Assombração… A noite sempre assusta

Sem o barulho da cidade, a noite é muito mais barulhenta do que eu imaginava. Grilo, chuva, sapos. Um morcego passa voando, balançando as asas perto da barraca. Um pássaro canta ao longe. De repente passos. Passos? Aqui não é para ter ninguém. Agradeço o banquinho que bloqueia a porta. Desligo a lanterna para prestar atenção e lembro das palavras do meu amigo, enfermeiro Higo, quando me viu dormindo sozinho pela primeira vez:
– Dormir aí fora, seu moço? Não… Aqui tem canaimé. Vai dormir na casa da agente de saúde.

Bicho palheta, canaimé, mãe do campo… Nesta hora todas as lendas surgem na memória.
E nesta hora as lendas sempre se acompanham de histórias terríveis. Lembro do paciente que surtou e correu com uma faca para cima do enfermeiro, no meio da noite, das brigas entre aldeias, do bêbado brigão…

Escuto novamente os passos. Saio da barraca em silencio para tentar escutar melhor. Olho por uma fresta e o luar clareia tudo, mas não vejo ninguém. Resolvo esperar um pouco mais.
– Muuuuu! Passam correndo dois bois que se esconderam da chuva debaixo da varanda do posto.
A imaginação prega peças. Não tem jeito, melhor dormir agora.
Boa noite!

12 07 Caraparu (76)

Este post faz parte do texto integral das Impressões Amazônicas 86

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2 comentários em “Assombração… A noite sempre assusta”

  1. Ótima noite, aliás, muitas noites maravilhosas para você, amigo que é merecedor. Abraços do Deusarino, um telepata que sabe que não foi o motivo do seu susto;

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