Festa de Fim de Ano na Serra do Sol

Vocês podem dizer: “já não se fazem mais índios como antigamente”, mas não é bem assim. Toda cultura é viva, repleta de incorporações e adaptações. Se não fosse assim não teríamos pinheiros de Natal, tomaríamos coca-cola ou escutaríamos rock, não é mesmo?

Assim também acontece com os povos da disputada Terra Indígena Raposa Serra do Sol, do norte de Roraima: Ingaricó, Wapixana e Macuxi. O convívio com os missionários fez deles cristãos católicos ou evangélicos e assim, uma das principais festas comemoradas é o Natal. Um Natal sincrético com cânticos natalinos, missas e cultos, mas também com a dança parichara, cânticos tradicionais e muita comida.

Mas que comida eles tem? Bem, o prato principal é a damurida. Prato para os que não temem o calor das pimentas. Como é isso? Bem, imaginem um caldo de pimentas. De vários tipos. Boiando no meio um pedaço de carne de caça ou peixe. Se é bom? Eu não posso dizer, pois após uma simples provada tomei tanta água que não lembro de mais nada. Mas para os iniciados na arte da pimenta parece ser um prato de primeira, e lá até as crianças se deliciam.

Beiju e Damurida

Depois a macaxeira. Lá vem ela assada, na farinha, no chibé (que é um caldo de farinha) e no beiju. Todos comem e muito. O beiju tem um diferencial. Após preparado ele é colocado para secar no telhado das casas, o que dá um gosto de palha característico. O beiju é comido aos pedaços, muitas vezes molhado no chibé ou na damurida. Outros legumes que acompanham: batata-doce, batata e abóbora cozidas. A farinha, que é amarela e grossa pode acompanhar qualquer um dos pratos ou pode também ser comida as colheradas.

Beiju (tapioca) secando no telhado

A carne é moqueada, ou seja, assada no fogo alto, normalmente dando uma tostada bem acima do padrão aceitável por um gaúcho para o churrasco. Pode ser bovina, frango (que não é muito consumido por aqui), caça ou peixe. Como a região tem muitas serras, não é tão piscosa, mas ainda se encontra caça farta como tatus, pacas, cutias e aves.

Para beber não pense em suco. É difícil indígena beber suco. As bebidas tradicionais normalmente são fermentados de batata, batata-doce ou mandioca com diferentes teores alcólicos, o caxiri. Quando querem algo mais forte fermentam o próprio beiju e fazem o pajuarú, bebida amarga e forte, como uma cerveja primitiva. Toma-se sempre com uma cuia e a etiqueta obriga a virar a cuia toda de uma vez, o que é recomendado apenas para os de coração – e fígado – forte.

Caxiri

Na sobremesa chegam as frutas: banana, melancia, manga, laranja, acerola e abacaxi, tudo plantado lá mesmo.

Está servido?

 

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