Bem, mas vamos voltar para o Pará, começando por Tocantins. Chega-se aqui por Palmas. A cidade é ampla, prevista para um futuro que ainda não chegou, com avenidas largas e prédios grandes como em Brasília. Fiquei por pouco tempo e encarei a van – 5 horas – até Conceição do Araguaia. Era até confortável, e pude ir com folga, ar condicionado e música de fundo apreciando a paisagem. Pausa para a música de fundo. Paraense gosta de três tipos de música: calipso, brega e forró traduzido. Este nome sou eu que dou. Forró traduzido é aquele no qual grandes hits nacionais e internacionais viram forró nas mãos de bandas como Calcinha Preta (acreditem ou não, mas já assisti um show deles!) ou Painel de Controle. Na van eu ouvia Madonna, Creedence e até mesmo Stevie Wonder traduzido para o legítimo forró-brega.
Na estrada cores mil dão vida ao cerrado: ipês e flores de todas as cores se misturam ao verde dos pastos e ao branco do gado (aliás… fillet mignon aqui custa 6,50 o kilo). No caminho balsa pelo rio Tocantins e depois atravessamos o Rio Araguaia, que esta época já está cheio de praias, o maior “must” do verão deles. Nestas horas que fico pensando que realmente ninguém precisa de Caminho de Santiago de Compostela. O que precisamos é oportunidade de viajar, pelo Brasilzão mesmo. Quer ter o “seu” Compostela particular? Encare um mês viajando de ônibus sozinho ou com um(a) companheiro(a)… além de conhecer lugares lindos ainda vai poder filosofar, pensar na vida e descobrir que há muito mais entre o céu e a terra do que pode compreender nossa vã filosofia.
11 Agosto, 2006