Vida e morte na Aldeia Barreirinha

A partida está animada no campo de terra batida. Os jogadores, mais empolgados do que habilidosos correm muito e os chutões fazem com que a bola viaje para todo lado. Em uma dividida mais dura a bola sobe alto e cai direto sobre uma cruz, derrubando-a. Cuidadosamente o atleta pula alguns montinhos de terra, pega a bola e volta para o jogo. Ao lado do campo está o cemitério da comunidade. A morte é tão presente na vida que espíritos podem aparecer uma noite qualquer. Para que descansem em paz são bem tratados, mas nada de chegar muito perto das coisas do morto. Se o dono da casa morre, a casa é abandonada. Fica lá, de pé, mas é um corpo vazio, sem vida e sem alma. Aos poucos o tempo a derrota. Se vão os telhados como nossa memória, se vão as paredes como nossas lembranças. Enfim, pouco a pouco nada mais sobra. A impermanencia permanece e o morto pode então descansar em paz. A não ser que uma bola caia sobre ele.

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Campinho com arquibancada, cemitério e… vestiário…

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Para olhar mais de perto… As pedras que viram arquibancada, logo adiante do cemitério.

Este post faz parte das Impressões Integrais 80

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