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Impressões do que li… Laowai – Histórias de uma Repórter Brasileira na China

Que a China é um outro mundo, todo mundo já sabe.Quem não teve curiosidade de viajar para o outro lado do mundo e conhecer este país continente onde diferentes culturas convivem e onde os hábitos são completamente diferentes do que estamos habituados?

A repórter da Globo Sônia Bridi e seu marido Paulo Zero estiveram por lá, mas não para uma visita. Foi uma imersão de quase dois anos quando tiveram que conviver com o povo chinês tanto em seus aspectos mais conhecidos – superpopulação, visita aos monumentos históricos, provar comidas exóticas, restrições de imprensa até os que ignoramos.

Alugar um apartamento? Obter uma escola para o filho? Fazer prova para motorista? Consulta ginecológica? O que aparentemente é simples, é completamente diferente do “lado de lá”.
E o que falar de um mercado de grilos com mais de um quarteirão de tamanho?

De quebra Sônia ainda conta sua visita a outros lugares, como a Coréia e a Índia, onde esteve pessoalmente – privilégio – com sua santidade, o Dalai Lama.

Tudo isso é contado com muito bom humor e com uma escrita dinâmica que nos faz viajar com a família e aumenta a vontade de conhecer o país amarelo. Não é a toa que o livro já está na sexta edição, pela Editora Letras Brasileiras

Alguns trechos que mais gostei:

* Quando Sônia foi registrar a Rede Globo por lá:

“ Recebemos um formulário de uma oficial uniformizada, que começamos a preencher diante dela. Quando termino e entrego o formulário, a funcionária empurra o papel de volta, rudemente.
- Isso é documento oficial e documento oficial tem de ser preenchido com caneta preta, não azul – diz ela”.

E a gente reclama da burocracia do Brasil… Aqui a gente ainda pode reclamar do funcionário… e lá que não pode…

* Fazendo prova de auto-escola. São 737 questões a serem estudadas, sendo que na prova caem 100 e o turista só é aprovado se tirar média acima de 90.

“Começamos a responder e não consigo conter um ataque de riso: o cuspe, caiu a questão do cuspe!!
Estava no capítulo dedicado a questões de civilidade do manual, so o número 10.25:

‘O que o motorista deve fazer se tiver necessidade de cuspir enquanto dirige?
a) Cuspir pela janela
b) Cuspir em um pedaço de paçel e depois jogar no lixo
c) Cuspir no chão do carro

Ganha um caramelo soprado quem respondeu “b”. E não, não há a alternativa de não cuspir. As cusparadas, sempre estrondosas, daquelas que brotam do fundo da alma, são a trilha sonora das cidades chinesas. Nunca olhe para o lado de onde vem o som, se não quiser ver a ostra sendo expelida para o chão. Nunca olhe para o chão onde pisa, para não passar mal, de tanto catarro no passeio”.

* Culinária… não tem como fugir…

“Nas andanças pela China, só fujo de um prato: o tofu fedido, o queijo de soja maturado que os chineses comparam com o Roquefort…
… Depois de 30 dias saboreando pratos maravilhosos, eu já rodava o centro da mesa e provava tudo o que aparecia sem nem pergundar do que se tratava. Mas, ao pôr um pedaço do tofu na boca, foi como se mordesse um picolé feito com água do Tietê – só que pior. Não sabia se engolia ou se vomitava. Sem querer fazer fiasco, me controlei. Peguei um guardanapo e cuspi discretamente, depois bebi muito suco de melancia para tentar tirar o gosto. Uma lágrima escorria do meu olho e, quando passei a mão para secar, vi o Paulo furioso:
- Por que você não me avisou? perguntou ele, com o canto dos lábios.
- Eu estava em choque – respondi”.

* E com os mortos, tudo diferente…

“- Vocês ouviram os fogos de madrugada? pergunto a Sheryl e Paulo. – É uma festa, um feriado ou algo assim?
Sheryl faz aquela expressão de repulsa, tipo “nem fale nisso” e explica a algazarra da madrugada:
- É funeral. Aqui nessa região eles enterram as pessoas antes do amanhecer, porque os mortos pertencem a escuridão.
- Mas precisam acordar o resto da cidade com aquela barulheira?
- Sim, os fogos são para espantar os fantasmas que vêm buscar o morto. Espantam os espíritos para evitar que eles levem um vivo por engano.

Claro, como não imaginei antes?… Na estrada, indo para uma vila de agricultores, vemos um grupo passando em procissão, banda de música tocando, alguns portando estandartes. A maioria veste branco.
- É festa? – quero saber – O que comemoram?
Agora acho que Sheryl vai me repreender, como se faz com as crianças que perguntam asneiras.
- Sônia, é a família do morto, voltando do enterro!
- Mas eles estão de branco, tocando música… – tento me justificar, como uma criança que nunca sabe a resposta certa a dar.
- Só vocês laowais é que usam preto de luto. Na China usamos branco. E se não tivermos música no funeral, como poderemos honrar o morto?

Terminada a segunda lição de como enterrar um chinês”.

Esta forma de lidar com a morte me lembra os Kaiapó, que cantam e dançam, ao mesmo tempo que se lamentam e choram pelos mortos.

 

laowai

Site: http://www.letrasbrasileiras.com.br/index.php/catalogo/livro/52

2 comments 1 Setembro, 2009

Novidades no Blog!!!

Novidades no Blog.

Olá pessoal, além de mudanças na foto do título do blog, agora temos duas novas seções: Dicas, onde você pode enviar dicas de onde passou, e onde também estarei enviando dicas e Impressões dos Amigos, com histórias enviadas pelos amigos. Iniciamos com as Notas Pantaneiras, do meu querido amigo Luiz, que hoje já não está entre nós. Em breve a descrição de um casamento italiano, enviados pela querida Nísia e das curiosidades da Austrália , que estão sendo escritas pelo Cícero, escritor e arquiteto talentoso.

Aproveitem!

Abração, Altamiro

Add comment 20 Janeiro, 2009

Novos Nomes Diferentes

Alguns nomes coletados entre os indígenas Munduruku de Itaituba, quando estive por lá há um ano, dando um curso de Sisvan Indígena: Recileude e Recicleide (estas são irmãs), Misenildo, Marciverino, Creucineide, Angenira, Lucicleudo, Alnigeuza, Ilciraia, Ediomacki, Deucivania, Valdilelson, Sergivalson, Valdomilton, Valrieldo, Ledioneta, Valcicrene.
Podem escolher os seus.

2 comments 5 Dezembro, 2008

Primeiras Impressões Boavistenses…

A capital é bem planejada, daquelas que a gente aprende a andar rapidamente. É uma cidade de oportunidades, em crescimento e com futuro previsível, diferente de Palmas, já pronta para um futuro que não sei se vai chegar algum dia. Boa Vista já parece acabada: ruas arborizadas, com a presença constante da natureza (papagaios passaram voando outro dia no bairro onde moro) se alternam com prédios e grandes construções. Comércio no centro, sossego nos bairros, ruas asfaltadas, presença de órgãos federais, estaduais e municipais em um só lugar.

Apesar disso, o deslocamento não é fácil sem carro, especialmente para quem vem da periferia. Não há praticamente ônibus, a opção são as lotações, que na verdade são táxis que circulam do centro para os bairros. A regra é simples: de bairro para centro (nada de van) ou de centro para bairro, 2 reais. Se vai de um bairro para o outro, passando pelo centro, 4 reais. Melhor do que os 3 reais do mototaxi de Redenção, que rodava bem menos e ainda era perigoso.

O transito é bom, por avenidas largas e ruas com poucos carros. No final de cada cruzamento há as “bolas”. Este é o nome pelo qual se conhecem aqui e em Manaus as rotatórias, rotundas ou rótulas, conhecidas em Palmas pelo simpático nome de “queijinho”.

 

IMG_4971 IMG_4972

Não me perguntem que não sei explicar… mas na minha rua tem este Concorde estacionado no teto de uma casa. E uma casa bem diferente… está lá… o concorde, as placas, o portão…

2 comments 18 Julho, 2008

Boa Vista do Rio Branco

Assim se chamava a cidade, até que, para não ser confundida com a capital acreana, se despediu do Rio Branco, mantendo porém a Boa Vista. E, se não dá para entender como um rio castanho pode ser alcunhado branco, dá para entender a Boa Vista. Esta foi talvez a melhor recepção que tive, já no segundo dia em terras Roraimenses: o nascer da lua, por trás do Rio Branco. Enorme, cheia, linda, fazendo juz a Boa Vista do nome. Minha vista ficou cheia da beleza branca da lua sobre as águas escuras do Branco.

Roraima é o estado menos povoado do Brasil, tão desconhecido que nem saber pronunciar o nome certo os outros sabem. Fala-se Roráima, com o “a” agudo, e não como falamos no Sul, nome que significa “montanha azul esverdeada”. Esta montanha enorme, uma das formações geológicas mais antigas do planeta, é considerada a morada do deus Makunaima, pronunciado diferente por aqui, como se houvesse um acento agudo no segundo “a”, e não como sempre havia escutado, com destaque no “i”.

1 comment 17 Julho, 2008


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