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O mundo visto de cima

Tudo bem, o título não é novo, nem mesmo a ideia… Mas eu AMO fotos aéreas, pois juntam o que eu gosto… voar (que é sinônimo de viajar), lindas paisagens e a perspectiva de ver o mundo sob outra ótica.

Seguem então algumas fotinhos que fiz recentemente…

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Porque o Rio continua lindo…

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Ponte Rio Niterói… Que junta a cidade maravilhosa com a cidade onde orgulhosamente nasci! Niterói.

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Manaus… porque no meio da floresta colocaram uma cidade!!!

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Guarulhos…  porque todo mundo precisa de um hub para viajar!!!

Cada qual com sua beleza… Qual sua favorita?

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O Rio tem destas coisas…

O Rio tem coisas que mais nenhuma cidade tem…. No início de dezembro estava andando entre a Praça XV e o Aeroporto Santos Dummont, meio triste, já repleto da saudade de despedida, quando de repente me deparo com esta alegria, esta animação, esta vida e estes sorrisos temperados por música muito animada. O que fazer além de me alegrar, fotografar e filmar, agradecendo pelo privilégio?

O dia que o Deus da Natureza chorou e “molhou tudo lá embaixo”

Hoje ouvi uma história que não consegui dizer se era real ou invenção de quem contou. Tanto em um quanto em outro caso, ela se torna tão pertinente que não posso deixar de partilhar com vocês.

Minha esposa está dando aula para indígenas que fazem parte do curso de graduação específico para eles, que acontece na Universidade Federal de Roraima. As aulas são ligadas a questão alimentar. Durante uma aula de Segurança Alimentar discutiam a questão da preservação da natureza quando um dos alunos, que é professor em aldeia, contou o que aconteceu na semana passada quando conversava com uma criança que havia visto a calamidade do Rio na televisão.

– Professor, já sei porque a chuva matou tanta gente lá no Rio de Janeiro.
– Porque – perguntou ele?
– Porque a Natureza foi falar com o Deus da Natureza e contou o que estava acontecendo com ela, como estava sendo maltratada. Disse que os morros são sagrados e não poderia haver tanta gente morando naquele lugar. Isto deveria ser respeitado pelos homens.

O Deus da Natureza ficou triste e começou a chorar. Mas ficou tão triste que chorou muito e suas lágrimas desceram com muita força derrubando tudo e enchendo os rios lá embaixo.

Uma pequena curumim já conseguiu entender… nós talvez também já tenhamos entendido… Mas quando será que agiremos?

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O rio Branco quando sobe alaga muitas casas e a cena é esta… apenas os telhados de fora… Calamidade como no Rio de Janeiro

Bloco de piranhas no Ano Novo

Niterói tem outras coisas interessantes e únicas. Uma eu já comentei em um Impressões antiga: o Bloco das Piranhas em 31 de dezembro, e não no carnaval. Este ano bateu recorde de público, parando a praia por várias horas e muitíssimo organizado – segundo alguns “bofes” que me contaram. Só me contaram, porque eu não fui… risos… Haviam grupos vestidos de mulher maravilha, outras(os?) de noiva, de Minie, de camisola, de fada, mas o grande sucesso foi sem dúvida as do Bofe de Elite. Tanto entusiasmo de homem em se vestir de mulher nunca me cheira bem.
IA325 Fotografado da janela de casa… os bofes na rua.
E também não cheira bem o Bloco de Papai Noel, no dia 24 de dezembro. Além de transformarem a festa cristã em grande comércio, em Niterói existe uma tradição de se encontrarem exatamente em baixo do prédio da minha avó (este ano foi na quadra ao lado, graças ao Bom Velhinho e a Tropa de Elite que baixou por lá, com muitos soldados, ainda que não tantos quanto os (as) que estavam no Bloco das Piranhas) para ouvir funk em alto volume, beber muito, brigar, beber mais, beber um pouco mais e beber muito mais. Ninguém dança, ninguém sacode… só bebe e usa um gorro de papai Noel, além, é claro, de estragar o Natal da vizinhança. Após os tiros nos últimos anos, este ano a repressão foi grande, e o barulho menor, embora a uma quadra de distância e nove andares acima, ainda se ouvia funk em alto volume.

Nas terras de Pedro e de Teresa

Deixando de lado esta confusão aproveitei para subir a serra. Já escrevi sobre este programa, mas é que gosto muuuuito da Serra dos Órgãos. Não é a toa que os índios lhe davam o nome de Tupamboeira, que significa “contas de Deus” E como a região além de divina é majestosa, era para lá que nossos imperadores iam passar férias, daí vindo o nome das duas principais cidades serranas: Petrópolis, cidade de Pedro II e Teresópolis, cidade de sua esposa Teresa. Como quem foi rei nunca perde a majestade, Petrópolis se mantém cidade imperial graças às inúmeras casas da época que estão espalhadas por todo centro. No meio de tantas casas enormes, destaca-se uma miúda, ao pé de um morro. Projetada por seu dono, é simples e bem típica de seu gênio: original, prática e moderna. Para chegar, sobe-se por uma escada onde cada degrau só pode ser pisado com o pé certo (na verdade são “meio-degraus”), de forma a se entrar na casa somente com o pé direito. No primeiro piso somente uma pequena sala e uma escada, levando ao segundo andar, que nada mais é do que um jirau onde há um baú que a noite virava cama e um pequeno banheiro. Na área externa, seu morador, Santos Dumont observava as estrelas através de um telescópio instalado no telhado.
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Para os claustrofóbicos, a pedida é o Museu Imperial. Aquilo que era viver bem! Quarto de música, quarto de visitas, quarto de estudo, quarto das crianças, quarto de costura… berço de ouro, coroa de ouro, cetro de ouro, o ouro que não foi parar nas mãos dos ingleses está por ali, e tudo muito bem arrumado e organizado. Para manter o piso de madeira o mais próximo do original, não se pode pisar de sapatos, e se anda, ou melhor, se desliza de pantufas o tempo todo, o que faz com que todo o tempo vejamos crianças literalmente voando pelo museu e pousando de bunda no chão.

Não basta ser pai… para voar!

Acho que não conseguirei mais me habituar ao caos do trânsito, as precauções com a violência e a sensação de insegurança. Sinto o mesmo medo que muita gente tem do Rio… mas uma coisa é incontestável… Como é bonita a cidade! E pude comprovar isso por levar a sério o ditado: “não basta ser pai, tem que participar”.
Isto porque fui acompanhar minha filha e as amigas que iam saltar de parapente com o Tião, padrasto de uma delas, do alto do Parque da Cidade. Como o local é muito bonito, não poderia perder a oportunidade de fotografar o vôo da minha filhota, bem mais corajosa do que eu. A visão é daquelas privilegiadas que só os niteroienses têm. De um lado a Baía de Guanabara, emoldurada pelo Pão de Açúcar, Corcovado e pelas pequenas reentrâncias de São Francisco, Charitas e Icaraí.
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Do outro lado lagoas, morros onde a mata atlântica insiste em viver e o recorte das praias de Piratininga e Camboinhas. Morram de inveja cariocas, que insistem em dizer que a vista mais bonita de Niterói é a vista do Rio. É verdade, mas é um privilégio que nem eles têm. Nada poderia ser mais paradisíaco do que esta vista em um dia de sol. Aproveitei para fotografar muito, curtindo o momento zen e o local especial. Tudo ia bem até que eu escuto o Tião falar… “agora é o pai da Elga”. Ops! Isto não estava no script. Ao menos não no meu script. Mas como amarelar depois que minha filha havia saltado? Não teve jeito…
IA321 capacete, cadeirinha, pista, corrida e… espaço… IA322
Agora, longe do momento posso confessar que saltei de olho fechado… mas que no momento que abri fiquei encantado com a beleza do mundo. Eu que já gostava de voar de monomotor achei o parapente fantástico. Seguro, silencioso, bonito, ou melhor, lindo, ainda mais quando se tem o privilégio de voar em um lugar como este. Agradeço a Elga e ao Tião pela oportunidade.
Lá do alto pude perceber que, embora a cidade já esteja cheia de gente, as ruas abarrotadas de carro e todo mundo começando a se sentir sem espaço, não param de subir prédios em Niterói. Geograficamente é uma das menores cidades do estado, e ao mesmo tempo um dos municípios mais populosos. Até Charitas, antes preservada, hoje tem mais de dez prédios em construção. E cada morador vai ter o seu carro… como andar nas ruas? Por isso que sempre digo que em Niterói, após cinco minutos com o carro parado o motorista comenta “acho que está engarrafando…”. Voltar pra morar? Nunca.