São muitos os amigos queridos que tenho nestes estados maravilhosos.
Terra de painhos e mãinhas. Terra de coqueiros e praias de águas mornas e paradisíacas. Terra de carangueijo, queijo coalho, manteiga de garrafa, buchada de bode. Terra de Guaraná Jesus e Cajuína. Terra de Luiz Gonzaga, Cascabulho e Fagner. Que mais podemos querer?
Preciso dar parabéns a este povo? Eles já nascem no paraíso, são sossegados, comem bem, torcem pelo flamengo e tem o sotaque mais simpático do Brasil. Ai que vontade de estar por aí…
Beijo grande aos meus amigos! Até ressucitei uma foto minha, vestido de “traje típico”, lá em João Pessoa.

9 Outubro, 2008
Pra finalizar só uma experiência. Estava eu acompanhando uns amigos em uma feira de artesanato quando fui parado por um vendedor que pulou em cima de mim gritando: “veja como o senhor fica bem de chapéu de couro!” Quando argumentei e agradeci já me vi com cinturão, duas garruchas e espingardas… e eu estava em um encontro de Paz!! Bem, não resisti e para as risadas dos amigos fui obrigado a fotografar. Assim, graças a boa vontade do vendedor vocês poderão conhecer Lamparina, senhor do cangaço!

9 Abril, 2006
Pois é, no meio do nada, próximo a um rio refrescante daquele calor de agreste, surge uma grande laje toda riscada – itacoatiara = pedra riscada. O legal é imaginar que os desenhos já eram descritos no século XVII (1600 e qualquer coisa) e que foram feitos escavados na pedra. São desenhos únicos, e uma forma de expressão única também, não descritos em nenhum outro lugar da América do Sul e nem mesmo na região. É o tipo de coisa que gosto e me faz pensar. Porque ali? Porque aquela pedra? Os arqueólogos dizem que pela profundidade dos desenhos eles foram feitos por períodos longos… e então eu imagino que aquela pedra deve ter testemunhado muita coisa interessante. Cerimônias? Sacrifícios? Alianças? Quanta vida esta pedra não assistiu…? Somos mesmo pequenos neste mundo de Deus. Ínfimos. E por isto somos tão especiais. Por isto vale a pena viajar e descobrir como o homem se expressa de formas inimagináveis. Eu me expresso nos Impressões Amazônicas… alguém se expressava esculpindo pedras. Bem, mas vão as fotos delas, porque senão não dá para entender, né?
Veja lá. Esta gravura mais da direita não parece uma nave espacial?
Olha como a pedra é grande!
9 Abril, 2006
Mas… eu não ia perder a oportunidade de dar ao menos uma passeadinha e conhecer um lugar novo. Assim, aluguei um carro no sábado pela manhã e lá fui para Ingá. Sei que vocês imaginam que a Paraíba só tem João Pessoa e Campina Grande, mas tem muito mais coisa. Uma das surpresas é Ingá. Cidadezinha destas que o Maurício Kubrusly mostrava no Me Leva Brasil. Sol daqueles que dá sono o tempo inteiro, casas muito pobres mas bem coloridas, cada uma pintada com uma cor diferente,
meninos andando com lenha de gravetos finos na cabeça, pracinha com coreto e igreja na frente.
Tudo tão sossegado que os jumentos pastam tranquilamente na beira da rua.
… E ainda tem o seu destaque, a Itacoatiara de Ingá.
9 Abril, 2006
Fui para um Encontro Nacional de Redes pela Paz e Desarmamento, representando a Rede Virtual de Escoteiros pela Paz. Pela primeira vez eu senti um clima tão afetuoso quanto sinto quando estou em atividades escoteiras, o que eu considerava até impossível.
A capital paraibana é mesmo arretada. Praias de areia branca, mar verde e coqueiros compõe o cenário onde estão as mulheres, na minha opinião, mais bonitas do nordeste brasileiro. Tudo isso embalado por aquele sotaque gostoso que só se encontra na faixa da BA ao CE… e olhe lá. O sotaque nordestino tem a mistura certa de ritmo, dengo e simpatia que não se encontra em mais nenhum lugar do Brasil.
Culturalmente a cidade é rica. Ouvi forró pé de serra em tudo que é lugar que fui, e só senti falta de não ter ido a um autêntico forró. Mas fomos jantar em um restaurante que após um excelente cantor que levava de primeira ritmos como baião, xote, xaxado e coco dos inesquecíveis Luiz Gonzaga, Gonzaguinha, Jackson do Pandeiro em companhia do Duda, companheiro de Recife, radicado em Fortaleza e que puxou não se sabe daonde um pandeiro que tocava com maestria digna de discípulo do Jackson (aliás, o Duda é o primeiro cara que conheço que, como eu, tem avô e AVÓ médicos). Mas… após o cantor, como eu ia dizendo, formos brindados por Petrônio Sinfrônio em um autêntico show de brega. Além dos oito anés enormes, das pulseiras extravagantes (uma nada mais era do que uma correntinha com um chaveiro de Capivari preso nela), do óculos cor de rosa com adesivo de preço, ainda sabia cantar. Tudo bem que o brilho do terno dourado com botões vermelhos incomodava, que Reginaldo Rossi não é meu cantor favorito, mas foi muito divertido, até as mágicas sem graça nos divertiram.
O melhor foi ele fazer todos os homens dançarem quando disse… “Agora é a vez dos homens, mas os que tem bilau (pênis no linguajar local) pequeno podem ficar sentados”. Nunca vi tanto marmanjo pulando tão rápido de suas cadeiras.
Se você acha que vou falar de Tambaba, mais bonita praia de nudismo do Brasil, do Pontal de Seixas, ponto mais a leste de nosso país ou do por do sol comendo caranguejo no Rio Jacaré ouvindo o Bolero de Ravel? Pois é… Desta vez não vou, pois estes programas imperdíveis ficaram apenas na saudade da vez que já estive por lá com a Alzira. Afinal, desta vez fomos com uma missão, e não há nada mais importante do que a sensação de poder contribuir com a PAZ no mundo. E para isto vale todo o tempo que tiver.
9 Abril, 2006
Buchada de bode, bode assado, suvaco de cobra, farofa de carne de sol, gororoba (macaxeira – aipim ou mandioca, se preferirem – amassada tipo puré com queijo e pedaços de carne de sol), arroz de leite, feijão verde, buchada de bode. Caramba! Há como resistir a isso? Impossível. E foi por não resistir que voltei ao Mangai, o restaurante de João Pessoa que algumas vezes foi considerado pelo Guia 4 Rodas o melhor de comida nordestina. E o melhor de tudo… é a quilo. Assim prova-se um pouco de tudo sem peso na carteira. Pois é lá estava eu em João Pessoa, depois de voar ou encalhar em aeroportos por mais de 24 horas. Não podia perder a oportunidade, mesmo ficando apenas 48 horas em solo e voltando em mais 26 horas de transito… Mas valeu.
Olha que lindo… buchada de bode!!!
9 Abril, 2006