O primeiro vôo em Roraima – Vista aérea do lavrado

O vôo é um deslumbre. É uma pena que a janela do avião tire um pouco as cores, e uma tristeza que com mil palavras eu não possa descrever a beleza da região, a mais bonita em que já voei. Tentei mostrar o que vi em cerca de 200 fotos, mas elas não dão idéia da amplitude, da grandeza, do todo. Por isso já dizia o poeta “para ser grande, sê inteiro”.

Levantamos vôo já sobrevoando a boa vista do rio Branco, maior que a cidade que cresce as suas margens. Depois vem o lavrado. Um tapete verde claro, recortado por rios que riscam longas listas com o verde escuro de suas margens repletas de buritizais e preenchido, nesta época, por lagos, lagunas, laguinhos e lagões, que refletem o sol da manhã formando um lindo mosaico esculpido por Deus.

Não há cidades , mas vejo uma casa aqui, outra ali. Uma pequena aldeia, com 4 ou 5 casas. Novamente o nada e mais uma casa. Casa no meio do nada. Me pego pensando em quem mora ali, como se mora ali e como deve ser viver, ou melhor, sobreviver, sem tudo que conhecemos… sem energia, sem celular, sem farmácia, sem sorvete… Apenas a casinha, na beira de uma serra que deve garantir ao mesmo tempo o mercado, a farmácia e o material de construção. Os avós de nossos avós deviam saber ler este “manual da natureza”, que nós nem sonhamos conhecer.

A interferência humana logo chega, desviando rios, traçando estradas. Está lá. As plantações de arroz. Não vou entrar na polêmica do que o General Heleno não conseguiu vislumbrar, mas só lembro que o indígena, fora de sua terra, não é mais ninguém, se torna alguém a margem da sociedade. Um pária engrossando as fileiras dos miseráveis, e que vive em um mundo interno diferente: outra língua, outros costumes, outras tradições, que impedem que seja “somente” um miserável.

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Plantação de arroz no meio da Area Indígena.

Mas o vôo está lindo demais para que as reflexões sejam tão sombrias. O plano logo se desfaz. Pequenas elevações aqui e ali, e ao longe serras, que um pouco além (não cheguei lá) formam o famoso Monte Roraima. Parece o Google Earth, mas é real. De cada serra escorrem rios cor de prata, ora passeando por entre pedras, ora caindo livres, como na imensa Cachoeira do Tamanduá, com desnível e volume de água grande suficiente para no seu futuro estar uma hidrelétrica.

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Esta foto de um planalto em Uiramutã parece ter saído do Google Earth.

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Uma opinião sobre “O primeiro vôo em Roraima – Vista aérea do lavrado”

  1. Altamiro, adoro esse espaço tanto por matar minha saudade dessa terra quanto por conhecê-la um pouco mais por meio de suas lentes e comentários !! Parabéns !!
    Um beijão !

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