Post dolorido e pesado: a desnutrição em terra Yanomami

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Este palco de sonhos, ainda preservado é alvo da cobiça de garimpeiros e políticos inescrupulosos, responsáveis por lançar ao mesmo tempo mercúrio nos rios e mentiras nos noticiários, envenenando peixes e pessoas. Esta região, onde a mata é viva é palco do único genocídio reconhecido pelo governo brasileiro, no final da década de noventa (ver link Haximu) e hoje é palco de um massacre silencioso e ignorado, verdadeiro etnocídio que não interessa ao Brasil mostrar ao mundo e nem mesmo ao Brasil.
Só para explicar: considera-se aceitável em uma população encontrarmos até 3% de crianças menores de cinco anos com peso baixo para idade. São as variedades individuais de tamanho. Desde que corretamente alimentados, não poderíamos encontrar nunca mais do que isso, independente se o pai é um descendente de gigantes noruegueses ou de portugueses baixinhos. Em algumas regiões temos documentados 50% de crianças com baixo peso. Com muito baixo peso, quando o esperado é 0,3% em algumas aldeias encontramos mais de 20%. E por isso morrem como passarinhos quando conseguem chegar ao hospital. São pouco mais do que pele sobre os ossos: um ano, 3kg, dois anos 5 kg, cinco anos 8 a 9 kg. Não são poucos assim. Vivemos aqui no cotidiano o que os miseráveis mais miseráveis que só conhecemos nas imagens-catástrofe de Biafra e da Etiópia. Revivemos o homem-gabiru. Aqui é o homem-chibé* , o homem-fome redivivo, mesmo morando no meio da mata. Mas não interessa contar esta história. É muito triste, as crianças não podem ver, os políticos não querem acreditar e todos fingem ignorar. Quando todos morrerem o problema estará resolvido: a mata estará salva – preservada para o garimpo e a extração de minério. E eu tenho provas documentadas de tudo isso: fotos e trabalhos publicados. Desculpem se incomodei vocês.

* Chibé = Prato típico da culinária amazônica. É uma bebida feita a base de farinha de mandioca e água.

Este post faz parte das Impressões Integrais 75

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2 opiniões sobre “Post dolorido e pesado: a desnutrição em terra Yanomami”

  1. Auaris, conheço os relatos do lugar. Você não precisa pedir desculpas por incomodar. Eles sim, precisam se invergonhar do que fazem com pessoas inocentes e sem defesa alguma.

  2. Este trabalho deve ser reeditado poelo The Economist, pelo Times, por todas as revistas de alcance internacional,para que o mundo todo tome conhecimento da verdade no verde brasileiro, a selva. Tão cobiçada, mas para que dê certo o plano dos gananciosos épreciso que haja o sacrifício de centenas de milhares de indígenas, que também são gente, são pessoas humanas como quaisquer outras. Está na hora de mostrar ao mundo esta ferocidade dos gananciosos de todo o planeta. Não são só os brasileiros que concorrem para esse fim. É toda a terrra. PROVIDÊNCIAS sejam tomadas pelas autoridade s competentes!!!

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