Time indígena disputa primeira divisão do futebol paraense com direito a artilheiro pintado e torcida de cocar

O clima nas arquibancadas foi de rara harmonia durante a partida de estreia do Campeonato Paraense, entre Paysandu e Gavião Kyikatejê, que terminou com vitória por 2 a 1 da equipe da capital paraense Belém. Entre os cerca de 1,7 mil torcedores que encararam a tarde chuvosa para ir ao estádio da Curuzu, havia cerca de cem torcedores da aldeia. No intervalo, os índios foram "tietados": todo mundo queria tirar foto com eles. O clima era descontraído entre os torcedores, como dificilmente se vê em partidas de futebol.

Torcida do Gavião Kyikatejê apoia o time na Curuzu Foto: Filipe Faraon / Especial para TerraTorcida do Gavião Kyikatejê apoia o time na CuruzuFoto: Filipe Faraon / Especial para Terra

Ligado a uma organizada do Paysandu, Gabriel Monteiro atravessou o estádio todo para ficar perto dos Kyikatejê, mas ele estava mais interessado nas meninas. "Antes do jogo a gente veio dar uma olhada, para saber se estava valendo. A gente voltou agora e eu estou a fim de casar com uma índia agora", brinca o adolescente. "O problema é que as mães delas são meio brabas", lamenta.

O clima amistoso entre as torcidas facilitou o trabalho da Polícia Militar. Mesmo assim, o major Prata, responsável pela segurança da partida, preferiu não facilitar e proibiu o encontro de torcidas durante a partida. Fotos só antes, no intervalo e no final. "Na hora do jogo vêm comentários, eles (os índios) são espalhafatosos e gritam muito, é melhor separar. Até porque para a gente seria muito complicado atuar numa situação de briga", explica.

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Em termos de animação e xingamentos, a torcida indígena é igual qualquer outra. A diferença é o apoio feminino. Mulheres não cansam de gritar, enquanto que homens ficam mais contidos, tensos. "É assim, mas os homens é que gostam mais de futebol", garante Krei Galvão, líder da aldeia que estava acompanhado dos quatro filhos e da esposa.

Krei se espantou com o assédio da torcida adversária para tirar fotos. Na primeira fase do Campeonato Paraense, o clima não era tão amistoso assim. "Em Tucuruí, quase sai briga", lembra.

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O próximo jogo do Kyikatejê é na quarta-feira, contra o Cametá. Como o município da aldeia, São Jesus do Tocantins, não tem estádio, os jogos em casa são na cidade de Marabá, a cerca de 60 km.

Especial para Terra
http://esportes.terra.com.br/paysandu/artilheiro-pintado-marca-mas-1-time-indigena-perde-para-paysandu,452753dd6b883410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

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