Os tremiliques da vovó

Estou avaliando as crianças quando o Agente se Saúde me chama.
– Doutor, minha mãe está aí fora passando mal, tendo uns “tremeliques”.
Corro para ver o que aconteceu e encontro uma daquelas avozinhas com todos os cabelos brancos que indicam sua quase centenariedade tendo crises de convulsão focal – um provável AVC. O que fazer? Soro para hidratação na veia e oração. Não há mais opções. A pressão está boa e ela logo melhora reclamando apenas de uma leve dor de cabeça.
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Dona Ana veio andando debaixo do sol equatorial de onze horas. Quente? Não. Escaldante. E veio sozinha.
– Mora aonde? – quero saber.
– Ah doutor, logo ali naquela casa.
No final da tarde libero Dona Ana para casa e ela, tão logo se vê livre do soro aperta a mão de todos e se despede. Pega um bastãozinho e sai andando. Vou seguindo com os olhos. Não era “aquela” casa que imaginei. E nem a outra, nem a outra. Ué… Cadê a casa de Dona Ana? É mais de dez minutos de pernada até o pontinho de adobe se tornar um casa de verdade. E ela veio sozinha debaixo do sol. 96 anos.
Quando crescer quero ficar igual a Dona Ana.

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O pontinho branco é Dona Ana “se mandando”.

Este post faz parte das Impressões Integrais 72

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3 comentários em “Os tremiliques da vovó”

  1. Estas figurinhas lindas, tenho conhecido algumas nestas últimas semanas. Após aquela palestra do sr. Gonzaga que tem 88 anos e contei no meu blog, tenho que postar as atividades de sábado passado quando eu participei do Iº seminário de capoeira de Queimados e tinha uma galera com mais de 30 anos de capoeira contando um monte de histórias. Dá prazer em ver estas sabedorias vivas! bjus!

  2. Apesar de já enviado como resposta via e-mail o abaixo, faço questão de compartilhar a minha humilde impressão do Impressões Amazônicas também com os seus leitores.
    “Prezado amigo Altamiro Vilhena, mais uma vez sinto imensamente grato por receber um e-mail seu, e, mais uma vez lamento não estar podendo corresponder com o mínimo que seja de auxílio à sua luta social, à qual, todos nós humanos lhes devemos gentileza e gratidão.
    Espero, o mais breve possível, poder de alguma forma auxiliar com no mínimo uma humilde divulgação de seu trabalho quando retornar à atividade blogueira, o grão de areia que me caberia mover no momento.
    Desejo-lhe cada vez mais sucesso em sua jornada, com Deus lhe concedendo cada vez mais merecimentos e força para continuar tanto tratando os que tanto necessitam, quanto levando à tantos uma realidade as vezes abafada, por uma série de motivos.
    Luz, paz e amor,
    de seu grande adimirador,
    José da Mota Leite Neto

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