O Natal é realmente uma data capaz de comover os homens. Somente hoje três Papai Noel foram visitar o hospital, levando uma alegria sem igual a cada uma das crianças internadas. Para os indígenas então, mesmo que a palavra Natal não tenha um significado, o simples fato de verem seus filhos ganharem presentes os faz muito feliz.
Esta foto foi tirada na Enfermaria Indígena. Embora existam pequenas camas para as crianças, eles tem redes onde preferem dormir e onde pode ficar a mãe e o pai como acompanhantes. As refeições são feitas no chão, como nas aldeias, onde eles preferem sentar. Para comer, nada de talhares, que não tem o hábito de utilizar.
Embora o pequeno curumim não saiba bem o que é aquele estranho homem de vermelho, entende a mensagem de paz e amor. Feliz Natal. Que o verdadeiro sentimento do Cristo esteja em cada um de nós, espalhando a paz e a solidariedade ao mundo.

24 Dezembro, 2008

Esta princesa é filha do professor de Las Casas, e mora na aldeia. Sandália gostosa…
30 Julho, 2008
Eu começo a entender também porque os indiozinhos choram tão pouco. Hoje brincavam dois memures, um de uns três anos e outro com um pouco menos de dois. O menor corria e caiu de cara no chão. Além da mãe ainda havia umas quatro mulheres por perto. Alguém se moveu? Nem um milímetro. Sabiam que não tinha machucado, então pronto, que se virem sozinho. Por outro lado, quando há dor de verdade, são mães carinhosas e protetoras, que deixam claro amar seus filhos.
29 Junho, 2008
Eu achei que fosse deixar este IA por aqui, mas hoje, dia 23 conseguiram acontecer muitas coisas interessantes:
a) fui fotografar uma casa que tem araras, papagaios e um jacamin de estimação e descobri um tatu. Sim, um tatu de estimação. Escapou da panela!
Eu e o tatu. Ou o tatu e eu?
b) estava andando na rua quando encontrei com Papai Noel. As crianças se divertiam. Vejam as fotos:
c) fui na festa de Natal do Projac (Projeto Jacarezinho). Foi uma grande alegria. Como um trabalho voluntário de recreação de crianças consegue oferecer cachorro quente, sorvete, pipoca e brinquedos para mais de 100 crianças na base da boa vontade, do sorriso, da garra e da vontade de melhorar um bairro. O pessoal está de parabéns.
d) o populismo me incomoda. Estava andando na rua quando passa uma pick-up cheia de autoridades (inclusive deligado e muitos políticos), com gorros de papai noel atirando balas nas pessoas das esquinas que se matavam para conseguir umazinha. E isto em uma cidade onde todas as crianças – ao menos teoricamente – ganharam presentinhos de Natal – foram distribuídas 12 mil senhas nas casas – e mais de mil famílias ganharam cestas de Natal.
24 Dezembro, 2005
Já estou há algum tempo sem viajar, então vou contar um pouco do meu dia a dia amazônico.
Na verdade vou confessar que às vezes desanimo. Muitos pacientes, enfermagem mal treinada (e no hospital “abusada”), dificuldades de exames. Parece ruim, não? Ainda mais que várias cidades oferecem um salário menor. Só que existem compensações. O programa municipal de saúde infantil foi desenvolvido por mim, e, ainda que aos trancos e barrancos, estamos conseguindo segui-lo. Atendemos de forma diferenciada as crianças especiais, treinamos os agentes de saúde, implantamos o sistema de vigilância nutricional (sisvan) e criamos o Conselho Tutelar. Esta é talvez a minha maior alegria. Desenvolvi o treinamento dos Conselheiros e os cinco são grandes companheiros de luta. O que não consigo fazer “por bem”, estou conseguindo “por mal”. O diretor do hospital já foi notificado duas vezes, a secretaria de educação uma vez e mesmo alguns agentes de saúde. E assim vamos transformando a atenção a criança em nossa cidade.
Um sinal legal do reconhecimento do trabalho foi a festa do Dia da Criança. Fui dar uma olhada e era muito divertido ouvir as crianças … “olha mãe, o meu médico”. Dava boas risadas e ainda tinha tratamento vip, que me deixou até sem graça. Sem entrar nas filas das crianças, eu ganhava picolés, algodão-doce, refrigerantes. A festa foi um grande “panis et circens” com sorteio de brindes, apresentações de grupos da cidade e tudo de graça para as crianças. Até os Ticuna vieram de suas comunidades. Boca livre todo mundo quer.
Os céus nas últimas semanas tem sido bem generosos e muita chuva tem descido. Eu mesmo enchi meus estoques todos de água, o que me permite uma boa economia. No domingo vinha do almoço na casa de amigos, quando a tempestade me pegou. Estava com o computador na mochila e o jeito foi parar, tirar a camisa, enrolar no computador e correr… muito. Cheguei em casa como um pinto molhado, mas com o laptop seco. Já que quem está na chuva é para se molhar, deixei as coisas em casa e fui tomar um banho: de calha, brigando pelo espaço com um monte de meninos. Foi muito divertido. E legal ver nas fotos como sou diferente do povo local: que brancura!
23 Novembro, 2005