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Dica: Jaime Rodriguez – Guia para o Monte Roraima

Quando subi o Monte Roraima em fevereiro de 2011 um dos pontos altos da viagem foi nosso guia.

Jaime Rodriguez é indígena Wapixana nascido na fronteira de Bonfim (Roraima) e Guyana. Depois morou em comunidades Macuxi e hoje reside com os Pemon na comunidade San Francisco em Santa Elena, Colômbia. Poliglota, Jaime fala Macuxi, Ingaricó/Pemon, Wapixana, Inglês, Espanhol e Português.

Além dos conhecimentos linguísticos, Jaime é “meio” xamã. No meio da subida fazemos rituais de bençãos para a montanha e seus espíritos e ele nos conta as lendas da montanha. Ele tem a capacidade de surgir de uma hora para outra no meio da montanha (e isso é “muito louco”, pois você não o vê em lugar nenhum, e de repente “ele está lá”), apresenta um permanente bom humor, preocupação com os clientes, cozinha bem, além de ter uma capacidade de carregar peso que me faz pensar que ele tem um gen de “burro de carga”.

Encontrá-lo não é difícil, é só conferir seu facebook. Quando não está na montanha ele responde!  http://www.facebook.com/jaimegerman

Vejam o que eu escrevi sobre ele nas Impressões Amazônicas 65

Nosso guia é Jaime Rodrigues – 417 subidas ao Monte (provavelmente 419 ou 420 quando você estiver lendo este texto), 23 filhos reconhecidos, falante de 5 línguas. Jaime é um cara de tantos superlativos quanto o Monte Roraima. Preocupado conosco está sempre de olho em todos, inclusive nos porteadores, a quem trata com carinho e procura sempre ensinar: “Sirva primeiro as mulheres”, ou “Sempre fiquem por trás dos turistas na beira dos abismos para protegê-los”. Jaime é indígena Wapixana, nascido na fronteira da Guyana, registrado em Bonfim e que hoje mora com os Pemon na Venezuela, onde estão seus cinco filhos mais novos, inclusive Jefty, o carregador de 14 anos. Ele consegue estar ao mesmo tempo em todos os lugares. Puxa a caminhada, incentiva os mais lentos e pouco depois mostra pontos curiosos nas rochas. Filho de pajé, faz também rituais indígenas antes do começo da caminhada e rituais de cura em quem sente dor. Tenho certeza que ele conhece passagens secretas que o levam de um lugar a outro enquanto nós meros mortais temos que caminhar o tempo todo.

Visite as Impressões Amazônicas 65 e leia sobre o Monte Roraima

Caverna Waxaro, despedida do Monte Roraima em grande estilo

Visão para poucos, que fui conferir na beira do abismo antes de seguir a Caverna de Waxaro, onde caminhamos cerca de 100 metros, penetrando no interior do Roraima e seguindo um pequeno rio subterrâneo que acabava se dividindo em duas cachoeiras de cerca de dois metros em um amplo salão.


Este foi o fecho de ouro de nossa jornada, pois amanhã bem cedo iniciaremos a nossa jornada de dois dias morro abaixo. Legal aqui é que é tudo tão grande e distante que todo este tempo quase não vemos outras pessoas. Há sempre uma visão única, um abismo estonteante, uma formação sem igual. Assim todo mundo se espalha e há uma sensação quase que de privacidade, ou seja, o Monte Roraima são tantos que cada um tem o seu.  O meu é este, que dividi com vocês.


OBS: Este post faz parte do texto integral das Impressões Amazônicas 65

Cachoeira Kukenan

Agradeci pela nova experiência e também pela água ter enchido a Cachoeira Kukenan, no tepui vizinho, considerada uma das dez mais altas do mundo. Chuva de verão não dura tanto, e logo tínhamos a visão privilegiada do véu da Kukenan.

 

OBS: Este post faz parte do texto integral das Impressões Amazônicas 65

Pegando chuva no topo do Monte Roraima

Agora estou no ponto mais alto do Monte Roraima. O cenário, mais uma vez é único, e mesmo aqui, bem perto do céu, encontramos plantas de vários tipos. No imenso platô abaixo de nós se espalham outros cumes, gigantes de pedra que não fazem frente ao nosso mirante. Atrás de nós um abismo sem fim, pois a mata está escondida pela névoa que sobe e aos poucos nos alcança. Não há vento. Se é um consolo por diminuir o frio, não espalha as nuvens. Aproveito para orar, agradecendo a Deus e aproveitando para enviar energia para este lugar, para todos que amo, inclusive você.

Místicos dizem que Francisco de Assis habita este lugar, enviando sua energia para todo o mundo, protegendo a natureza. Não sei se é verdade, mas a energia sem dúvida impregna cada centímetro deste lugar onde a vida brota por todo lado.

Perdido nestes pensamentos começa a chover. Nos abrigamos em uma pequena loca, pouco abaixo do cume onde a chuva não nos atinge, de onde podemos apreciar toda força da natureza.

A chuva não parou e descemos assim mesmo, afinal para baixo todo santo ajuda e a fome já apertava. Logo chegamos nas barracas. Vir ao Monte Roraima e não pegar chuva não é vir ao Monte Roraima.

 

OBS: Este post faz parte do texto integral das Impressões Amazônicas 65

O Caminho Branco do topo do Monte

Nos caminhos o segredo é sempre seguir a “trilha branca”.

O caminho mais pisado desgasta a rocha que fica com um aspecto mais claro. Lembra o caminho de Oz em sua versão albina. Um passo de cada vez. Sempre. Ignorando bolhas, sol, frio, chuva, dores. Superar os obstáculos aqui é um exemplo para a vida, pois nos mostra que temos a capacidade de enfrentar qualquer desafio.

 

OBS: Este post faz parte do texto integral das Impressões Amazônicas 65

Quando baixa a neblina no Monte Roraima

As longas caminhadas com mais de 12kg nas costas tem cobrado o seu preço, e o meu ritmo, assim como o dos demais, é nitidamente menor. O sol que nos ajudou o tempo todo hoje começou a se esconder. Subitamente vem a neblina e tudo some. A visão se restringe a pouco mais de cinco metros. Adeus abismos, adeus topos, adeus tudo. Temos que andar com o máximo de cuidado, pois é fácil se perder.


Dá pra ver a névoa chegando…

… e aos poucos fechando tudo.

 

OBS: Este post faz parte do texto integral das Impressões Amazônicas 65