Estas são as fotos que acompanham o IA 27 (ver Impressões Integrais) Infelizmente não são as originais que acompanhariam o texto…perdidas no meu velho laptop):
1 – Vista da “beira” de Benjamin Constant, após reforma.
2 – Produção Artesanal de Açaí – Foto do meu querido amigo Clauber.
3 – Anciã tikuna pre
parando banana prensada. Uma delícia. Foto do amigo Cleber.
4 – Olha o “barquinho” no porto de Tabatinga. Como o rio é sempre navegável, os portugueses e espanhois passavam por aí há mais de 300 anos.
5 – Vista da “beira” de Tabatinga, após reforma.
6 – Posto de Gasolina flutuante em Benjamin Constant.
1 Junho, 2006
Encarei o Beer Dance da Dona Venância, para assistir o Kaliente. Se você nunca ouviu Kaliente, não sabe o que está perdendo. Esta banda de Iquitos, selva Peruana, tem um ritmo envolvente, e clipes sem igual. Sem igual de tão ruins… Eles ganhariam com facilidade os dez primeiros lugares nos “Piores Clipes da MTV”. Modelitos cafonérrimos, bailarinas “baleiarinas”, interpretações de clipes… cafajesticas… Terrível. Ao menos o som é bom, e tocaram das 22h30min as 4h da manhã sem parar. Eu desisti após a terceira vez que eles reiniciavam o repertório. Quem ficou garante que bailou sem parar com os vocalistas, baterista e um ótimo naipe de metais, que lotava o palco e fez com que uma amiga exclamasse assim que chegou no salão: “Nossa, nunca vi tanto homem feio junto em um palco só!!!” Coisas da selva…
1 Junho, 2006
Sinto que está chegando a hora de ir embora de Benjamin Constant, e faço um balanço do que tenho feito. Pelo menos três coisas eu fiz muito mais aqui do que em toda a minha vida: andar de moto, comer peixe e tomar banho gelado.
* As motos foram veículo de tantas caronas e algumas “moto-taxeadas”. A região de Letícia + Tabatinga tem a maior concentração de motos por habitante do planeta. Está no Guiness.
* Os peixes foram alimento pelo menos três vezes por semana. Cozido, caldo, assado, pupeca… Tambaqui, pacu, matrinxã, surubim, bodó… Bom demais, e sem aquele gosto de terra que os peixes de rio tem no sul.
* O banho gelado, que considerava algo inimaginável se tornou um hábito.
1 Junho, 2006
A época das festas juninas começou e agora todo final de semana tem uma festa diferente na cidade. Fui a uma organizada pela Secretaria de Ação Social, incluindo o pessoal da terceira idade, adolescentes em risco e crianças do programa de erradicação do trabalho infantil. Muito legal. É impressionante como aqui os jovens são estimulados a dança e as manifestações artísticas, o que é ao menos um consolo para o número de aulas, que é mínimo. Foram apresentadas diversas danças em três dias e o melhor vou contar para vocês.
Primeiro a dança do gambá. A região recebeu uma pequena quantidade de negros, hoje totalmente assimilada e diluída, mas suas manifestações culturais resistem firmes e fortes. Como não há negros, hoje as danças são interpretadas por “negros artificiais”, compondo um quadro no mínimo bizarro.
Depois a quadrilha “só filé”, composta pelo grupo da Melhor Idade. Como no grupo só tem quase mulheres, elas dançavam com os adolescentes. Tinha velhinha que há muito tempo não via de perto carne tão fresca. Sei não, mas quando tiver a idade delas quero ter a mesma disposição e não ser um “velho sentado”.
Por fim o onipresente boi. Dos ritmos regionais brasileiros, a toada é um dos que mais gosto. Todo mundo canta junto e acompanha o enredo no qual vão desfilando uma série de personagens como a Rainha do Folclore, o Amo do Boi, a Porta-Estandarte e diversas tribos, que são como blocos de uma escola de samba. O maior destaque, o Boi, dança apaixonado pela Sinhazinha da Fazenda, que lhe dá grama para comer e lhe faz carinho. Quem dá vida ao Boi é um dançarino conhecido tecnicamente como “tripa”. Depois do Boi entra a Cunhã Poranga, que na tradução literal quer dizer “menina bonita”, e que é enfeitiçada e salva no momento mais esperado pelo Pajé. O Pajé desta apresentação era mirim, mas foi fantástica a sua atuação. Imaginem Parintins!!!
1 Junho, 2006
Algo que continua muito difícil por aqui são os livros. A biblioteca municipal está para ser inaugurada desde que cheguei, não há bancas de revista e descobri, finalmente uma livraria. Me falaram que era junto a uma perfumaria… procurei, procurei e nada… até que achei uma portinha escondida… Livros? Muitos… mas somente das coleções Sabrina e afins… somente romance feminino… Ai, ai… melhorou mas não muito.
23 Março, 2006
Pois meus amigos sabem como o Carnaval para mim é um feriado sagrado. Época de estar longe de tudo que cheira carnaval, parece carnaval, soa carnaval e lembra Carnaval. O que quero é o teto da barraca e a luz das estrelas, um bom banho de rio e, de preferência uma boa montanha para avistar, ao lado dos amigos (família incluída) é claro. Aqui já vi que o pessoal é empolgado. Como não tem muito “para onde ir”, o pessoal se diverte. No sábado já teve o primeiro “grito de carnaval”. Enquanto eu invejava a Elga assistindo Rolling Stones eu assisti por minutos eternos o Sensasamba ou algo parecido. E neste tempo, após os convites do “Os Dálmatas”, já fui convidado para o “Bloco do Soro” (da Saúde), o “Bloco da Cohabam” (bairro), o “Bloco da UFAM”, o “Bloco do Projac”… Caramba! Tenho que fugir daqui a qualquer preço!!!!!!!!
6 Março, 2006
1 – Goiabas: tudo bem, tudo bem, vocês já viram goiabas. Talvez maiores, talvez melhores. Mas com certeza nunca vi TANTOS pés lotados de goiabas. Tinha tanto, tanto, que nos pés elas ficavam gordas, doces e SEM UM BICHO. Algo que eu considerava realmente digno de magia.
2 – Bichinhos esquisitos: aranha multicolorida nas minhas costas (depois do grilo punk e da borboleta fashion) e um “sei lá o que” rubro-negro.
3 – Vida na Beira – os caras estão lavando mandiocas que estão afundadas no barco.
4 – Diferença de nível no rio: a foto mais recente e as que mandei no IA 18. Lembro que do outro lado do rio temos o Peru. Aquela casa vermelha é uma loja de gasolina. Por isso que digo que no tempo seco aqui é um perigo. Se tropeçar cai de cara no Peru!
14 Fevereiro, 2006
Curiosidades que tem me perguntado. Aqui temos cinco mercados. Somente um não fecha no almoço e vai até depois das sete funcionando. Todos juntos cabem com sobra dentro de um carrefour pequeno. Macarrão e arroz prontos tipo da maggi ou da knorr… impossível encontrar. Algo mais sofisticado? Impossível. Em compensação graças a segunda linha, temos uma variedade enorme de biscoitos recheados (alguns muito bons), cereais para mamadeira, macarrões e refrigerantes (vai aí um Planet Cola?). Produtos de higiene até são variados e equivalentes aos que temos por aí, a mesma coisa vale para os de limpeza, embora com preço um pouco mais caro. Queijo? Só em um mercado, nos outros só coalho (que é bom para assar). Sorvete de marca? Só em um, e ainda assim em marca manauara. Refrigerante light ou diet? Nunca. Os mercados também vendem CD… mas somente de boi, brega e CA-LI-PSO… o que mais se houve por aqui. Nada do bom e velho Rock… Aliás, falando em Rock, descobri um bar que toca rock… outro dia passando na frente rolava um DVD do Camisa de Vênus. São nestes momentos que vejo que há lucidez por aqui… : )
14 Fevereiro, 2006
Por fim… Aos adeptos do açaí. Estamos entrando na época. Já existem várias banquinhas oferecendo o litro por um preço que está ainda em 2,00. Em breve a oferta aumenta e ele cai para 1,00 como era quando cheguei por aqui. Outra coisa legal é que além do tradicional existe uma variedade com açaí verde. Tomei outro dia e o gosto muda muito pouco, mas tem menos “areia”. Só para lembrar aos interessados, além do açaí e do buriti também temos o patuá e a bacaba, sendo que este último ainda não provei. Outro coquinho entrando na estação agora é a pupunha, e os frutos vermelhinhos já começam a surgir. Problemas de vitamina A com certeza não tem como alguém ter por aqui.
14 Fevereiro, 2006