Posts TaggedAlimentação Regional
Mais impressões da Damurida
A damurida, como já falei antes é um prato vulcânico. A receita está lá no blog (http://impressoesamazonicas.wordpress.com/2008/09/14/receita-de-damorida/), e é feito com pimenta, carne ou peixe, mais pimenta, alguns temperos, mais pimenta e goma de tapioca. Para finalizar uma pitadinha a mais de pimenta que é para apurar bem o gosto.
A do saquinho é a pimenta jiquitaia. A outra é malagueta mesmo. As duas são tão quentes quanto é o vermelho… e entram na receita vulcânica da damurida.
1 comment 12 Dezembro, 2008
Impressões do que provei… Kubemi
Os Kaiapó chamam de Kubemi. A cor mostra que tem muita vitamina A. A “cara” não engana: é prima da graviola, da atemóia (tirimóia) e da fruta do conde, também conhecida como pinha ou fruta do conde.
E o gosto? Doce, mas como é muito fibroso, dá preguiça de comer. A polpa é bem agarrada, assim é um exercício entre o chupar e encher o dente de fiapos… Será que é sempre assim? Dá uma preguiça de comer… risos..
Com vocês o Kubemi.
Por fora lembra mesmo uma pinha.
A casca é mais agarrada, e mostra um fruto de coloração alaranjada, bonito.
Olha a semente na mão. Triangular, bem como a da pinha, mas com as sementes mais grudadas a polpa.
Close no Kubemi, fruto Kaiapó.
3 comments 12 Outubro, 2008
Receita de Damorida – Prato típico de Roraima
Para o pessoal que ficou curioso, segue a receita da Damorida, prato citado na letra do forró dos índios Macuxi, citados no último post:
Ingredientes:
peixe ou carne assada na brasa
folha de pimenta malagueta
pimenta jiquitaia (pimenta ardosa)
goma de tapioca
sal a gosto
Preparo:
Cozinhar o peixe/carne previamente assado com as folhas da pimenta malagueta, a pimenta jiquitaia em abundância e o sal.
Engrossar o caldo com um pouco de goma de tapioca.
Cozinhar até a carne ficar bem mole.
Este prato pode ser servido com pirão de farinha de tapioca e/ou arroz branco.
O grande segredo, segundo pude descobrir com os “entendidos” é realmente a pimenta, que dá o gosto e é fundamental para o prato bem feito.
5 comments 14 Setembro, 2008
Impressões de Lethem com direito a refrigerante de banana…
Lethem é apenas isso para a maior parte dos brasileiros. Compram, não olham nada, não conversam e vão embora correndo, como se estivessem no fim do mundo. Gente, tudo bem que é quase no fim, mas tem muita coisa interessante por lá, como a arquitetura das antigas construções coloniais e a oportunidade de praticar o inglês com um povo com forte sotaque caribenho. Fui em busca de um restaurante típico de comida creole, com alimentos principalmente a base de peixe, mas o único estava fechado na hora do almoço… Me ofereceram um com comida brasileira, mas me recusei, até conseguir achar um que servia Frango ao Curí. Curí? Pois é… se fala assim mesmo por aqui o tradicional e indianíssimo Curry. É que tem muito indiano na Guyana (há um grande contingente de hinduístas por aqui) e portanto se come comida indiana, já devidamente adaptada ao gosto dos trópicos americanos. Para acompanhar refrigerante guyanense: I-Cee, que você pode escolher nos sabores Tangerina, Pêra, Maçã, Banana (sim, refrigerante de banana!!!) e… Big Red (só o nome já é assustador… fiquei com medo de ficar brilhando em vermelho a noite e desisti deste).
Como a cidade era pequena, resolvemos conhecê-la em seu espírito, ou seja, indo ao mercado, para ver como as pessoas vivem. Além das multinacionais de sempre (muitas com produtos importados do Brasil), como Coca-Cola, Nestlé, Pringles e Del Valle, encontrei chocolates de Trinidad, macarrão para yakisoba de produção local, biscoitos chineses, além de um frigorífico onde se via hamburger sadia, frango congelado e peças de carne de caça. Devido a influência inglesa, também havia muitos tipos de chá, geléia, patê e molhos, mas o preço não era tão convidativo e declinei, me contentando com o macarrão para yakisoba, delicioso.
A perspectiva de mais algumas horas na fila da balsa fez com que acelerasse o retorno, não sem antes procurar informações sobre como se chegar a Georgetown, capital guyanesa, e até a reserva onde existem os principais estudos com ariranhas, a nossa maior lontra amazônica. Já vi que em breve vou ter mais história para contar destes vizinhos desconhecidos.
O que mais me surpreende, é que todo brasileiro reclama de Lethem. Quando pedi informações sobre alimentação por lá, ninguém sabia dizer –e todo mundo falava mal. Eu perguntava se haviam comido por lá, mas ninguém havia provado nada e ainda diziam: “mas me disseram que é ruim”, ou então “as comidas são diferentes, eu não gosto”. Como se perde oportunidades de conhecer e de se aprender a gostar do novo, não é mesmo?
Prefeitura. Bem com jeitão colonial britânico.
Partido Progressivo. Vejam como são as caixas d´água lá. Sempre assim. Pretas e cilíndricas.
7 comments 1 Setembro, 2008
Macarrão de Palmito? Comida peruana
Recebi um post da Eloise que visitou o IA e pediu fotos das comidas peruanas (Impressões de Iquitos 16). Atendo o pedido:
A comida chaufa do post é na verdade a comida chinesa adaptada para a região. Aqui vemos na verdade, fotos da comida tracional: Bife com mandioca e abacate (“palta” – que se come salgado em mutios países de língua espanhola).
Variedade de molhos. A cor indica o grau de ardência. O vermelho pega fogo…
Um close mais destacado do talharim de “chompa”, que é um macarrão de palmito. Na verdade nada mais é do que o palmito cortado em tiras finas e que fica, portanto, com o formato de talharim.
Add comment 19 Agosto, 2008
… Maltin, refrigerante de malte
Se você achava que a única coisa que se fazia com malte era uísque e cerveja, você se engana. O malte está na base da farinha Láctea, no Ovomaltine e… no Maltín. O produto, desconhecido no Brasil sem álcool, é uma espécie de refrigerante de ovomaltine, espumante como cerveja preta e com um gosto indefinido entre uma cerveja muito doce e um refrigerante meio amargo. Como é isso? Tem que provar para saber. Eu comprei logo uma caixa, para poder provar bem e poder descrever para vocês. Esperem um pouco… hum… a primeira sensação que vem a boca é o doce do ovomaltine, mas… deixando-se na boca até a espuma se dissolver você sente um sabor levemente amargo. Está servido? É gostoso e diferente.
Espumante… Parece cerveja preta… mas não é!
Impressões Amazônicas também é cultura: O que é o Malte?
Malte: é a cevada que passou por um processo de germinação controlada, chamada de malteação, que tem por finalidade ativar as enzimas presentes no grão que irão atuar sobre o amido, transformando-o.
6 comments 16 Agosto, 2008
Na terra da Paçoca com Banana
A alimentação em Boa Vista é bem próxima a do Amazonas, com muitos frutos. Tem desde os populares mamão, banana, laranja e maçã aos regionais, como o açaí, buriti (tomei um picolé delicioso) e a pitomba.
Olha a pitomba aí!! Azedinha…
Come-se também muito peixe, carneiro, macaxeira e farofa com banana. Farofa aqui é chamado de paçoca e é a mistura de carne de sol desfiada com farinha, semelhante a encontrada em outras regiões, largamente consumida junto com banana. E já vi gente comendo isso até na rua: a mão esquerda segura o pote de paçoca e a mão direita maneja a colher e segura a banana… Uma mordida na banana, uma colherada de paçoca.
3 comments 18 Julho, 2008
Quati, viagra animal!
Alimentação. Comer,comer… como isso é influenciado pela cultura, não é mesmo? Minha amiga Maria Lucia recentemente escreveu um texto delicioso sobre as deliciosas tanajuras comidas no nordeste (http://www.slowfoodbrasil.com/content/category/5/31/95/ ), e que lembro de caçar na praia com meu irmão para mamãe preparar farofa. Os Kaiapó, ao menos modernamente, não comem nada assim “diferente”, mas tem muitas restrições e crenças. Por exemplo: preguiça não pode ser comida de jeito nenhum, senão… quem come fica preguiçoso. Crianças pequenas de colo não podem comer macaco… ou vão querer ficar agarradas com as mães o tempo todo. Depois que crescem um pouco macaco já faz bem, especialmente macaco-prego. A parte mais importante é o cérebro, que a criança deve comer para ficar ágil. Tamanduá mirim é bom para cair da árvore e não se machucar.
Já os pais jovens precisam comer bastante tripa. Não descobri o porque. E quati faz bem para a potência, é o viagra local. Inclusive o homem que já não está lá estas coisas pode passar o myr do quati no seu próprio myr. Acho que nem preciso explicar o que é myr, né? Ah! Para sua segurança, se for tentar a técnica, lembre que o bichinho não pode estar vivo…
Fiquem na paz,
Protejam os quatis,
Add comment 15 Junho, 2008
Preparativos para Festa em Kriny
Kriny – Abril
08 S 07º 24’ 94,0’’
W 50º 55’ 19,0’’
Cheguei na aldeia e logo percebi algo diferente. Não haviam homens – cacique, pajé, agentes de saúde, lideranças. Todos, com exceção de uns 3 ou 4, estavam na cidade, pegando palha de buriti. Para cobrir as casas? Não, para a confecção de máscaras Kôkô (assim mesmo, com dois acentos). Elas, como todo objeto de palha trançada (cestos, tipóias de carregar bebês – aim, adornos, etc.) são elaboradas pelos homens. Im dos indígenas me levou para ver as máscaras Pàte, um dos tipos de máscara (Pàte é o tamanduá, as outras são Kukwoi – macaco prego e Kybut – guariba). Estas máscaras são especiais, sempre em número inferior as demais e elaboradas na mata por guerreiros que passam dias preparando-as.
Até o dia da festa são guardadas, e para não estragarem pela umidade ou mofo são regularmente retiradas para o sol para secaram.
O responsável por todos preparativos, que convoca os outros homens para o trabalho, se responsabiliza pela comida. Este é o anfitrião, conhecido por “dono da festa”. Desta vez são três, e suas famílias já reúnem a frente de suas casas pilhas de madeira e montes de pedras que são usadas para assar os alimentos. Mandioca, batatas e batatas-doce são armazenadas. Ao regressarem, após as máscaras ficarem prontas, os homens sairão para caçar e pescar. Enquanto isso as mulheres vão preparar os últimos adornos de miçanga e por fim, finalmente a festa, momento grandioso que pode durar dias ou semanas, de acordo com os preparativos e posses do “dono da festa”.
Esta vai ser uma festa grande, e já chegaram convidados de três outras aldeias: Kranh-Apari, Aukre e Gorotire. Todos se envolvem, não havendo privilégios ou regalias por serem “de fora”, afinal, são todos parentes. Assim os homens estão “na palha” e as mulheres na roça. A roça produz bem em Kriny. Por todo lado vemos ramas de abóbora e yàt, a batata doce. São vários tipos de tubérculos que eles plantam, além da mandioca, inhame, cará e batata. Ao contrário do que se pensa, a mandioca não era o alimento indígena universal. Para os Kayapó ela foi uma novidade surgida com os brancos. O alimento central de sua cultura era a batata doce. Hoje, em compensação, o seu prato tradicional é o berarubu, feito de mandioca ou milho ou banana verde. É feito de massa de mandioca assada na brasa e na pedra, podendo ser recheado de peixe ou carne. Ao nosso paladar é diferente, pois falta tempero, não levando nem mesmo sal.
Add comment 3 Abril, 2008
Sorvete é na Jesus de Nazaré
Outro destaque da cidade é ir a Jesus de Nazaré. Não, não é nome de padaria como parece a primeira vista, mas sim de uma sorveteria deliciosa, que para mim deixa para trás as famosas Glacial (Manaus) e Cairú (Belém) com seus sorvetes de castanha do pará com doce de cupuaçu, tapioquinha, mangaba, bacuri (minha escolha de sempre), taperebá, açaí e o gengibre… apenas para os que tem a garganta forte!
Por fim a curiosidade que todo mundo quer saber quando se fala no Amapá: o que o Sarney faz por aqui? Perguntei a algumas pessoas e todos foram unânimes. Ainda que ele não more por aqui o tempo todo – mas sempre tenha tido a sua casa na região – tem feito muito pelo estado, utilizando seus contatos para obter melhorias para o Amapá. Esta mesma surpresa foi a que tive quando visitei São Luiz e descobri que ele é uma unanimidade entre os maranhenses. Terei que morder a língua quando vir o nome do senador associado a um estado que, sabidamente não é o seu.
Add comment 9 Março, 2008







