Radiofonia: o louco sistema de comunicações entre as aldeias

Constantino é Placa. Pedra Branca é São Francisco. Funasa é Truaru. Funasa é Truaru. Placa, é Constantino na escuta. Funasa é Truaru. Constantino, aqui é o enfermeiro de Placa. Queria que fizesse uma ponte com a Funasa para saber da remoção da gestante. Barro é Lago Verde. Fala Barro. Queria a confirmação da vinda do tuchaua na semana que vem. Placa, é Constantino. A Funasa está aguardando a liberação do helicóptero para a remoção da gestante. Água Boa é São Mateus. A Neuza tá por aí? Alguém copia Espera Feliz?

IMG_0694 Meu amigo Rafael, infectologista que agora trabalha comigo na saúde indígena.

Você não entendeu nada, né? Pois é exatamente desta forma confusa que funciona o sistema de comunicação entre as aldeias. Na radiofonia todo mundo fala (ou ao menos tenta) ao mesmo tempo. Não há privacidade ou “linha direta”. O siléncio só é obtido por alguns poucos minutos através dos gritos “Deixa eu modular (falar) com a Funasa! Tem paciente para remoção aqui”.Todo paciente grave que precise ser removido (ocorre principalmente por problemas de parto, fraturas e mordidas de cobra), depende deste sistema de comunicação, que funciona mal a noite e com tempo ruim. Já vi paciente aguardar até três dias para ser removido pois dependendo do tempo, além da dificuldade de transporte, na época de chuvas, nem avião pousa.

Este post faz parte das Impressões Integrais 77

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