Tem japonês na maloca

Assim não me causa estranheza quando atendo um indígena chamado Atilo Nakamura. Simpático, além da curiosidade de um… digamos assim… desnecessário masculino para Átila, o sobrenome japonês me chamou atenção.
– Meu pai é japonês “nascido no Japão, Doutor”.
Mas Átilo nasceu na comunidade mesmo. O olho puxado não o difere dos demais indígenas e quando pergunto se tem vontade de visitar a terra dos familiares, logo me responde.
– Não quero não. Eu sou é macuxi. E lá tem muito terremoto.

Surpresa mesmo tenho ao atender Siliankof.

Para mim este seria um nome adequado para uma vodka. Mas Siliankof não é nem mesmo russo. Ele também é indígena Macuxi, nascido e criado em Roraima. Fiquei surpreso com o nome, tão diferente e perguntei o significado. Me disse que não sabia. Desconversei, mas depois de um tempinho voltei ao assunto e ele explicou:
– Doutor, eu era Sidinei. Aí, quando era época de ir para a escola meu pai foi tirar meus documentos e quando voltou, eu não me chamava mais Sidinei.

Assim Sidinei virou Siliankof. Fácil assim.

11 02 Santa Maria (159)

Este post faz parte das Impressões Integrais 78

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2 comentários em “Tem japonês na maloca”

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