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Aldeia também tem Educação Alimentar

Não é somente nas cidades que a Educação Alimentar é importante. As populações indígenas no Brasil sofrem de doenças comuns no meio urbano, como a hipertensão, obesidade e diabetes, ao mesmo tempo que mantém índices elevados de desnutrição.

Assim nas aldeias o trabalho é feito por enfermeiros, médicos e nutricionistas, pois o que importa é saber o que comer, valorizando os produtos regionais e deixando de lado os que não trazem maiores benefícios.

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Nutricoinista Patrícia ensinando os meninos Ingaricó da Aldeia Serra do Sol a construírem a Pirâmide Alimentar.

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Para a festa do tuchaua vale andar 3 dias de pernada

Amanhã haverá o aniversário do antigo Tuchaua. Uma rês foi abatida e o caxiri está sendo preparado. A festa vai ser grande. Percebo quando vejo vários indígenas chegando com jamaxis (cestos) carregados nas costas. Pergunto de onde vem. Chegam da Serra do Sol, três dias de viagem. A pé. Muita vontade de participar de um piseiro. Tomara que este boi seja grande, pois o pessoal já deve vir com fome.

12 05 (119)3 dias de perna…

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Brinquedo de Criança Indígena 1 – Aviãzinho Ingaricõ

Os Ingaricó são excelentes marceneiros. As crianças desde cedo começam a entalhar carrinhos e aviõezinhos com madeiras leves.

Este avião era brincadeira na Serra do Sol

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Festas Indígenas – 1

Aline é filha da minha amiga Ana Lúcia, antiga escoteira e pessoa muito querida. Como esta é semana do índio em muitas escolas ela está fazendo uma pesquisa sobre festas e rituais indígenas e me escreveu, pedindo uma força. Assim mandei umas fotos que mostram um pouco do que conheço.

Hoje são poucos os índios que ainda se pintam e enfeitam para todas as festas. Normalmente isso acontece somente nas festas principais, ou quando vem convidados de fora.

Os Macuxi, Wapishana e Ingaricó daqui de Roraima  tem festas em que fazem danças típicas chamadas Parishara, Aleluia e Tukúi (esta última é a dança do beija-flor, mas é mais rara, eu nunca vi).

Nestas festas além da dança tem competições como corrida a cavalo, futebol (indígenas adoram futebol, como todos brasileiros),  quem come mais damurida (que é o prato tradicional, super-apimentado), quem bebe mais caxiri (que é a bebida tradicional, feita de mandioca fermentada), quem aguenta pimenta no olho e quem prepara a melhor damurida.

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Estas fotos são dos Macuxi, em uma festa em que estive em novembro de 2010. Eles estão dançando o parishara. Tem uma parte que é ao ar livre e você já vai notar que há incorporações ao tradicional, como  o hino (cantado com a mão no coração). Os macuxi sõ se vestem deste jeito para festas, pois no dia a dia andam como nós, sem diferença alguma. Eles tem muitas escolas em suas comunidades (que é como são chamadas as aldeias aqui) e muitos tem nível superior, embora retornem para viver em suas terras de origem. Esta festa é na Aldeia Maturuca, onde o presidente Lula foi fazer a homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol.

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Estas festas são da dança Aleluia dos Ingaricó. Eles dançam sempre com a mão no ombro de quem está ao lado, a sintonia é perfeita, veja como as pernas estão fazendo o mesmo movimento. Eu adoro, embora minhas pernas sejam muito estabanadas para dançar. Quando tem "casamentos" passam a noite toda dançando e tomando caxiri, em grande alegria.

Areruuuuuuuiaaaaaaa………

Somos recebidos com dança. Aleluia. Mulheres dançam e cantam abraçadas com passo e cadencia sincronizados. Aleuia. O agente fala. Nós falamos e ele nos traduz. Higiene. Alimentação. Preventivo. A manhã se transforma em um saudável bate-papo, mas logo o canto volta e a dança encanta.

"Areeeruuuuuiaaaa………………. Areeeruuuuuuuiaaaaaa……………Areeeruuuuuiaaaa………………. Areeeruuuuuuuiaaaaaa……………

Areeeruuuuuiaaaa………………. Areeeruuuuuuuiaaaaaa……………"

A única palavra que entendo é o Aleluia que nomeia a dança, mas consigo compreender tudo. As mulheres pedem a proteção de Deus para suas famílias, suas roças e acima de tudo pedem as graças do Senhor.O ritmo hipnotiza, e pouco a pouco junto com elas me aproximo a Deus em uma única prece que não quero que acabe.

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Diferente dos Macuxi e Wapixana que tentam resgatar suas tradições, hoje ainda relegadas as salas de aula e exibições em dias de festa, os cânticos e danças dos Ingaricó fazem parte do seu dia a dia, estão tão vivas quanto antes.

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