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Speedway Rural, Refrigerante de banana… Isto é Guyana!
As atrações se alternavam e do lado de fora ainda acontecia corrida de speedway rural. Os cavaleiros, muitos deles adolescentes descalços, se empenhavam em vencer a prova, classificatória para a grande final. Como não havia pista claramente definida, haviam dois grandes desafios: ganhar e não atropelar a platéia, espalhada ao redor da pista. O vencedor era celebrado com palmas da torcida, eufórica.
Mais uma vez, antes de viajar, me deparei com os amigos de nariz torcido: “a comida é ruim”, “eles são perigosos”. Muitos nunca haviam ouvido falar do rodeio. Mais uma vez comprovei que é pura balela. Ninguém nos acompanhou, mas nos divertimos bastante gastando pouco e ainda comemos MUITO bem em um restaurante chinês: arroz frito com camarão e frango, tomando refrigerante de banana e coca guyanense (mais doce que a nossa).
1 comment 6 Maio, 2009
Os Bedford da Guyana
Aliás, os caminhões e pick-ups guyanenses são uma atração a parte. São muito velhos, mas bem conservados.
Acho que com meu carrinho modesto, era o único que não tinha potencia e motor 4×4 e me senti até como um dentista ao lembrar de um adesivo que vi muitas vezes em pick-ups no Brasil “quem gosta de motorzinho é dentista”.
Add comment 4 Maio, 2009
Os cavalos de Roraima
Os cavalos me pareceram meio “xinfrins”. Magrelos, agitados, me parecia meio refugo de rodeio americano, até que descobri: são legítimos lavradeiros, os cavalos literalmente “selvagens” das Guyanas e Roraima, capturados exclusivamente para o rodeio. Por isso são bravos, irritadiços, pois não estão habituados ao laço e ao peso de um cavaleiro.
Publico dos dois lados da arena e cavaleiro momentos antes de ir ao chão!
Add comment 26 Abril, 2009
A criatividade brasileira até no exterior e o retrato do Dólar Guyanense
De repente escuto um idioma estranho. Um vendedor vende chapéus: “uan tausan”, “faivi handre”, “bésti réti”. Escuto a ladainha e pergunto: “brazilian?”. “Do Ceará” ele responde. E descubro que, se não temos brasileiros na platéia – preconceituosos do país vizinho com hábitos distintos do nosso – temos brazucas no comércio, afinal, o dinheiro não tem preconceito com quem trabalha. O parque de diversões (se é que se pode chamar assim alguns carrosséis, um pula-pula e uma roda-gigante), a sorveteria, além da “chapelaria” do cearense são alguns dos empreendimentos de nossos patrícios.
A do cearense era uma “mega-loja”. Esta era uma “lojinha” local..
Puxo conversa com o simpático chapeleiro, chamado Carlos, feliz por poder falar um pouco mais de português. “Eu moro em Manaus, mas venho sempre para Boa Vista, e todo ano estou aqui no rodeio. É bom porque vem muita gente e é sempre tranqüilo. Nunca vi uma briga, não tem perigo de assalto. Bem diferente no que acontece nas festas do Brasil”. Pergunto pelo seu inglês. “Aprendi na marra. Quero dizer… não aprendi ainda, mas a gente fala e eles entendem. Mostro nota, faço com dedo”. É a criatividade brasileira falando alto e garantindo umas doletas guyanenses no bolso. Embora a nota seja bonita, cada dólar deles só vale cerca de dez centavos, e nada é muito caro por lá.
Add comment 25 Abril, 2009
Primeiras impressões do Rodeio de Lethem e os Cowboys da Guyana
A música country de Willy Nelson toca nos alto-falantes enquanto passo por um cowboy – perneiras, lenço no pescoço, blusa quadriculada e chapéu de couro. Os cavalos estão em um pequeno cercado, agitados, por vezes brigando entre si, agressivos. A língua falada não é o caipirês de Barretos ou do interior paulista. Escuto inglês, mas não estou na América do Norte. Prestando mais atenção vejo que os cowboys estão descalços e tem traços que mais lembram indígenas do que yankees. A assistência reúne negros vestido como rappers, com cordões – e dentes – de ouro, mulheres com grandes chapéus, alguns branquelos, ao lado do qual me torno moreno (estes na verdade, devido ao sol incessante estão mais para flamingos, de tão rosados), mulheres de véu e homens com longas barbas, alguns vestindo túnicas. Traços, chineses, indianos, indígenas se misturam, se encontram e, por vezes, se fundem. Estou no maior rodeio da Guyana, o Rupununi Rodeo, que ocorre toda Páscoa em Lethem, cidade vizinha de Boa Vista. E embora estejamos somente a uma hora de viagem, não vemos brasileiros.
Cowboy derrotado… consolado pela companheira. Olhem o detalhe dos pés!
Add comment 24 Abril, 2009
Impressões de Lethem com direito a refrigerante de banana…
Lethem é apenas isso para a maior parte dos brasileiros. Compram, não olham nada, não conversam e vão embora correndo, como se estivessem no fim do mundo. Gente, tudo bem que é quase no fim, mas tem muita coisa interessante por lá, como a arquitetura das antigas construções coloniais e a oportunidade de praticar o inglês com um povo com forte sotaque caribenho. Fui em busca de um restaurante típico de comida creole, com alimentos principalmente a base de peixe, mas o único estava fechado na hora do almoço… Me ofereceram um com comida brasileira, mas me recusei, até conseguir achar um que servia Frango ao Curí. Curí? Pois é… se fala assim mesmo por aqui o tradicional e indianíssimo Curry. É que tem muito indiano na Guyana (há um grande contingente de hinduístas por aqui) e portanto se come comida indiana, já devidamente adaptada ao gosto dos trópicos americanos. Para acompanhar refrigerante guyanense: I-Cee, que você pode escolher nos sabores Tangerina, Pêra, Maçã, Banana (sim, refrigerante de banana!!!) e… Big Red (só o nome já é assustador… fiquei com medo de ficar brilhando em vermelho a noite e desisti deste).
Como a cidade era pequena, resolvemos conhecê-la em seu espírito, ou seja, indo ao mercado, para ver como as pessoas vivem. Além das multinacionais de sempre (muitas com produtos importados do Brasil), como Coca-Cola, Nestlé, Pringles e Del Valle, encontrei chocolates de Trinidad, macarrão para yakisoba de produção local, biscoitos chineses, além de um frigorífico onde se via hamburger sadia, frango congelado e peças de carne de caça. Devido a influência inglesa, também havia muitos tipos de chá, geléia, patê e molhos, mas o preço não era tão convidativo e declinei, me contentando com o macarrão para yakisoba, delicioso.
A perspectiva de mais algumas horas na fila da balsa fez com que acelerasse o retorno, não sem antes procurar informações sobre como se chegar a Georgetown, capital guyanesa, e até a reserva onde existem os principais estudos com ariranhas, a nossa maior lontra amazônica. Já vi que em breve vou ter mais história para contar destes vizinhos desconhecidos.
O que mais me surpreende, é que todo brasileiro reclama de Lethem. Quando pedi informações sobre alimentação por lá, ninguém sabia dizer –e todo mundo falava mal. Eu perguntava se haviam comido por lá, mas ninguém havia provado nada e ainda diziam: “mas me disseram que é ruim”, ou então “as comidas são diferentes, eu não gosto”. Como se perde oportunidades de conhecer e de se aprender a gostar do novo, não é mesmo?
Prefeitura. Bem com jeitão colonial britânico.
Partido Progressivo. Vejam como são as caixas d´água lá. Sempre assim. Pretas e cilíndricas.
7 comments 1 Setembro, 2008
Comércio em Lethem
A maioria dos brasileiros atravessa a fronteira apenas para comprar. Lethem é uma cidade que nem parece cidade, embora seja uma das maiores deste pequeno país. Não há um centro ou uma praça central, algo que imaginamos como distintivo de uma cidade. Há construções antigas, nitidamente coloniais, com amplas varandas, se alternando com muitas áreas vazias e algumas casas modernas, mansões pintadas em cores vibrantes. Assim, embora tudo seja na verdade perto, é relativamente, longe. E longe são as lojas umas das outras (não há um centro comercial, um “saara” como temos no Rio, ou uma “Rua do Bate-Palma” como temos em Manaus. Assim, para rodar por lá… só de carro.
Você já deve estar se perguntando o que as lojas vendem: produtos brasileiros (que ninguém vem comprar), camisas Lacoste e tênis Nike. Hoje em dia começam a chegar outros produtos com preços interessantes, como panelas, bicicletas, perfumes e whiskys. As lojas na maior parte são o fundo de casas, embora existam “mega-stores”, mas todas vendendo basicamente os mesmos produtos. Se já quer saber da qualidade, há desde as legitimas (ou bem semelhantes) até as legitimamente falsificadas, imitações baratas e obvias. Vale a visita, pois por 12,00 compra-se uma boa pólo com jacarezinho lacoste. Como eu já não tinha mais roupa branca após dois anos em aldeia, foi bom para voltar a poder parecer médico novamente.
Lethem, paraíso de consumo das blusas LaGoste!
1 comment 30 Agosto, 2008
Primeiras impressões da Guyana…
Desembarco e logo já tenho que falar inglês com cidadãos que parecem ter desembarcado da África hoje, de tão escura é a sua pele. Regularizo o carro e sigo, já dirigindo em mão inglesa. Consegui escapar do mico de dirigir a direita, como fazemos no Brasil, mas foi impossível reprimir um susto e esconder meu espanto ao ver um carro “sem motorista”. Até habituar, tudo isso é muito diferente.
Esta é a visão do desembarque. Comércio e placa em inglês.
Add comment 25 Agosto, 2008
Travessia Perigosa
Após mais de uma hora de espera, inicio a travessia na mais improvável das balsas, onde dez carros se apertam e onde alguns carros nem mesmo podem abrir as portas para os passageiros saírem (imaginem a desgraça em caso de naufrágio…). A balsa é conduzida por um sistema de quatro lanchas com motor 15, uma em cada ponta da embarcação. O conjunto delas e a alternância da que está com o motor ligado é que faz com que ela consiga manobrar, girar e finalmente ganhar velocidade e ultrapassar a correnteza do rio que já se tornou Takutu, nome guyanense. Como meu carro não estava tão preso, consigo sair para fotografar, mas ganho outra preocupação. O carro na minha frente não tem freio, e tem que ficar com o motor ligado toda travessia, além de ser escorado por madeiras para não balançar muito. Sua carga? Água e… bujões de gás. Tem gente que realmente não teme o perigo.
O pessoal tem que caprichar para cada carro ficar bem colado no outro. Vão dez na balsa.
Este é o bruto que foi na frente do meu… sem freio, teve que ficar ligado o tempo todo. Levava água e bujões de gás. Bujões de gás? Sem freio??? E fazemos a travessia correndo perigo e olhando a ponte enorme sobre nós, como dá para ver nas fotos do post anterior…
4 comments 23 Agosto, 2008
É pior do que parece…
Pois é. Muita gente escreveu não acreditando que a ponte está pronta. Segundo o pessoal que vai sempre para lá, já tem quase seis meses que está tudo pronto do lado do Brasil e por cima do rio. A ponte é toda feita pelo Batalhão de Engenharia do Exército Brasileiro. O lado Guyanense, também feito pelo Brasil já está todo pronto, mas na terra. Para ser feito o asfalto, falta a autorização de alguma coisa… De qualquer forma, evitaria toda a lama e a viagem naquele barco assustador…
Vejam como a ponte é legal!
Add comment 21 Agosto, 2008







