otimista incansável, capaz de interagir com tudo e todos pelo caminho, Louise vinha com um bom humor que abriu portas e – literalmente – porteiras. Onças, indígenas, garimpos, jagunços, buracos-crateras. Tudo estava em seu caminho. Livro que vale a pena para quem se interessa pela Amazônia da década de 70, tão diferente da de hoje.

Para quem ficou curioso:
Amazônia – A Viagem Quase Impossível
Editora Totalidade
1992

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