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Comendo com as mãos…

Se o café da manhã foi farto, o almoço foi mais ainda e foi maior a lista do que provei e não reconheci. Embora algumas coisas fossem mais apimentadas do que eu gostaria, posso dizer que tudo estava gostoso – bem gostoso. Havia até sorvete cobrindo frutas que não consegui identificar, mas que eram docíssimas. O difícil era só comer com a mão. Me pegava sempre tentando comer no máximo usando dois ou três dedos. Não dá certo. Tem que se usar todos, fazer um bolinho de comida e levá-la para a boca antes que ela despenque. E eles são rápidos nisso. Depois que o cérebro aprende que “não é mais errado comer com a mão”, tudo facilita e embora não como rápido como eles, consigo não fazer feio. Os indianos adoravam me ver comendo de tudo. Ficavam sempre felizes!

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OBS: Este post faz parte do texto integral das Impressões Indianas 67

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Pan, mania indiana

Volto ao refeitório. Filas e mais filas de mesas e cadeiras com as “folhas-prato” e sempre uma garrafa de água mineral. Sim, pois água na Índia é coisa rara e cara e é chique servi-la, único líquido oferecido na festa que não teve nenhuma carne também. No final, como não dá para levar docinhos (todos meio melequentos), leva-se água na bolsa – o que até eu fiz. Ao sair a gente também recebe uma bolsa com um coco e uma folha chamada pan, que é um mato que refresca o hálito, espécie de hortelã local. Aliás, após a refeição também recebemos destas folhas cobertas com confeitos e fechadas em trouxinhas. Uma delícia.

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Este é o pan. Vejam como ele fica bonito todo decorado.

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OBS: Este post faz parte do texto integral das Impressões Indianas 67

Você já provou saúva? Crocante e formicante!

Hoje vivi uma experiência culinário-antropológica única: comi saúva. Descobrimos que as crianças enfiam galhos em buracos e tiravam formigas, que logo viravam lanche. Aproveitando o dia mais sossegado lá fomos nós “pescar formiga”. Logo todas as crianças e até alguns adultos estavam ao nosso redor. As crianças pareciam dizer: “cara, você não entende nada!”, mas como riem pouco e menos falam, não diziam nada, só olhavam.

Primeira lição: tirar a formiga não é tão fácil. Eles logo resolveram isso e conseguiram uns dez formigões. Experiência é tudo.

Segunda Lição: O que comer? Só se come a cabeça. Pode ser comido o corpo, mas a cabeça é mais… gostosa. O problema é que a cabeça não quer ser comida, e morde e rasga o dedo das crianças. Elas não ligam. Não riem, não falam e não choram. Mas quando uma saúva mordeu o meu dedo, ao mesmo tempo que o sangue escorreu, dei um grito. Pela primeira vez escutei as crianças rirem… Mas na hora que olhei para elas, como por enquanto as expressões se tornaram sérias novamente.

Terceira lição: Como comer? Depois que a formiga está grudada do dedo a gente arranca o corpo fora, pega a cabeça e coloca para dentro. Mastiga. É crocante. Como opção, formiga inteira, mas as patinhas, fininhas não tem a crocância que torna o petisco mais interessante.

Quarto: O que achou Ana Maria Braga? Hummmmm. Esquisito. A crocância é boa, mas o gosto… é de formiga, uai!

Caçando as formigas… Tarefa que as crianças tiram de letra!

Tentando pegar a formiga.

A danada mordeu meu dedo! Doeu!!!

Agora vai!

Agora foi! Crocante! Gosto de… Formiga!

Primeiras Impressões dos Ingaricó ! Direto da Serra do Sol

Só pousamos em Mapaé para pegar o restante da equipe. De lá vamos a uma comunidade chamada Área Única.

Do alto vejo as 4 casas da pequena aldeia da etnia Ingarikó. Descemos e somos saudados pelo tuchaua Benedito, pelo agente de saúde Ralmundo e por outras pessoas. Não é como a confusão que acontecia quando pousávamos nos Kaiapó.

Todos ajudam a levar as coisas ao posto de saúde que fica em uma das casas que, como percebemos foi reformada para nos receber: palha nova no teto e barro novo tapando buracos. Ganhamos melancias e nos mostram o sanitário recém-construído.

10 02 (32) Banheiro de aldeia… chique com “porta de couro”.

A comunidade se prepara. Uma semana após nossa ida os “parentes” vão chegar para ajudar a subir um malocão para dançar Aleluia. As mulheres já preparam o caxiri. Vão até abater um bezerro.

O bezerro abatido logo é retalhado e pendurado na porta de uma das casas que se torna o açougue. Logo a carne vai para o fogo. Literalmente pois fica sobre as chamas e se torna negra de tão tostada. Após algum tempo a janta está pronta e todos se reunem: carne, damurida e éêki (beiju). Antes de comer todos de pé fazem um circulo e oram. Uma senhora faz a oração e o clima é de atenção total. Até as crianças param as brincadeiras. Nós participamos indiretamente, pois ganhamos um belo pedaço de fígado.

10 02 (55) Oração antes de comer. O respeito é total.

Mais impressões da Damurida

A damurida, como já falei antes é um prato vulcânico. A receita está lá no blog (https://impressoesamazonicas.wordpress.com/2008/09/14/receita-de-damorida/), e é feito com pimenta, carne ou peixe, mais pimenta, alguns temperos, mais pimenta e goma de tapioca. Para finalizar uma pitadinha a mais de pimenta que é para apurar bem o gosto.

pimentao

A do saquinho é a pimenta jiquitaia. A outra é malagueta mesmo. As duas são tão quentes quanto é o vermelho… e entram na receita vulcânica da damurida.

Impressões do que provei… Kubemi

Os Kaiapó chamam de Kubemi. A cor mostra que tem muita vitamina A. A “cara” não engana: é prima da graviola, da atemóia (tirimóia) e da fruta do conde, também conhecida como pinha ou fruta do conde.

E o gosto? Doce, mas como é muito fibroso, dá preguiça de comer. A polpa é bem agarrada, assim é um exercício entre o chupar e encher o dente de fiapos… Será que é sempre assim? Dá uma preguiça de comer… risos..

Com vocês o Kubemi.

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Por fora lembra mesmo uma pinha.

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A casca é mais agarrada, e mostra um fruto de coloração alaranjada, bonito.

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Olha a semente na mão. Triangular, bem como a da pinha, mas com as sementes mais grudadas a polpa.

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Close no Kubemi, fruto Kaiapó.

Receita de Damorida – Prato típico de Roraima

Para o pessoal que ficou curioso, segue a receita da Damorida, prato citado na letra do forró dos índios Macuxi, citados no último post:

Ingredientes:
peixe ou carne assada na brasa
folha de pimenta malagueta
pimenta jiquitaia (pimenta ardosa)
goma de tapioca
sal a gosto

Preparo:
Cozinhar o peixe/carne previamente assado com as folhas da pimenta malagueta, a pimenta jiquitaia em abundância e o sal.
Engrossar o caldo com um pouco de goma de tapioca.
Cozinhar até a carne ficar bem mole.
Este prato pode ser servido com pirão de farinha de tapioca e/ou arroz branco.

 

O grande segredo, segundo pude descobrir com os “entendidos” é realmente a pimenta, que dá o gosto e é fundamental para o prato bem feito.