Posts filed under 'Amapá'

Monoarborização de nossas terras

A internacionalização da Amazônia já começou, e ninguém está reclamando. Aliás, os exércitos, oriundos da Austrália e Europa, já dominaram a Mata Atlântica e agora se espalham por toda área um pouco mais irrigada do território nacional.

É impressionante, já vi estes exércitos que marcham cadentes e compenetrados para a morte, perfilados por áreas extensas do Espírito Santo e São Paulo. O que não esperava era encontrar seus integrantes tão ao norte. E os encontrei no Amapá e por todas estradas que rasgam o Pará e que tive oportunidade de percorrer. Pacientes, os eucaliptos e pinheiros formam grandes exércitos invasores, que expulsam a tudo: árvores nativas, arbustos, pássaros e até mesmo a maior parte dos insetos, partilhando o espaço todo entre si, e se alimentando e bebendo a água locais. Não aceito que isso seja chamado de reflorestamento, pois para mim a floresta é algo dinâmico e com múltiplas espécies de vida. O que vejo são extensas áreas de Monoarborização.

Add comment 15 Junho, 2008

Mais cenários do Amapá

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Add comment 10 Março, 2008

Banho a beira do Amazonas

Outro lugar que visitamos foi o Distrito da Fazendinha, praia mais urbana, com quiosques onde o pessoal vai saborear camarão com cerveja. Embora a água seja marrom, pelos sedimentos que o Amazonas carrega perto de sua foz, é limpa, e a criançada faz a festa, olhando de longe os navios que entram carregados de mercadoria a caminho de Belém e Manaus e também para retirar a madeira que é exportada a partir do Amapá. Sim, embora o estado esteja preservado, sai muita madeira, e, para minha tristeza, em minhas viagens vi várias florestas de eucalipto, praga australiana exportada para o mundo.

08 02 Fazendinha - AP (20)

Add comment 10 Março, 2008

O mundo das águas

Os barcos realmente estão por todo lado em Macapá, podendo tanto ser loja como estar na loja. Sim, pois a beira rio-mar encontrei um vendedor de cana que usava o barco, na calçada, como no Sul usamos um trailler ou carrinho. E encontrei também barcos de madeira, tipo “montaria” vendidos em diversas lojas, como se vende bicicletas em outras paragens.

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Como tudo vai por via fluvial, nada mais normal do que o Samu, o sistema de ambulâncias que o Governo Federal está implantando em todo Brasil ser também aquático. Assim, diversas ambulanchas equipadas podem ser vistas nos rios.

E de rio se chega ao povoado com nome mais difícil de falar que já encontrei em minhas andanças pelo Brasil. Anauerapucu. Tentei mas não conseguir descobrir o que isso quer dizer, mas não tente falar rápido, ou vai acabar saindo palavrão… ; )

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Add comment 10 Março, 2008

No Regatão do Sacaca conheci o Batatão Hypólito

Quando forem a Macapá, guardem este nome: Museu Sacaca. Não é nome de japonês, mas de um famoso pesquisador de ervas.

O museu é bastante interativo, e quase todo a céu aberto, sem “cara” de museu. Embora um pouco largado, tem muita coisa interessante e as curiosas pedra-fones. O que são pedra-fones? Na verdade nem sei se o nome é este, mas para sonorizar o ambiente sem tirar o aspecto de natureza e os cenários amapaenses que são reproduzidos, há pedras que na verdade são caixas de som, que podem até passar desapercebidos.

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Um dos ambientes mais legais de visitar foi o “Regatão”. No Sacaca há um Regatão autêntico, no meio de um rio onde vemos tambaquis e pacus nadando.

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Regatões eram os barcos que desciam os rios amazônicos, comprando produtos da floresta e vendendo os industrializados. Era mais ou menos assim: eles compravam ouro a preço de sal e vendiam sal a preço de ouro. Muito legal eram os remédios vendidos. Haviam os infalíveis “específicos” capazes de proteger qualquer pessoa contra cobras, aranhas e outros animais peçonhentos. A bula alertava quer era infalível desde que se conseguisse acertar a dose pelo tempo suficiente, o que não devia ser tão fácil, afinal, uma garrafinha só nunca era suficiente, e quem tinha mais que uma? Além disso medicações como o depurativo Batatão Hypolito – “Aprovado pela Exma. Junta de Higiene do Estado do Pará” e que prometia curar reumatismo, diarréia e até problemas ginecológicos “em geral”.

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O Sacaca também tem uma bela estátua que homenageia as parteiras deste que é o estado onde existe a maior porcentagem de partos domiciliares do Brasil. As parteiras são ativas e reconhecidas pela população, sendo bastante valorizada. Aliás, é impressionante o que uma boa parteira consegue fazer, sabendo até virar o bebê que está sentado, antes do parto.

08 02 Macapa AP (215)

1 comment 10 Março, 2008

Sorvete é na Jesus de Nazaré

Outro destaque da cidade é ir a Jesus de Nazaré. Não, não é nome de padaria como parece a primeira vista, mas sim de uma sorveteria deliciosa, que para mim deixa para trás as famosas Glacial (Manaus) e Cairú (Belém) com seus sorvetes de castanha do pará com doce de cupuaçu, tapioquinha, mangaba, bacuri (minha escolha de sempre), taperebá, açaí e o gengibre… apenas para os que tem a garganta forte!

Por fim a curiosidade que todo mundo quer saber quando se fala no Amapá: o que o Sarney faz por aqui? Perguntei a algumas pessoas e todos foram unânimes. Ainda que ele não more por aqui o tempo todo – mas sempre tenha tido a sua casa na região – tem feito muito pelo estado, utilizando seus contatos para obter melhorias para o Amapá. Esta mesma surpresa foi a que tive quando visitei São Luiz e descobri que ele é uma unanimidade entre os maranhenses. Terei que morder a língua quando vir o nome do senador associado a um estado que, sabidamente não é o seu.

IA362 Barcos encalhados na maré vazante.

Add comment 9 Março, 2008

pelos arredores de Macapá

Nos arredores de Macapá pude conhecer várias localidades, graças ao carinho de nossos anfitriões: Paulo e Juci, Rafael e Luana e Adriano, que já estão prontos para abrir uma agência de turismo local. Fazendinha, em Macapá mesmo, Ferreira Gomes com um rio maravilhoso onde tomamos um ótimo banho, Curiaú, em região quilombola, Porto Grande, onde fotografei um “boto cor-de-rosa” vestido de maiô marrom, Marzagão cidade bastante simpática, são todas regiões onde se pode simplesmente nada fazer, vivendo a beira-rio, comendo camarão e peixe fresco e curtindo o viver em meio a natureza. A única nota triste é que no caminho para Ferreira Gomes se encontram muitas plantações de pinheiros e eucaliptos. Sim, estas pragas também estão por aqui, trazendo dinheiro para os ricos e diminuindo a biodiversidade local. Não consigo entender como os pinheiros crescem tão bem, longe do friozinho que lhes é peculiar, mas que crescem, crescem, não há como negar.

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Add comment 9 Março, 2008

O forte e os índios

O forte São José de Macapá é um destaque a parte. Tudo bem que ser considerada a segunda maravilha do Brasil, em eleição recente da Revista Caras, é um exagero tão grande quanto o Cristo ter sido eleito por nosso ufanismo uma das sete maravilhas do mundo moderno. Mas que o forte é bonito e imponente, dominando o rio, ah, isto ele é. Muito bonito. As muralhas, intactas, feitas de pedras vindas de Portugal, os fossos e as “pontas” que parecem de uma estrela tornam o conjunto grandioso.

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Como nem tudo é lazer, aproveitei para conhecer a Casa de Saúde do Índio, onde são assistidos indígenas de diversas etnias. Muito interessante ver o orgulho dos homens Waiãpi que usam o tempo todo uma tanga vermelha e mais nenhuma roupa – dizem que nem por baixo, mas não tive nem curiosidade de conferir. Esta peça é usada inclusive pelo pessoal que fala português, ou seja, mesmo com contato maior com a nossa cultura. Uma pena foi não ter visto nenhuma pintura, poucos adereços nas crianças e dos dois nomes que pude ver, um se chamava Mengo Waiãpi (que realmente me deixou em dúvida se tratava-se de um nome típico ou uma homenagem ao mais querido, time favorito da maioria dos Amapaenses).

Add comment 9 Março, 2008

Pela orla de Macapá

A cidade possui uma agradável orla em toda beira-rio (se bem que pelo tamanho do Amazonas por aqui eu poderia até dizer “beira-rio-mar”), com características diferentes em cada localidade. Em algumas, mais chiques há calçadões com restaurantes (comi um filé de peixe recheado de camarão indescritível) e bares, além de um trapiche muito bonito. Na orla também estão a feira de artesanato (com várias peças de manganês vindas da serra do navio) e a feira de comidas típicas (semelhante a paraense: tacacá, tucupi, açaí, maniçoba e, a novidade… mandioca frita em palito, feita em carrocinhas na rua da mesma forma que em outros lugares encontramos batata frita.

Em outros trechos há espaço para campos de futebol de areia. Aliás, acho que escolhi a palavra errada, pois areia não é bem o que encontramos por lá, mas sim lama, o que faz com que o Amapá tenha o único campeonato de fute-lama que temos notícias. E como a variação de marés é muito grande, o campo é versátil, pois o que é campo de futebol da maré baixa, se torna um verdadeiro campo de pólo aquático na maré alta, quando as traves viram poleiros de mergulhões e gaivotas.

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Continuando pela orla chegamos aos vários portos. Barcos de todos tamanhos, de um ou dois andares se acotovelam buscando espaço para descarregar sua carga vinda das ilhas e dos rios que desaguam na “mãe” Amazonas. Bananas, peixes, açaí, mais peixes, alguma caça “clandestina”, muito mais peixe, mandioca e muito, muito mais peixe, abóbora, abacaxi, melancia e peixe, peixe, peixe, peixe… Nas proximidades dos portos há fábrica de gelo, para conservação do pescado, venda e manutenção de redes, material de pesca, um posto de gasolina com bomba a beira-rio e até lojas que vendem montarias. Não amigos, ninguém vende cavalos nas lojas, mas sim pequena canoas de madeira, aqui chamadas de “montarias”.

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Add comment 9 Março, 2008

Impressões Amapaenses

Água e Verde. Foi esta a impressão que tive logo ao chegar em Macapá, capital do Amapá, homenageada pelo Carnaval da Beija-Flor campeã e que está dividida entre os hemisférios Sul e Norte.

Esta divisão gera uma confusão geográfica interessante… Como o verão no hemisfério sul corresponde ao inverno no norte e vice-versa, na teoria metade da cidade está em cada estação do ano. E o mais curioso. Se você for ao Monumento do Marco Zero, todo ele atravessado pela Linha do Equador, você pode estar com os pés no inverno e a cabeça no verão… Lógico que eu fiz isso e registrei com uma foto, o que dá direito a um certificado emitido pela secretaria de turismo comunicando que o turista esteve nas duas metades do planeta ao mesmo tempo.

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Aliás, a cidade aproveita esta curiosidade, e na seqüência do monumento há um estádio de futebol, oficial e popularmente conhecido como Zerão, onde a linha divisória do campo segue a linha do Equador. Assim, cada time joga em um hemisfério distinto. Bastante curioso.

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Dizem também que em cada hemisfério o ralo roda para um lado diferente. Lá fui eu fazer o teste, e logo que desembarquei, me meti no banheiro do aeroporto, tapando com a mão o ralo até encher a pia e deixando a água escorrer e perceber que ele estava realmente correndo no sentido contrário, ainda que fosse apenas imaginação minha, causada especialmente pela pressa pelo fato dos outros usuários do banheiro já estarem achando que eu estivesse doido, talvez intoxicado pela quantidade excessiva de ar puro, não tão comum no nosso sul brasileiro.

A posição geográfica na verdade se reveste de importância maior do que a mera curiosidade, pois influencia na percepção que tive: muita água e muito verde. A água é onipresente. Aqui, no estado brasileiro com maior índice de cobertura vegetal, a Amazônia ainda é uma realidade mesmo na capital, e como tal as chuvas são uma constantes e o índice pluviométrico altíssimo. As margens do Rio Amazonas, cercada de rios e igarapés, Macapá já mostra a característica anfíbia de todo o estado. Ao se dirigir um pouco mais para o interior os campos alagados abrigam garças, marrecas e inúmeras aves que dividem espaço com búfalos e peixes.

3 comments 9 Março, 2008


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