Tikuna – Primeiras Impressões

Os índios daqui são quase todos da etnia Tikuna. São como os bolivianos… todos iguais. Ainda não sei o nome, mas acho que se forem Tikunas peruanos e chamarmos de Juan Carlos todos devem atender… depois dizem que japonês é tudo igual. No meu trabalho vou ter que visitar as comunidades. Isto é algo que me deixa entusiasmado. Estive conversando com uma enfermeira da funasa e ela diz que o relacionamento não é fácil, mas a cultura é realmente fascinante e diferente.

Benjamin Constant

A perspectiva é ganhar bem, mas também trabalhar muito. Há muito, muito, muito o que fazer. Esta semana não atendi ninguém, mas trabalhei no desenvolvimento do Programa Municipal de Saúde Infantil, do Programa Municipal de DST/AIDS, em um programa de integração saúde/escola e em algumas fichas que vão me ajudar. Não pensem que acabou, pois agora estou desenvolvendo o treinamento que faremos com agentes de saúde, professores e depois com voluntários dentro da comunidade indígena, entre os adolescentes e com os profissionais do sexo. Há muito o que fazer, mas realmente será interessante. No final do mês inclusive já estarei em Manaus como coordenador de DST daqui do município. Bem, mas não é só de trabalho que se vive por aqui. Enquanto espero minha casa ser reformada estou em um hotel. É simplezinho mas tem tudo: tv (que nunca liguei), ar condicionado (sempre ligado) + ventilador, banheiro sem aquecimento, geladeira. É bonzinho, mas quando chove muito, alaga aqui dentro, não pelo teto, mas pela porta… pois é… pois o corredor é perto da porta, o que é suficiente para alagar. Não pensem que exagero não. Muitas casas usam a água da chuva para tudo… banho, limpeza, e é o que alimenta quase 90% das cisternas locais.
A cidade é bem simples: uma loteria, um banco, um correio, um cartório, um campo, um boizódromo. Algumas locadoras com 50% dos dvds piratas, um cyber café por rádio, uma usina de energia a diesel, que fica atrás do hotel, e se o ar condicionado não fosse barulhento e não tivesse a chuva noturna eu ficaria ouvindo um rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr a noite toda. Posto não tem, até porque carro só tem uns 20, 30 sei lá para uma população de 27 mil pessoa. Aliás, hoje que era sábado vi um pouco mais de carros.. quando fui almoçar vi dois carros um atrás do outro. O maior engarrafamento que já havia visto nestas bandas. Como não tem carro, nada de posto. Aliás, Tabatinga com mais de cinqüenta mil pessoas também não tem posto de gasolina… porque todo mundo ia comprar gasolina na Colômbia, bem mais barato e onde se chega atravessando a rua…. simples, não? Para resolver o problema da gasolina, por aqui existe muuuuito comércio de gasolina na frente das casas. Ficam lá as placas… “Cocão 4,00” ou “Garrafão 7,00”. Isto porque, apesar de não haver carro nenhum, tem cerca de um milhão e quatrocentas mil motos que dividem o espaço com umas 10 bicicletas… afinal, por aqui fazer exercício não é chique…
Aqui me senti feliz por um motivo. Descobri que Altamiro é um nome ótimo e simples. Obrigado mamãe. Afinal, eu poderia me chamar Aldenio, Olzinei, Dionelson, Alzenides ou, se fosse mulher Urdilaine, Rosacléa ou algo parecido… O gosto é bem distinto do meu. Falando em gosto… bem, descobri tardiamente que as mulheres de Jacareí são liindas… poderiam se candidatar a miss por aqui… risos.
Para quem gosta de animais, os cães são fantásticos. Há uma raça própria aqui. Não imaginem que falo da Street Dog ou de algo parecido… Não, eles são todos no mesmo padrão, o legítimo Sarnaround Amazonico. Alias… sarna all around… Todos… Todos.. Todos… Aliás, o efeito na pelagem é lindo… parecem tapete que a traça comeu. Alzira aqui teria muito trabalho
Bem, o que falta contar? Estou com saudades de todos, em um lugar cheio de rubro-negros, com dois grupos escoteiros, sendo um em vias de re-estruturação e outro de férias ainda (as aulas aqui só voltam no dia 7), mais grupos em Tabatinga e em Leticia (andei pensando em me tornar Scout de Colombia) e muitos projetos. Se alguém quiser saber algo mais, é só perguntar.
Abraços a todos,
Altamiro

ps – se algum conhecido falar que nao recebeu, peça para me escreverem, pois o meu address book do webmail é bem incompleto.

Tô no Amazonas!

Para muitos será uma surpresa o que vou escrever, mas para os que já sabem, é uma forma de diminuir um pouco a curiosidade e contar um pouco sobre este mundão. Após uma escala em Manaus, cá estou eu em Benjamim Constant, beeeeem longe de vocês. Não sabem onde fica? Não precisam procurar muito. Peguem o mapa do Brasil… imaginem lá no extremo esquerdo, um pouco acima do Acre, divisa com Colômbia e Peru. Aqui estou sem prazo para ir embora e entusiasmado com o trabalho. Como a divisa com os hermanos peruanos não é por terra, não adianta fazerem piadinha que posso cair no Peru. O perigo é resolver visitar o país a nado… e após mergulhar sair de cara no Peru. Aliás, não só no Peru, mas na Islandia, que é o nome da cidade aqui em frente.