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Mais nomes diferentes!!!

A gente sempre se surpreende com os nomes Yanomami. Atendi duas índias recentemente com nomes diferentes: Lamparina, Cheiroso e Alfacia. Para nós soa bizarro, mas para eles são sons bonitos que podem, por exemplo, se assemelhar a palavras tais como vento, amor ou arco-íris em seu idioma. Quando escolhemos o nome de nossos filhos dificilmente pensamos no significado, não é mesmo? Afinal, quem sabe que Yan, em chinês quer dize prata? E que Lívia significa “pálida”? E Jussara é o nome de uma abelha?

Assim, sem preconceito, descubro lendo em Comer, Rezar, Amar (veja em Impressões do que eu Li, no blog) que em Bali, na Indonésia, a maioria das pessoas tem apenas quatro nomes: Wayan, Made, Nyoman e Ketut, que significam respectivamente Primeiro, Segundo, Terceiro e Quarto. Estes nomes valem para ambos os sexos e a partir do quinto filho a contagem recomeça. É tão simples que fica complicado, não?

Para finalizar as histórias de nomes, hoje fui interrompido em minhas consultas por um médico que vem com um nome escrito em um papel: ULTON. Pede para eu dizer como se pronuncia o nome e eu li o que me parecia óbvio: Ulton. Não… se pronuncia Ueleton!

Mais nomes diferentes – Escolha o seu nome!

Continuo apaixonado por nomes. Atendi uma criança ontem com um nome muito legal. Chamava-se Irainara Lua de Apiau. Perguntei ao pai o porque do nome e ele me contou que ela havia nascido quando ele, que é bombeiro, estava apagando um incêndio as margens do Rio Apiau, e mesmo com toda fumaça, todo trabalho havia uma linda lua cheia sobre o rio. Daí o nome. Bacana, não?

Atendi também outros nomes diferentes:
a) dos Yanomami: Pleixoma, Pebetinho, Neguinha, Doutora, Princesa, Macuxi Yanomami (o nome dele é o nome da outra etnia), Esboliça, Pinóquio e Xakison.

b) não indígenas: Wenissio,  Alleoname Dulce, Maer Salasbaz.

Podem escolher!

Novos Nomes Diferentes

Alguns nomes coletados entre os indígenas Munduruku de Itaituba, quando estive por lá há um ano, dando um curso de Sisvan Indígena: Recileude e Recicleide (estas são irmãs), Misenildo, Marciverino, Creucineide, Angenira, Lucicleudo, Alnigeuza, Ilciraia, Ediomacki, Deucivania, Valdilelson, Sergivalson, Valdomilton, Valrieldo, Ledioneta, Valcicrene.
Podem escolher os seus.

Muito prazer, Dr. Marabá

Por fim uma história que passou-se com uma índia. Os Kaiapós costumam perguntar meu nome, e ao saber comentam que é “nome de cidade”, tendo como referência a cidade de Altamira, uma das maiores do estado. Outro dia a índia não teve dúvidas e me chamou de Dr. Marabá, nome da maior cidade do sul do Pará. O raciocínio estava certo, ela só trocou a cidade.

E já que estou falando de nomes dos Kaiapó, alguns nomes que descobri recentemente em Boa Vista. Atendi três pacientes com nomes “bíblicos” que não conhecia: Habacuque, Sofonias e Êxodo.

Atendi também uma menina chamada Maclynny. A mãe me contou que havia feito ultrasonografia que mostravam ser um menino, que ganharia nome de artista: David Maclynn. Como nasceu menina, saiu o David e virou Maclynny.

Por fim atendi Vorkman, que imagino ter saído de algum filme de ficção científica!

O pequeno arqueiro e os nomes ocultos.

Descobri uma coisa interessante. Embora eles já tenham seus nomes “de branco”, a maioria dos Yanomami tem outros nomes, que são “ocultos”. Isto porque uma das maiores ofensas para eles é ter seu nome proferido em voz alta. Quando o nome é falado, um espírito que esteja próximo pode se apoderar do nome e fazer mal a pessoa. Assim, eles só falam seus nomes em voz baixa e em situações especiais. Falar o nome de alguém alto é uma ofensa gravíssima, pior do que xingar a mãe. Por este motivo, quando os brancos lhes deram nomes, eles com certeza agradeceram, pois não precisaram usar seus nomes tão bem protegidos. Entre eles é comum chamarem-se de “amigos”, “irmão” e outros nomes carinhosos.

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Mais fotos da Lídia na aldeia. Olhem o pequeno arqueiro, chamando a atenção até dos parentes, todos com a tradicional roupa vermelha.

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Maloca Yanomami. Para toda família…

Yanomamis no hospital

Não estou mais trabalhando com saúde indígena, mas ainda tenho muitas histórias dos Kaiapó para enviar. Além disso, no hospital de pediatria sempre tem indígenas internados. Ontem havia vários Yanomami lá, o que deixa claro que logo terei histórias para contar como a respeito dos nomes deles.

Já viram que adoro nomes, né? Será algum trauma por causa do meu?? Risos…

Os Yanomami tem vários tipos de nomes. A primeira peculiaridade é que as crianças só ganham nome quando tem mais um ano. Assim elas são chamadas de Filha de Xolaisi ou Terceiro Filho de Malinami ou Quinta Filha de Ilianama. Os nomes tanto podem ser tradicionais, como estes que eu mostrei, como herdados do contato com os não-índios. Assim, já se encontram entre eles nomes ocientais “yanomamizados”, como Elica, Xuliana, Suleka (Zuleica), Taniela, Xiuta (Gilda), Xelautino (Geraldino), Mixeo, Plisila (Priscila), Nasale (Nazaré) e Esmael. Além disso há nomes que são adotados por sua sonoridade, o que nos faz encontrar: Moreninha, Mosa (Moça), Puneka (Boneca), Tijela, Safado e Kasula.

Achei também um Sahanei… seria tradicional ou homenagem a um antigo presidente? : )