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Alter do Chão… Beleza submersa

Em cada dia aqui, uma praia no roteiro, dentre as muitas que se espalham pelas margens do rio Tapajós, por muitos considerado o mais bonito da Amazônia. Infelizmente as chuvas e as cheias deixaram suas águas meio barrentas e encolheram as praias. Aqui na Amazônia é assim… certas épocas algumas praias literalmente somem, escondidas debaixo de metros de água. Visitar a mesma praia duas vezes é surpreendente. Eu estive em Alter do Chão, destino altamente disputado por turistas do mundo todo, em 2006. Na época chegávamos a praia mais famosa caminhando por uma faixa de areia branca. Hoje, para minha surpresa, a areia pouco mais é do que uma ilhota com alguns bares, onde muita gente se espreme em busca de um lugar ao sol e a beira-rio. Cerveja ou suco gelado, poucas ondas e a tranquilidade ideal para passar o dia de molho na água ou, “de bubuia” como se diz por aqui. Para chegar até a areia você aluga um barquinho que faz a travessia em poucos minutos. Para os mais corajosos, os braços e pernas fazem o transporte e ainda garantem o exercício.

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De cima para baixo: 1 – Catraieiros esperando passageiros 2 – Travessia 3 – Povo debaixo das barraquinhas… só cabeças de fora.

Este post é parte das Impressões Integrais 96 – Clique e leia o texto na íntegra.

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Filosofando sob as estrelas

Depois meu pensamento questiona as motivações da fé para este povo.
Será a vontade de adorar? Quem será, para eles, este Cristo que talvez se confunda com as crenças dos antepassados, contadas de boca a ouvido, em noites ao pé do fogo e família reunida, momentos que não voltam mais nas aldeias invadidas pela energia e violentadas pela televisão.
Será o sonho de uma vida melhor? Aqui ou na cidade? O que é uma vida melhor? Cada sociedade tem os problemas que merece, os dramas que necessita, as violências que tolera. Não adianta mudarmos de lugar achando que tudo vai mudar, se quem precisa de mudanças somos nós mesmos, para encontrarmos a vida melhor dentro da gente.
A esperança de dinheiro? Quem sabe aposentadoria ? – pode ajudar a comprar um rádio novo ou o refrigerante para o bolo do neto. Aqui, aposentar não é parar de trabalhar, pois o trabalho, para quem é da roça, não há de acabar nunca.
Tantas esperanças entregues em oferenda nas três missas que se seguem… A saúde do pai, o bom parto da filha, o emprego do marido, a boa morte do avô. Um mundo sem canaimé.

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A fé e a Lua

Fico imaginando a força da fé. O exemplo vivo de desprendimento que vem do Cristo e que se repete nos padres, vindos da África, de tão longe em busca de sua missão de vida. Paro para pensar qual é a minha missão e porque eu também estou no lavrado. Porque cada um de nós está onde está? Será que somos fortes como eles? Capazes de escutar um chamado e respondê-lo? Tento escutar a lua, que ilumina esta noite de uma forma especial.

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Missa no lavrado, com sotaque africano

O malocão está cheio, e dois padres dirigem a cerimônia. O sotaque e a cor da pele, escura como a noite sem estrelas, deixam claro que não são do lavrado. Descubro que um é de Moçambique e outro de Uganda – pouco mais do que “lugares-distantes-de-onde-nunca-ouvi-falar” para a maior parte dos assistentes. A missa é envolvente e direcionada aos jovens. Falta a animação carismática, mas a sobriedade combina melhor com o povo de poucas palavras.

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Crianças brincando na aldeia

Não posso esperar a Cruz. Tenho atendimento marcado na aldeia Triunfo, distante cerca de meia hora de carro. A noite vão acontecer missas e espero poder participar.
Além do religioso, a passagem da Cruz Peregrina é um acontecimento social no lavrado, reunindo parentes de várias aldeias. “Bem vindos a Comunidade Indígena Pedra Branca”, saúda a placa. Roupa de festa, camisa social, batom vermelho-paixão, sapato envernizado, laço de fita no cabelo. Parentes se encontram, negociam, conversam, namoram. Festa para os adultos, festa para as crianças: onde ontem brincavam dez, correndo atrás dos passarinhos, hoje brincam dezoito. Se seis meninas jogavam bola, agora são mais de onze, numa festa de gente nova.

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Esperando a Cruz Peregrina

Crianças pulam e brincam até serem reconduzidas a seriedade por um adulto mais carrancudo. O sol que ilumina as cruzes e toda a gente, indiferente a qualquer boa intenção, não dá descanso. “Uma sombra”, “um pouco de água”, “aquieta menino”, talvez sejam os desejos mais frequentes. Talvez não. Povo de pele curtida, habituada ao quente, ao seco, ao longe.

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Lá vem a Santa Cruz Peregrina

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– Doutor, lá vem a Santa Cruz Peregrina!
Em cada aldeia, a Peregrina chega e a comunidade sai para recebê-la. A entrada da aldeia está repleta de gente. Cruzes miúdas enfeitam pescoços, outras maiores ocupam as mãos de quem até bem pouco segurava estilingues e as grandes indicam bênçãos recebidas – ou promessas sendo quitadas.

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