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Olha o que aprendi com seu Hernesto

Seu Hernesto me ensina também algumas palavras de Wapixana, e com elas me despeço. Só não escrevo a pronúncia, pois a língua enrola pra falar e não consigo reproduzir o som e a entonação necessários, mas vale a intenção:

Ungary naydap pygary!
Gosto de você!

Abraço no coração e até a próxima.

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Este post faz parte das Impressões Integrais 92

O guerreiro das duas esposas…

Benedito Chagas é um guerreiro. Wapixana, é morador do Ponto 5, região da comunidade Jacamin, e é casado com duas esposas. Sim, duas esposas. Guerreiro mesmo. Para cada uma, fez uma casa. Uma de um lado da rua, outra do outro. Para facilitar, duas irmãs. Assim tem duas esposas mas só tem uma sogra.

“Ele é meio aperreado.” – afirma o Seu Chiquinho, agente de saúde. “Deve de ser por causa disso.”

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Igual a lua.. no céu e no reflexo da água… Uma esposa de cada lado…

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Impressões do que Li: Koch-Grunberg

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Koch-Grunberg é um homem feliz. Contrariando quem considera digno dos infernos de Dante passar os dias se estapeando por conta de piuns e carapanãs (mosquitos/pernilongos), comendo carne de caça moqueada (pleonasmo para tostada) e caxiri azedo, caminhando horas tendo como chapéu o sol inclemente do lavrado ou sendo banhado por chuvas torrenciais que não deixam nunca que suas roupas sequem, o alemão é um homem realmente feliz. Sua companhia são indígenas de diferentes etnias e a natureza em seu estado mais bruto.

Há pouco mais de cem anos atrás, em 1911 Koch-Grunberg iniciou sua jornada por Roraima, em busca de uma passagem para o venezuelano rio Orenoco. No caminho viveu e conviveu com indígenas de diversas etnias, partilhando moradia, alimento, dança e festas. O vigor de sua documentação – que inclui horas de gravações musicais, inúmeras fotografias, dicionários de línguas indígenas tão diferentes entre si como são o português e o russo, e a anotação detalhada de lendas e mitos, como os que tratam de Makunáima (causador de tanto impacto em Mário de Andrade que o levou a escrever sua obra-prima) o transformou em celebridade em sua terra natal e referência para pesquisadores e etnógrafos do mundo inteiro.

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E no meio de tanta pesquisa seu prazer é genuíno, especialmente pelo contato com os indígenas, como percebe-se nos trechos que copio abaixo. As descrições são vivas e nos transportam no tempo e no espaço, nos tornando mais do que leitores, mas viajantes reais, com a facilidade que somente os grandes autores conseguem dar aos seus textos.

Quem quiser saber mais sobre Roraima e sobre os indígenas daqui, é só procurar:

Do Roraima ao Orinoco – Volume I – Observações de uma viagem pelo norte do Brasil e pela Venezuela durante os anos de 1911 a 1913
Theodor Koch-Grunberg
Editora Unesp, 2005

images Pode procurar em http://www.estantevirtual.com.br

E quem quer aprender mais, inclusive ouvindo vendo mais fotos e escutando músicas gravadas por Koch-Grunberg, recomendo o site: VON – Ver, Ouvir, Navegar a Amazônia

Alguns trechos legais:

“Sua mulher me serve um refresco amarelo de sabor meio ácido. É feitod e abóbora comestível. Talvez ela a tenha mastigado, mas e daí”.

“Depois que dancei arärúya, como é costume no Roraima, com um gordo menininho Gunaú , as mulheres vivem me atormentando para dançar com seus filhos, até que, é claro, eu danço. Aí elas riem como só esses índios sabem rir. Viramos palhaços na aldeia indígena”.

“E o terror dos viajantes dos trópicos, os mosquitos! A maloca e a área ao seu redor são uma verdadeira incubadora dessas pequenas feras sanguinárias. Quando elas chegam, ao cair da noite, em enxames compactos com sua música marcial, os índios acendem grandes fogueiras fumegantes ao redor da casa, para afugentar um pouco o inimigo…”

6186339179_5f6ce7573a Koch-Grumberg descreve esta foto em seu livro como “o primeiro piolho”…

Indígenas Trilingue: os Wapixana

Dona Eleonita vem para consulta com quatro filhos.  Um bebê de colo, um maiorzinho, uma princesa de lindas tranças na lateral dos cabelos e um pequeno Neymar, os últimos com uniforme escolar impecável.  Os traços indígenas são os únicos diferenciais de qualquer família humilde brasileira. Apenas aparentemente. Dona Eleonita fala bem o português, com leve sotaque. Pergunto se fala a língua materna e ela responde que em casa, com as crianças, só fala em Wapixana. Pergunto onde nasceu e me responde que é "pra lá de Lethem", ou seja guyanesa.

Me atrevo a perguntar:
– So, do you speak english?
Me responde sem pestanejar.
– Of course doctor. My children understand but don’t speak because they are shy.
Onde mais eu encontraria uma dona de casa trilingüe? Tem coisas que só mesmo em Roraima…

IMG_0295 Enfermeiro André atendendo.

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Saúde Indígena… trabalho de campo

Alguns instântaneos de nosso trabalho diário:

10 10 Com Genipapo Canta (9)

Pesquisa de malária… furando dedo!

 10 10 Com Genipapo Canta (27)

E a coleta é feito em todo lugar… no meio da estrada, voltando da comunidade Jenipapo.

10 10 Com Genipapo Canta (26)

Nosso motorista é o Geraldino (flamenguista sangue bom) e nosso técnico de enfermagem o Júlio, que foi Agente Indígena de Saúde e é microscopista.