Namorando na aldeia

Dia dos namorados. Isto inspira muita gente a perguntar como é o namoro dos Kaiapó. Com certeza, assim como outros hábitos culturais, este é bem distinto do nosso. As manifestações públicas de afeto são praticamente inexistentes. Raras são as cenas de índios andando de mãos dadas, ficando restritas aos mais jovens, provavelmente por influência televisiva. Beijos eu nunca vi.

O compromisso pode ser firmado na adolescência, oficializando através do casamento, um namoro que já subentende as relações sexuais. Apesar disso não são raros os casos de noivos que fogem na hora do compromisso ou de noivas que nem aparecem, desejando manter o status de solteiros. O noivo normalmente passa a morar na casa da esposa, partilhando da rede e ajudando o sogro nas funções masculinas. Se marido e mulher se desentenderem, principalmente quando jovens, se separam e pronto, não há maiores problemas.

O fato de começar a “ficar” e ir morar na casa do sogro é muito simples, não havendo nenhum inconveniente para isso. Filhos nascidos desta união, embora tenham o pai reconhecido, normalmente são criados pelos avós, sem problema ou constrangimento algum. Avós não são apenas os pais dos pais, mas também os irmãos dos avós, o que nós chamamos de tio-avós

As meninas podem começar a manter relações sexuais desde novas, não havendo uma cerimônia, como as vistas no Xingu, de reclusão feminina. As relações normalmente são com jovens mais velhos, podendo também ser com indivíduos bem mais velhos. Há algumas festas inclusive em que, após o canto e a dança, o namoro é liberado com a seguinte regra: solteiros (normalmente os jovens) “namoram” as casadas e casados “namoram” as solteiras (normalmente as meninas). As relações nestas festas não são encaradas como traição, mas como parte inerente a festividade. Em outros momentos traições, quando descobertas podem acabar em briga ou bate-boca.

Outra coisa interessante é que as relações não são muito demoradas. Dá para imaginar, em uma casa com várias famílias, muitas crianças, não há liberdade para muita coisa. Então é vapt, sem nem ter tempo para o vupt. Dizem que nos tempos do dinheiro as prostitutas adoravam os indígenas, que pagavam bem e nem esquentavam o banco. Já os homens dizem que adoram as “kuben” (não indígenas) porque fazem tudo que as indígenas não fazem. Normalmente as relações são da forma mais tradicional, sem variação ou preliminares, mas diárias e duram até bem depois da menopausa, com intervalos apenas no pós-parto. Existem algumas etnias, não é o caso dos Kaiapó, que dizem que a formação do bebê só se dá com muito sêmen. Então, para o bebê nascer completo e sem problemas, a mulher deve ter muitas relações durante a gestação, quanto mais, melhor!

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