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Impressões da culinária paraense

Para os que não conhecem a deliciosa comida paraense, maniçoba é o prato mais desafiante da culinária brasileira, pelo seu aspecto e história. Até para os apreciadores, como eu, a maniçoba não é uma refeição nada bonita, um misto de lama com terra preta, daquelas onde esperamos encontrar caranguejos, ou seja, uma refeição com cara de mangue. No meio deste mangue encontramos os “pertences”, como em uma feijoada: paio, linguiça, partes de porco e as vezes carne de sol. Este mangue é como um mingau grosso feito da maniva, a folha da mandioca. E aí entra a história incrível. Para eliminar todo ácido das folhas, que é altamente venenoso, a maniva deve ser cozida por sete dias. Sete dias! Como alguém inventou isso? Algum dia alguém cismou que queria comer a folha e tome de cozinhar… O detalhe é que não provou, mas colocou os outros para provarem – e morrerem – em seu lugar, até que um dia alguém disse… “Está feio, mas está no ponto”. Pronto. Estava inventada a maniçoba.

manicoba

Maniçoba com arroz

Mas se você é menos radical, vamos de arroz paraense, que é arroz feito no molho do tucupi com jambu, a deliciosa folhinha paraense que anestesia a língua e acompanhado de camarão. Bom, bonito e muito gostoso.

arroz paraensebolinho de piracuí

Maniçoba com arroz.
Ao lado bolinho feito com farinha de piracuí, feita de peixe seco. Delícia paraense!

Este post é parte das Impressões Integrais 96 – Clique e leia o texto na íntegra.

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2016 – 2017 Aproveite o novo despertar!

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Foto: Ilha de Páscoa, 2016

Se ficou com preguiça de ler o texto… segue abaixo

Todo dia, quando o sol te desperta, você tem uma série de
oportunidades diante de si. A cada novo dia e a cada novo despertar,
suas opções são infinitas, ainda que por vezes você não se dê conta
disso. As vezes nossa rotina é tão massacrante que ficamos como
gigantescas estátuas de pedra… parados, de costas para o mais
importante, por não sabermos bem como nos mover. Mas se tentamos um
pouco, olhamos ao redor, nosso horizonte é infinito.
O esforço para ir além pode ser grande… sair de nossa base pode
assustar… mudar pode ser tão doloroso…
Mas o mundo vai seguir dando voltas e pouco a pouco cansaço, medo e
dor vão embora. O sol vai continuar a nascer grandioso para mim e para
você. Qual a hora para mudar? Agora. Então abrace o desafio que o Ano
Novo te oferece e conquiste o mundo. Abra novos horizontes! Descubra
que o sol de 2017 é o sol que você precisa para realizar seus sonhos!
E se precisar de uma força, conte comigo! Agora, hoje, por toda 2017 e
sempre! Afinal, amigos são para estas coisas!
Abraço grande, apertado no coração!

Nem tudo são flores por aqui

Infelizmente, nem tudo é fácil. Tempestades amazônicas atrasam bastante o curso, além de impedir a vinda de alguns participantes. Um chefe chega de galocha. Outros que vem de uma comunidade indígena próxima, Filadélfia, tem que contornar um rio, transformando uma linha reta de vinte minutos em uma odisseia de mais de uma hora. Outros nem mesmo ousam sair de suas casas, diminuindo o público alvo, mas não tirando a animação dos participantes, que são de três diferentes cidades e de seis grupos.

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Despeço-me de Benjamin, na garupa do Valdir, indígena Marubo que me conta orgulhoso estar há cinco anos no Grupo Escoteiro de Atalaia do Norte. No caminho para o rio, ele decide abastecer a moto. Como não existem postos de gasolina, ele para em uma das várias barraquinhas familiares que vendem gasolina peruana no cocão. Cada cocão, cinco reais. O que é um cocão? Uma garrafa de dois litros de coca-cola… abastecida com um funil.

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Vai um “cocão” de gasolina?? Neste posto também tem “litrinho”.

Comércio em Benjamin Constant

Logo chegamos em Benjamin Constant. As bambolejantes passarelas parecem nos transportar. Emergimos da paz do rio grande e sereno para mergulhar na agitação da cidade. Cada loja expõe no menos espaço possível o maior número de roupas, bonés, brinquedos e refrigerantes multicoloridos, que formam padrões tão únicos quanto o de caleidoscópios. Roncos de motos, forró brasileiro, reggaeton colombiano e cumbia peruana marcam o ritmo enquanto as pessoas passam apressadas, pouco respeitando o primeiro e único sinal de trânsito da cidade. Morei aqui em 2005 e 2006. Aqui fiz bons amigos, aqui me iniciei na Amazônia, aqui me percebi com potencial de transformação do mundo, ainda que às custas de abrir mão de tanta coisa preciosa para mim.

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Atravessando o Solimões

Viajo na “lancha rápida”, que sai assim que o barco lota. Isto quer dizer que se eu for o primeiro a chegar ao porto, posso esperar por horas, mas se for o último para completar a lotação, posso chegar e embarcar. Diferente de quando cheguei aqui pela primeira vez, hoje as lanchas são fechadas, possuem rádio-comunicadores e todos recebem coletes salva-vidas. Pouco a pouco o direito a segurança chega mesmo nos extremos mais distantes do país.

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IMG_0659_thumb.jpg Nossa lancha já tem segurança, fechada… Mas vejam a velha senhora encarando sol e vento no pec-pec. Colete salva-vidas? O que é isso???

Imagens da beira do Solimões

O calor é tropical, o suor faz as roupas grudarem, mas enquanto percorro as pontes de tábuas sobre a terra enlameada sorrio feliz. Estranhamente aqui me sinto em casa. Estou “na beira”, como é chamada a margem do rio, onde há um comércio incessante e onde os barcos atracam e partem todo tempo. O rio está bem baixo, expondo uma grande faixa de terra que normalmente se encontra submersa e criando espaço para crianças correrem entre barracas de melancias, barcos encalhados e passarelas de madeira que nos conduzem as embarcações.

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