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Venezuela investiga massacre de 80 ianomâmis por brasileiros

Amigos, faço minhas as palavras do Maurício, abaixo.
Abraços,
Altamiro

Caros amigos !

Infelizmente encaminho algumas informações a respeito dos fatos ocorridos aqui na fronteira de RR e Venezuela.

Tristeza, vergonha e sede de justiça é oque sinto no momento !
Maurício Caldart
http://www.folhabv.com.br/noticia.php?id=135296

Venezuela investiga massacre de 80 ianomâmis por brasileiros

A Promotoria da Venezuela investiga um suposto massacre de índios ianomâmi em uma aldeia situada na fronteira com o Brasil, num caso em que garimpeiros brasileiros são apontados como suspeitos da morte de até 80 de pessoas.

O suposto massacre, segundo testemunhas e sobreviventes, teria sido desencadeado pela tentativa dos garimpeiros de estuprar mulheres indígenas.
A Promotoria Geral da Venezuela indicou na quarta-feira (29) uma comissão para investigar o suposto ataque, que teria sido cometido em julho, mas cujos detalhes só vieram à tona nos últimos dias.
De acordo com a ONG Survival International, os índios, que teriam encontrado os corpos carbonizados das supostas vítimas do massacre, só conseguiram reportar a ação muito tempo após ela ter sido cometida, já que os ianomâmi vivem em uma região isolada e as testemunhas levaram dias para chegar a pé até o povoamento mais próximo.
Histórico
Os ianomâmi são uma das maiores tribos relativamente isoladas da América do Sul. Vivem em florestas tropicais e em montanhas no norte do Brasil e no sul da Venezuela. No Brasil, seu território tem o dobro do tamanho da Suíça. Na Venezuela, os índios ianomâmis vivem em uma região de 8,2 milhões de hectares no Alto Orinoco. Juntas, as duas regiões formam o maior território indígena florestal em todo o mundo.
A denúncia sobre o suposto massacre ocorre no ano em que os indígenas celebram as duas décadas de criação do território ianomâmi no Brasil. Em março deste ano, o líder ianomâmi Davi Kopenawa havia alertado a ONU, em Genebra, sobre os perigos trazidos pela mineração ilegal, colocando a vida de indígenas em risco, principalmente em tribos isoladas, e contribuindo para a destruição da floresta e a poluição de rios.
”Testemunhas que conversaram com os três sobreviventes do ataque contaram que a comunidade irotatheri foi atacada e que ali vivem aproximadamente 80 pessoas. Esse é o número de mortos com o qual estamos trabalhando, mas esse dado ainda não foi confirmado’, disse à BBC Mundo Luis Shatiwë, secretário-executivo da organização ianomâmi Horonami.
Especialistas que conhecem a região e a realidade das comunidades pediram cautela e advertiram sobre a dificuldade em verificar-se a precisão das denúncias, em parte pelo fato de que é complicado o acesso à zona conhecida como Alto Orinoco.
‘Corpos carbonizados’
Ainda segundo o relato de Luis Shatiwë, ‘no último dia 5 de julho, um grupo de garimpeiros queimou a aldeia irothatheri. Em seguida, três visitantes chegaram à comunidade e encontraram os corpos carbonizados”.
”Ao tomarem outro caminho para voltar, os visitantes encontraram três sobreviventes no meio da selva, que narraram que os garimpeiros pretendiam abusar sexualmente de mulheres ianomâmis. Diante da resistência dos ianomâmis, que conseguiram resgatar as jovens, os mineiros começaram a murmurar e a se organizar para matar e destruir a comunidade. Foi assim que o ataque ocorreu”, afirmou Shatiwë.
”Os três sobreviventes disseram que não podiam abandonar a aldeia, já que tinham ali os corpos sem vida de seus entes queridos. E pediram aos visitantes que transmitissem a informação ao exterior e pedissem ajuda. Assim começou o itinerário de volta, que culminou nesta semana, com a apresentação da denúncia formal do massacre perante as autoridades de Puerto Ayacucho (na Venezuela)”, contou Shatiwë.
A denúncia foi apresentada perante a Promotoria-Geral e a Defensoria Popular, em Puerto Ayachucho, e também perante a 52ª Brigada de Guarnição Militar, que registrou os depoimentos.
Incursões de garimpeiros
Em entrevista à BBC Mundo (serviço em espanhol da BBC), a antropóloga Hortensia Caballero disse que a ação ilegal dos garimpeiros brasileiros na região ocorre desde o final dos anos 1980.
Em 1993, uma incursão de garimpeiros da comunidade Haximú, em território venezuelano, levou à morte de 16 índios ianmoami.
”Foi nesse momento que o Estado Venezuelano começou a se envolver, quando se deu conta de que a matança havia ocorrido em seu território. Um grupo de direitos humanos com sede em Puerto Ayacucho fez uma denúncia perante a Comissão Interamericana por julgar que governo venezulano atuava de forma negligente, e a comissão deu razão aos ianomâmis”, afirmou a antropóloga.
Em 1999, o governo da Venezuela assinou um acordo no qual se comprometeu a implementar e financiar um programa de saúde para o povo ianomâmi e a firmar um acordo com o governo do Brasil com o intuito de promover a vigilância e a repressão à mineração ilegal.
Um advogado que trabalhou com organizações indígenas no Estado do Amazonas, na Venezuela, e que prefere manter anonimato devido ao temor de represálias, disse à BBC Mundo que teme que as incursões de mineiros ilegais em áreas indígenas estejam se intensificando.
”Devido à subida do ouro, existe uma incursão muito forte de mineração ilegal em toda a zona, e, com ela, todo um sistema de delinquência organizada, que vai além da área ianomâmi e se propaga por todo o Estado.’
A Venezuela conta com cerca de 15 mil índios ianomami no Estado do Amazonas e outra parte no Estado de Bolívar. Os indígenas estão distribuídos ao longo de 200 comunidades, que mantêm práticas tradicionais de caça, pesca, coleta, ritos fúnebres, mitos e cosmologia.

Fonte:G1

Caverna Waxaro, despedida do Monte Roraima em grande estilo

Visão para poucos, que fui conferir na beira do abismo antes de seguir a Caverna de Waxaro, onde caminhamos cerca de 100 metros, penetrando no interior do Roraima e seguindo um pequeno rio subterrâneo que acabava se dividindo em duas cachoeiras de cerca de dois metros em um amplo salão.


Este foi o fecho de ouro de nossa jornada, pois amanhã bem cedo iniciaremos a nossa jornada de dois dias morro abaixo. Legal aqui é que é tudo tão grande e distante que todo este tempo quase não vemos outras pessoas. Há sempre uma visão única, um abismo estonteante, uma formação sem igual. Assim todo mundo se espalha e há uma sensação quase que de privacidade, ou seja, o Monte Roraima são tantos que cada um tem o seu.  O meu é este, que dividi com vocês.


OBS: Este post faz parte do texto integral das Impressões Amazônicas 65

Cachoeira Kukenan

Agradeci pela nova experiência e também pela água ter enchido a Cachoeira Kukenan, no tepui vizinho, considerada uma das dez mais altas do mundo. Chuva de verão não dura tanto, e logo tínhamos a visão privilegiada do véu da Kukenan.

 

OBS: Este post faz parte do texto integral das Impressões Amazônicas 65

Pegando chuva no topo do Monte Roraima

Agora estou no ponto mais alto do Monte Roraima. O cenário, mais uma vez é único, e mesmo aqui, bem perto do céu, encontramos plantas de vários tipos. No imenso platô abaixo de nós se espalham outros cumes, gigantes de pedra que não fazem frente ao nosso mirante. Atrás de nós um abismo sem fim, pois a mata está escondida pela névoa que sobe e aos poucos nos alcança. Não há vento. Se é um consolo por diminuir o frio, não espalha as nuvens. Aproveito para orar, agradecendo a Deus e aproveitando para enviar energia para este lugar, para todos que amo, inclusive você.

Místicos dizem que Francisco de Assis habita este lugar, enviando sua energia para todo o mundo, protegendo a natureza. Não sei se é verdade, mas a energia sem dúvida impregna cada centímetro deste lugar onde a vida brota por todo lado.

Perdido nestes pensamentos começa a chover. Nos abrigamos em uma pequena loca, pouco abaixo do cume onde a chuva não nos atinge, de onde podemos apreciar toda força da natureza.

A chuva não parou e descemos assim mesmo, afinal para baixo todo santo ajuda e a fome já apertava. Logo chegamos nas barracas. Vir ao Monte Roraima e não pegar chuva não é vir ao Monte Roraima.

 

OBS: Este post faz parte do texto integral das Impressões Amazônicas 65

O Caminho Branco do topo do Monte

Nos caminhos o segredo é sempre seguir a “trilha branca”.

O caminho mais pisado desgasta a rocha que fica com um aspecto mais claro. Lembra o caminho de Oz em sua versão albina. Um passo de cada vez. Sempre. Ignorando bolhas, sol, frio, chuva, dores. Superar os obstáculos aqui é um exemplo para a vida, pois nos mostra que temos a capacidade de enfrentar qualquer desafio.

 

OBS: Este post faz parte do texto integral das Impressões Amazônicas 65

Quando baixa a neblina no Monte Roraima

As longas caminhadas com mais de 12kg nas costas tem cobrado o seu preço, e o meu ritmo, assim como o dos demais, é nitidamente menor. O sol que nos ajudou o tempo todo hoje começou a se esconder. Subitamente vem a neblina e tudo some. A visão se restringe a pouco mais de cinco metros. Adeus abismos, adeus topos, adeus tudo. Temos que andar com o máximo de cuidado, pois é fácil se perder.


Dá pra ver a névoa chegando…

… e aos poucos fechando tudo.

 

OBS: Este post faz parte do texto integral das Impressões Amazônicas 65