Posts filed under 'Rio de Janeiro'

Vista de Niterói

Os cariocas reclamam que a melhor vista de Niterói é o Rio de Janeiro. Não deixa de ser verdade, mas este é um privilégio que só nós temos, nem mesmo eles tem.

Vejam o cenário da janela da vovó!! Cresci olhando para o Pão de Açucar e jogando bola as margens da Baía de Guanabara!

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Add comment 31 Maio, 2009

Escadaria Selarón, e a força de um único homem

O Rio de Janeiro continua lindo. E como toda metrópole, tem alguns segredos guardados, muitas vezes mais conhecidos pelos turistas do que pelos próprios brasileiros. Um destes segredos está ali, entre a Lapa e Santa Tereza, região do centro, famosa pelo antigo Aqueduto da Carioca, inaugurado em 1750, hoje conhecido como Arcos da Lapa, que é percorrido por um bondinho, também ele reminiscência de tempos em que se amarrava cachorro com lingüiça.

DSC06541 Olha os Arcos aí, gente!!!

Pois ali, encravado em uma área onde é tão fácil encontrar turistas quanto no aeroporto, se esconde a Escadaria Selarón. Tudo bem se você nunca ouviu falar dela, e nem sabe o que é esse tal de Selarón. Na verdade, Selarón é o nome de um chileno daqueles “malucos-beleza”. Artista plástico que rodava o mundo, se encantou com a boêmia da Lapa, e aqui ficou. Como não tinha muito o que fazer, mas a criatividade estava mil, começou a transformar banheiras em jardineiras, ao redor de uma escadaria que leva ao convento de Santa Teresa. Bonitinho, mas não deu ibope. Aí ele começou a revestir os 215 degraus da escada com azulejos. Sim, 215 degraus!

DSC06552 Kim na escadaria

Como o lugar é point de descolados, bacaninhas e diferentes de todo o mundo, Selarón fez fama e virou ponto turístico. Muitos dos azulejos foram feitos por ele, com técnica de cerâmica, mas outros vieram de todos os lugares do globo. Encontrei azulejos portugueses, americanos, gregos, italianos, japoneses, russos, australianos e até seilaoques (uma língua esquisita, não entendi nada…) .

DSC06560 Selaron, de chapéu e bermuda vermelha, dando entrevistas.

A escadaria tem duas áreas bem definidas. A central é predominantemente verde-amarela, uma homenagem a pátria adotiva. As laterais são vermelhas, mesma cor das bermudas, sandálias e bicicleta que o artista bigodudo sempre usa. Coisa de artista.

DSC06561  Banheiras-floreiras cobertos de azulejos.

É bonito lá, mas o mais incrível é imaginar o poder de transformação que um único homem é capaz de ter. É lógico que nós também temos este poder, ainda que não nos demos conta. Um único homem, com paciência, boa vontade, trabalho e uma idéia simples, se transformou, não só em uma atração turística em um lugar cheio de atrações como o Rio, como em uma referência mundial. E nós, será que não conseguimos fazer o mesmo? Nos transformarmos em uma referência ao menos para quem está próximo de nós? Pausa para a reflexão.

Add comment 2 Dezembro, 2008

Bloco de piranhas no Ano Novo

Niterói tem outras coisas interessantes e únicas. Uma eu já comentei em um Impressões antiga: o Bloco das Piranhas em 31 de dezembro, e não no carnaval. Este ano bateu recorde de público, parando a praia por várias horas e muitíssimo organizado – segundo alguns “bofes” que me contaram. Só me contaram, porque eu não fui… risos… Haviam grupos vestidos de mulher maravilha, outras(os?) de noiva, de Minie, de camisola, de fada, mas o grande sucesso foi sem dúvida as do Bofe de Elite. Tanto entusiasmo de homem em se vestir de mulher nunca me cheira bem.
IA325 Fotografado da janela de casa… os bofes na rua.
E também não cheira bem o Bloco de Papai Noel, no dia 24 de dezembro. Além de transformarem a festa cristã em grande comércio, em Niterói existe uma tradição de se encontrarem exatamente em baixo do prédio da minha avó (este ano foi na quadra ao lado, graças ao Bom Velhinho e a Tropa de Elite que baixou por lá, com muitos soldados, ainda que não tantos quanto os (as) que estavam no Bloco das Piranhas) para ouvir funk em alto volume, beber muito, brigar, beber mais, beber um pouco mais e beber muito mais. Ninguém dança, ninguém sacode… só bebe e usa um gorro de papai Noel, além, é claro, de estragar o Natal da vizinhança. Após os tiros nos últimos anos, este ano a repressão foi grande, e o barulho menor, embora a uma quadra de distância e nove andares acima, ainda se ouvia funk em alto volume.

Add comment 2 Janeiro, 2008

Nas terras de Pedro e de Teresa

Deixando de lado esta confusão aproveitei para subir a serra. Já escrevi sobre este programa, mas é que gosto muuuuito da Serra dos Órgãos. Não é a toa que os índios lhe davam o nome de Tupamboeira, que significa “contas de Deus” E como a região além de divina é majestosa, era para lá que nossos imperadores iam passar férias, daí vindo o nome das duas principais cidades serranas: Petrópolis, cidade de Pedro II e Teresópolis, cidade de sua esposa Teresa. Como quem foi rei nunca perde a majestade, Petrópolis se mantém cidade imperial graças às inúmeras casas da época que estão espalhadas por todo centro. No meio de tantas casas enormes, destaca-se uma miúda, ao pé de um morro. Projetada por seu dono, é simples e bem típica de seu gênio: original, prática e moderna. Para chegar, sobe-se por uma escada onde cada degrau só pode ser pisado com o pé certo (na verdade são “meio-degraus”), de forma a se entrar na casa somente com o pé direito. No primeiro piso somente uma pequena sala e uma escada, levando ao segundo andar, que nada mais é do que um jirau onde há um baú que a noite virava cama e um pequeno banheiro. Na área externa, seu morador, Santos Dumont observava as estrelas através de um telescópio instalado no telhado.
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Para os claustrofóbicos, a pedida é o Museu Imperial. Aquilo que era viver bem! Quarto de música, quarto de visitas, quarto de estudo, quarto das crianças, quarto de costura… berço de ouro, coroa de ouro, cetro de ouro, o ouro que não foi parar nas mãos dos ingleses está por ali, e tudo muito bem arrumado e organizado. Para manter o piso de madeira o mais próximo do original, não se pode pisar de sapatos, e se anda, ou melhor, se desliza de pantufas o tempo todo, o que faz com que todo o tempo vejamos crianças literalmente voando pelo museu e pousando de bunda no chão.

Add comment 26 Dezembro, 2007

Niterói… o Paraíso!

Em um posto separado, a foto do paraíso! Niterói, vista do MAC, o disco voador inventado pelo gênio de Niemeyer. De lá eu vejo o Rio… mas os cariocas não nos vêem. Quem está no lucro?
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Add comment 23 Dezembro, 2007

Não basta ser pai… para voar!

Acho que não conseguirei mais me habituar ao caos do trânsito, as precauções com a violência e a sensação de insegurança. Sinto o mesmo medo que muita gente tem do Rio… mas uma coisa é incontestável… Como é bonita a cidade! E pude comprovar isso por levar a sério o ditado: “não basta ser pai, tem que participar”.
Isto porque fui acompanhar minha filha e as amigas que iam saltar de parapente com o Tião, padrasto de uma delas, do alto do Parque da Cidade. Como o local é muito bonito, não poderia perder a oportunidade de fotografar o vôo da minha filhota, bem mais corajosa do que eu. A visão é daquelas privilegiadas que só os niteroienses têm. De um lado a Baía de Guanabara, emoldurada pelo Pão de Açúcar, Corcovado e pelas pequenas reentrâncias de São Francisco, Charitas e Icaraí.
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Do outro lado lagoas, morros onde a mata atlântica insiste em viver e o recorte das praias de Piratininga e Camboinhas. Morram de inveja cariocas, que insistem em dizer que a vista mais bonita de Niterói é a vista do Rio. É verdade, mas é um privilégio que nem eles têm. Nada poderia ser mais paradisíaco do que esta vista em um dia de sol. Aproveitei para fotografar muito, curtindo o momento zen e o local especial. Tudo ia bem até que eu escuto o Tião falar… “agora é o pai da Elga”. Ops! Isto não estava no script. Ao menos não no meu script. Mas como amarelar depois que minha filha havia saltado? Não teve jeito…
IA321 capacete, cadeirinha, pista, corrida e… espaço… IA322
Agora, longe do momento posso confessar que saltei de olho fechado… mas que no momento que abri fiquei encantado com a beleza do mundo. Eu que já gostava de voar de monomotor achei o parapente fantástico. Seguro, silencioso, bonito, ou melhor, lindo, ainda mais quando se tem o privilégio de voar em um lugar como este. Agradeço a Elga e ao Tião pela oportunidade.
Lá do alto pude perceber que, embora a cidade já esteja cheia de gente, as ruas abarrotadas de carro e todo mundo começando a se sentir sem espaço, não param de subir prédios em Niterói. Geograficamente é uma das menores cidades do estado, e ao mesmo tempo um dos municípios mais populosos. Até Charitas, antes preservada, hoje tem mais de dez prédios em construção. E cada morador vai ter o seu carro… como andar nas ruas? Por isso que sempre digo que em Niterói, após cinco minutos com o carro parado o motorista comenta “acho que está engarrafando…”. Voltar pra morar? Nunca.

Add comment 22 Dezembro, 2007

Não tem jeito: Amo o Rio de Janeiro

Rio 40º. Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos. Ano Novo e lá estava eu desembarcando na cidade, apesar de tudo, sempre maravilhosa.
Meu destino, como a maioria de vocês imagina, não é a terra das “casas brancas” (do tupi: carioca = casa branca, devido ao fato das casas dos portugueses serem pintadas de cal, sendo por isso brancas), mas sim o Paraíso. Não sabe onde é o Paraíso? Vem comigo que eu mostro, pois tirando o chimarrão, o niteroiense (que na verdade é “papa-goiaba”) é o gaúcho do Estado do Rio. Orgulhoso de sua terra, convencido e até, não há como negar, um pouco arrogante pelo privilégio de morar de frente para a Baía de Guanabara.
Nesse cenário eu cresci. Jogando bola na praia, teimando em só olhar para o Cristo e o Pão de Açúcar. Não tão magnetizado por sua beleza, mas com medo de que, olhando para o outro lado, vislumbrasse uma toalha vermelha pendurada na janela da casa da vovó, sinal que era hora de voltar para casa.
Depois, morar distante fez com que este cenário se tornasse ainda mais belo e encantador em minhas memórias. A baía ficou mais limpa, o sol descia como uma bola de fogo anunciando o fim do dia com mais vigor e o gênio Niemeyer aterrisou um disco voador na beira desta paisagem. Só ele ousaria imaginar uma montanha de concreto e fazê-la suave o suficiente para compor com o mar, as ilhas e montanhas a capa de qualquer revista de viagens de bom gosto.
Assim, morando longe descobri gostar ainda mais do mar e da baía da Guanabara do que poderia imaginar. É engraçado como no dia-a-dia nos acostumamos a visões e sensações que só se tornam realmente nítidas quando estamos distantes. Por isso o brasileiro se torna mais patriota longe do seu país. Não tenho vontade de voltar a morar por lá, mas a cidade de minha juventude nunca deixará de morar em mim.

Add comment 20 Dezembro, 2007

Debaixo da bunda do índio!

Em Niterói se marca encontro embaixo desta estátua de Ararigboia – Cobra Grande, depois batizado Martim Afonso. Os encontros são ditos na ABI – abaixo da bunda do índio. Acho que ninguém marca na frente com medo da tal Cobra Grande…
Os cariocas implicam com os niteroienses dizendo que até o fundador da cidade dá as costas para Niterói só para ficar olhando o Rio. Não é mentira que ele tem bom gosto, afinal, o cacique Temiminó escolheu um lugar lindo para viver, com vista maravilhosa.
ia21arariboia
E olha os fogos em Icaraí!!!
Feliz Ano Novo!!!
ia21fogos

Add comment 31 Janeiro, 2006

Pelas serras fluminenses

A grande atração de São José do Vale do Rio Preto, hostentada na placa da entrada da cidade é um tanto quanto… esdrúxula: Cidade com Maior Nome do Brasil. Incrível como uma cidade pode buscar somente este diferencial. Cidade de rios e morros, onde Tom Jobim se inspirou e compôs Águas de Março tem que ter mais atrações, mas aos olhos das autoridades… parece que não há mais nada, pois a cidade está exatamente como a deixei, alguns anos atrás.
ia21rosa São José ao menos tem as rosas da Maria Angela.
Ao menos São José tem o privilégio de estar próxima de Teresópolis. Taí um lugar que eu gosto. Imaginem o que é andar em uma estrada e de repente dar de frente com o majestal e enorme Dedo de Deus apontanto aos céus.
ia21dedo
E ladeado por picos igualmente imponentes e com nomes simpáticos: Escalavrado, Agulha do Diabo, Garrafão… é a Serra dos Órgãos em toda sua imponencia, lugar onde gostaria de ser espalhado se vier a ser cremado! Além das belas vistas o parque tem trilhas lindas e ótimos lugares de banho. O Kim adorou, mas pena que estava chovendo.
ia21kim Olha o Kim com a Yaeko, fazendo mais uma trilha!
Fomos também a Lumiar. Bons tempos em que Lumiar era o paraíso idílico cantado por Beto Guedes… “pra passar o dia caçando sapo, contando caso, de como deve ser Lumiar”. O lugar continua lindo, com rios legais (inclusive descobri algumas quedas que não conhecia), mas já tem tanta casa, condomínio, loja que não é a mesma… Aos puristas só restou – Sana. E ainda assim por enquanto, pois uma estrada de asfalto já avança lentamente entre Lumiar e Casemiro de Abreu.

Add comment 31 Janeiro, 2006

Só Niterói tem o tradicional Bloco das Piranhas no Ano Novo

Aliás, Niterói tem outro motivo para orgulho, o tradicional Bloco das Piranhas. Não é um evento carnavalesco, longe disto. É um evento de Ano Novo. Estranhamente no dia 31 de janeiro parece que a maioria dos homens (eu excluído) de Niterói sente uma compulsão de se vestir de mulher e sai mesmo. Se tornou uma coisa tão natural que parece que tem gente que espera o ano todo por isto. E não tem idade. Adolescentes, jovens, adultos, idosos e até crianças. Todos de saia, top, vestido, roupinhas bem femininas. Muitos não vão nem exagerados, vão realmente femininos. E andam até sozinhos, de um lado para o outro, como se fosse normal. Na verdade não é. É bizarro.

Add comment 31 Janeiro, 2006

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