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Impressões da culinária paraense

Para os que não conhecem a deliciosa comida paraense, maniçoba é o prato mais desafiante da culinária brasileira, pelo seu aspecto e história. Até para os apreciadores, como eu, a maniçoba não é uma refeição nada bonita, um misto de lama com terra preta, daquelas onde esperamos encontrar caranguejos, ou seja, uma refeição com cara de mangue. No meio deste mangue encontramos os “pertences”, como em uma feijoada: paio, linguiça, partes de porco e as vezes carne de sol. Este mangue é como um mingau grosso feito da maniva, a folha da mandioca. E aí entra a história incrível. Para eliminar todo ácido das folhas, que é altamente venenoso, a maniva deve ser cozida por sete dias. Sete dias! Como alguém inventou isso? Algum dia alguém cismou que queria comer a folha e tome de cozinhar… O detalhe é que não provou, mas colocou os outros para provarem – e morrerem – em seu lugar, até que um dia alguém disse… “Está feio, mas está no ponto”. Pronto. Estava inventada a maniçoba.

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Maniçoba com arroz

Mas se você é menos radical, vamos de arroz paraense, que é arroz feito no molho do tucupi com jambu, a deliciosa folhinha paraense que anestesia a língua e acompanhado de camarão. Bom, bonito e muito gostoso.

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Maniçoba com arroz.
Ao lado bolinho feito com farinha de piracuí, feita de peixe seco. Delícia paraense!

Este post é parte das Impressões Integrais 96 – Clique e leia o texto na íntegra.

Impressões de Santarém–primeira parte

Chegamos em Santarém a noite, e o estômago já dá sinais de vida. A solução foi virmos direto a orla, onde encontramos o Massabor, pizzaria que se espalha em um píer por sobre as águas calmas e verdes do rio Tapajós e que também oferece pratos regionais. Como já estamos habituados com pizza, preferimos os sabores locais e vamos de maniçoba com arroz paraense, embalados por uma bela seleção de MPB, o que é uma grata surpresa para quem imaginava só escutar tecnobrega, forró e o onipresente sertanejo.

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Restaurante no Pier e vista noturna de Santarém

Este post é parte das Impressões Integrais 96 – Clique e leia o texto na íntegra.

Alter do Chão

Você já ouviu falar em Alter do Chão? Provavelmente não, mas deveria. Alter é uma daquelas pérolas que o Brasil esconde tanto que seu brilho só é visto pelos estrangeiros, passando por cima das fronteiras nacionais e chegando diretamente na Europa, Japão e Estados Unidos.
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Que tal a vida boa? Me acompanha?
Imagine uma vila repleta de praia de areia bem fina e muito branca, com águas verdes esmeralda contrastando com o azul dos céus, com ondas suaves que permitem que os adultos se divirtam e que as criqanças não corram perigo. E o que é especial… de água doce, pois Alter está a beira do Tapajós, considerado um dos rios mais bonitos de toda a Amazônia. Pois é, me sinto um privilegiado. Isto me faz lembrar que em todo o Brasil temos destes “cantinhos mágicos” que ficam esquecidos. Assim era quando buscava os destinos ocultos para o Carnaval… lembro dos bons tempos que passamos em Prudentópolis, Matilde, São Rafael, Tibagi… sem que a maioria das pessoas saiba mesmo que estes lugares existem.
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Ponta de Pedra. Nem parece rio.
Bem, mas Alter foi bom demais. Para melhorar ainda mais pudemos degustar o Festival do Charutinho, com peixe fresco e frito na hora, uma festa na praia de Ponta de Pedra, considerada uma das mais bonitas da região. Tudo patrocinada pela Cerpa, a cerveja local. Não que eu goste, mas para os amigos chegados… uma baita pedida. Finalizando um dos dias… por do sol no Tapajós… com direito a barco de pesca “fazendo pose”. Valeu a viagem só por este dia.

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