Uma homenagem a Selarón. Repost de 2008

Selarón faleceu ontem. O Rio a partir de hoje ficará menos colorido, menos alegre, menos vivo.
Reenvio este post da visita as suas escadarias, lugar que ele transformou apenas pela força da arte.
Altamiro

O Rio de Janeiro continua lindo. E como toda metrópole, tem alguns segredos guardados, muitas vezes mais conhecidos pelos turistas do que pelos próprios brasileiros. Um destes segredos está ali, entre a Lapa e Santa Tereza, região do centro, famosa pelo antigo Aqueduto da Carioca, inaugurado em 1750, hoje conhecido como Arcos da Lapa, que é percorrido por um bondinho, também ele reminiscência de tempos em que se amarrava cachorro com lingüiça.

DSC06541 Olha os Arcos aí, gente!!!

Pois ali, encravado em uma área onde é tão fácil encontrar turistas quanto no aeroporto, se esconde a Escadaria Selarón. Tudo bem se você nunca ouviu falar dela, e nem sabe o que é esse tal de Selarón. Na verdade, Selarón é o nome de um chileno daqueles “malucos-beleza”. Artista plástico que rodava o mundo, se encantou com a boêmia da Lapa, e aqui ficou. Como não tinha muito o que fazer, mas a criatividade estava mil, começou a transformar banheiras em jardineiras, ao redor de uma escadaria que leva ao convento de Santa Teresa. Bonitinho, mas não deu ibope. Aí ele começou a revestir os 215 degraus da escada com azulejos. Sim, 215 degraus!

DSC06552 Kim na escadaria

Como o lugar é point de descolados, bacaninhas e diferentes de todo o mundo, Selarón fez fama e virou ponto turístico. Muitos dos azulejos foram feitos por ele, com técnica de cerâmica, mas outros vieram de todos os lugares do globo. Encontrei azulejos portugueses, americanos, gregos, italianos, japoneses, russos, australianos e até seilaoques (uma língua esquisita, não entendi nada…) .

DSC06560 Selaron, de chapéu e bermuda vermelha, dando entrevistas.

A escadaria tem duas áreas bem definidas. A central é predominantemente verde-amarela, uma homenagem a pátria adotiva. As laterais são vermelhas, mesma cor das bermudas, sandálias e bicicleta que o artista bigodudo sempre usa. Coisa de artista.

DSC06561  Banheiras-floreiras cobertos de azulejos.

É bonito lá, mas o mais incrível é imaginar o poder de transformação que um único homem é capaz de ter. É lógico que nós também temos este poder, ainda que não nos demos conta. Um único homem, com paciência, boa vontade, trabalho e uma idéia simples, se transformou, não só em uma atração turística em um lugar cheio de atrações como o Rio, como em uma referência mundial. E nós, será que não conseguimos fazer o mesmo? Nos transformarmos em uma referência ao menos para quem está próximo de nós? Pausa para a reflexão.

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3 opiniões sobre “Uma homenagem a Selarón. Repost de 2008”

  1. Li, atentamente, sobre a escadaria Selarón, que soou como uma novidade para mim. Dever ser posterior a 1990 ou eu andei dando uma grande vacilada estando por aí e não tendo visto essa escadaria…
    Conheci a Lapa, seus arcos e circunvizinhanças desde 1971, quando, pela primeira vez, fui ao Rio. Morei bem pertinho, na Praça João Pessoa, exatamente no encontro da Mem-de-Sá com a Gomes Freire. Andei, comi e bebi às pampas, por lá…
    No meu retorno ao Rio, em 1986, morei no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, na Rua Gomes Lopes, mas o início da viagem (subida, melhor dizendo) era exatamente na Estação do Bonde, Largo da Carioca, aos pés dos Arcos. Enormes lembranças…
    Pena não ter podido conhecer a escadaria de azulejos, até 1990 quando de lá voltei a Fortaleza, de onde nãso masis me ausentei até hoje.
    Só o Altamiro para descobrir essas novidades, raras e especiais…
    Parabéns, mais uma vez !!!

    1. Inesperada tristezam ontem, ao desligar o computador e or assisitir televisão, deparei-me com a notícia da trágica morte do Selarón.
      A maldade que grassa em nosso meio ambiente, nas mentes à nossa volta, torna-se, lamentavelmente, evidente demais…
      A vida humana não está mais avaliada em sentimentos amorosos, em ideais, em Reais, em nada… Não vale mais nada… Inimaginável a perplexidade que pode estar acontecendo na Mente Divina, mais acertadamente na mente de JESUS, acerca do qie hoje sucede ao homem para a libertação de quem Ele tanto trabalhou e por que tanto sofreu… Devemos ter, com fatos como este, incentivo cada vez maior aos nossos corações e mentes, para seguirmos, cada vez mais de perto, os ensinamentos do Maior Mestre que a humanidade já viu e verá: JESUS CRISTO.
      E assim caminha a humanidade, sem lenço, sem documento, sem moral, meu amigo Altamiro. Deus tenha piedade de nós!!! Deusarino de Melo

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