Pukararankre… imagens da beira do Xingu

Estou em Pukararankre, visitando a segunda aldeia em uma sequencia de três e estou muito feliz. Esta aldeia tem pouco contato com a população branca, fica a beira do Rio Xingu, e só se chega de barco ou avião. Logo no desembarque somos cercados por criancas que como formiguinhas levam todas nossas coisas, esperando como recompensa “caramera” ou seja, balas ou caramelos.

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A tarde foi tudo que sonhava quando viajei para o norte. Atendia uma família com 6 criancas, todos pintados e enfeitados. Lá fora um arco-íris enfeitava o céu no encontro de céu cinza e luz do sol. Belo cenário para um encontro de duas culturas tão diversas. Palavras não são suficientes para descrever o que senti, mas espero que possam ter certeza de que, mesmo sabendo que estamos sempre com Deus, em certos momentos não temos dúvida de estarmos imersos em Sua Plenitude, imersos em Felicidade.

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Brinquedos das crianças Kaiapó

As crianças tem brinquedos de madeira interessantes, tudo feito pelas mãos hábeis de um pai ou avô. Já vi caminhõezinhos e hoje vi um mátko (avião) de brinquedo. Além dele os meninos vieram com arcos e flechas, empolgados, verdadeiros caçadores. Assim que se aprende. Há pouco tempo li que os Kanamary do Amazonas, que vivem dentro da Terra Indígena do Vale do Javari passam por um grande problema: tem caça farta mas não sabem mais usar arco e flecha. Como não tem dinheiro para comprar cartuchos de espingardas, este é um motivo de dificuldade alimentar, mesmo com tanta fartura ao redor.

O mais engraçado hoje foi um menino com um grande ursão de pelúcia. Era quase do tamanho da criança que sorria feliz. Enquanto ele era pesado e medido, o avô segurava o ursão com um carinho que deixava em dúvidas de quem era realmente o brinquedo.

aaaDe quem é o ursão?

Outras brincadeiras que já encontrei por aqui são a cama de gato, aquele jogo de trançar fios em duplas, com as mãos, que se chama kadjót e a amarelona. Amarelona? Sim, é uma amarelinha com mais quadrados do que usamos, e que, entre as dificuldades estão andar entre os quadrados… de ponta-cabeça! Plantando bananeira!!!

08 02 Kendjan (39) Criança brincando de “kadjot”

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Aldeia Kendjan – Kaiapós na beira do rio Iriri

S 07º 15’ 58,3’’
W 50º 50’ 42,6’’

Mais uma vez voando, desta vez para a Aldeia Kendjan, a mais distante, já no município de Altamira (o maior município do Brasil e do mundo em área geográfica). No caminho, muita chuva e o avião sacode, sacode. Sempre fico admirado com a força da natureza, de uma beleza ímpar em sua força sem igual. Fico sossegado pela calma dos pilotos, afinal, em plena tempestade o piloto fica só controlando o GPS, sem nem segurar o manche. Todos fazem isso quando estamos mais preocupados. Sossego total.

Kendjan está em uma região linda, com uma linda pedra perto da pista. Para quem gosta de montanha, uma tentação para subir lá. Adoraria ter tempo para isso.

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Noite entre mascarados

Segunda noite em Kriny. Realmente não tem botão de desligar nos índios, e esta noite cantaram a noite inteira. Por volta das três da manhã resolveram dançar nas portas das casas, vestidos com uma roupa de palha de buriti. Assim tínhamos o canto, a batida dos pés e a palha sacudindo. Além disso, como estamos em um vale, tem eco o que aumenta a sonoridade… haja canto!! E sem o botão do desliga!!!

Pela manhã vejo as grandes máscaras de palha. que foram usadas na dança e aprendi que haviam dois dançarinos “profissionais”. Não há revezamento, eles dançam e cantam a noite toda.

A primeira reunião na Casa do Guerreiro a gente nunca esquece

Participei de minha primeira reunião na Casa do Guerreiro. A reunião se reveste de formalidade, havendo inclusive um mestre de cerimônias, que apresenta as pessoas e faz as traduções. Ele é o primeiro a falar, depois fala o cacique, as mulheres, alguns líderes e por fim nós. Depois de cada frase o tradutor passa a comunidade o que tentamos dizer, o que sempre é escutado com atenção e olhares de aprovação. Eles parecem realmente felizes com a nossa presença.

O agente de saúde fotografou para mim enquanto eu participava do protocolo. O Bajkare tem uma filmadora e pegou rapidamente o jeito, o que muito me surpreendeu. Com as crianças, o de sempre… elas amam ser fotografadas e fazem tudo para aparecer uma, duas, várias vezes. O mais engraçado são as meninas. Quando eu vou mostrando as fotos delas, elas riem, mas quando as fotos são dos outros ou da aldeia, expressam em coro… “aahhh!!!”, “aahhh!!!”, “aahhh!!!”… é muito engraçado.

Artistas na aldeia

A técnica não muda muito. Fura-se pequenas sementes, prende tudo em um cordão de fibras vegetais e… enfeite pronto. Mas agora a modernidade toma conta, e uma furadeira acionada com o pé com energia vindo de uma placa solar garante a velocidade nos trabalhos na aldeia.

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Bacia de urucum, pronto para a pintura dos rostos e pés.

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Fotos na aldeia Kriny.

Cantoria noturna na aldeia

Logo que escurece… hora de dormir, pois não há luz. O técnico de enfermagem liga um radinho, mas nem precisava. Os índios cantam, cantam, cantam… é bem bonito, mas tem a desvantagem de não ter botão para desligar.

E não desligam. Até bem tarde ouço cantos sem entender o significado. Saio da barraca e espio por uma fresta. Não vejo muita coisa, não há uma festa, mas grupos de pessoas cantando. Vencido pelo cansaço acabo voltando ao sono. Esta noite para piorar fez frio, talvez a noite mais fria que passei no Norte, usei até uma colcha. Ao acordar uma neblina envolve a aldeia e pouco a pouco os índios saem para pegar água no Riozinho, que passa bem ao lado das malocas. As crianças, como sempre peladas, de cueca ou calcinha, encolhidas de frio, mas sempre brincando.