Noivos Kaiapó com a "corda no pescoço"
13 Julho, 2008
Aldeia Las Casas – Município Pau d´Arco
Como todas as demais, Las Casas segue o padrão circular. Ao centro a Casa do Guerreiro.
Estive pela terceira vez na aldeia de Las Casas, e esta foi diferente porque pela primeira vez dormi por lá. Esta é a aldeia mais próxima a Redenção – embora fique em outro município – e é a única onde vamos de carro e o celular funciona. Muitos indígenas chegam aqui, na época de pagamento de aposentadoria, de táxi. Apesar da aparente tecnologia, e sendo a única aldeia onde temos uma “cacica” que realmente manda, nem tudo são flores por aqui. Não há energia elétrica e a água é precária. O banho para muita gente é feito em uns chuveiros coletivos, no meio da aldeia, daquele mesmo tipo que se vê nas praias. O mais engraçado é que o banho por lá é feito ou de calcinha ou, como na maior parte dos casos, com o velho e tradicional vestido de nira. Elas passam o sabão – quando tem – por cima dos vestidos… e depois não entendem porque tem tanto problema de pele. Aliás, falando em banho… já contei como elas secam os longos cabelos?? Balançam o cabelo de um lado para o outro, com uma violência sem igual. É até engraçado. E falando em cabelo, agora conto da falta deles. A gente não se dá conta de como os cílios protegem os olhos, não? E as sobrancelhas? Pois todo dia atendo crianças e adultos com irritação nos olhos. Lembrem-se que eles, desde novos tem os cílios e sobrancelhas arrancados meticulosamente.
Avaliação de altura. O indígena é o agente de saúde, Bepore, com as enfermeiras Renata e Thatiane.
E há outro hábito interessante que já presenciei. Por volta dos 13 anos os meninos são comprometidos como noivos. Há toda uma cerimônia que ocorre e após esta cerimônia os jovens usam uma corda em volta do pescoço que atesta o seu novo estado. Esta foi a melhor forma que já vi do que representa um noivado… A corda já está no pescoço e a qualquer momento pode enforcar…
Entry Filed under: Fotografias, Indígenas, Pará, Saúde. Tags: Amazônia, Cultura Indígena, Kaiapó, Las Casas, Pará, Pau d´Arco.
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1.
Carolzinha | 13 Julho, 2008 at 2:25 pm
Oi Alta!
Há alguma razão específica de se tirarem cílios e sobrancelhas?
e ADOREI a “corda no pescoço” hehehehe
bjocas!
2.
Iúna | 13 Julho, 2008 at 4:56 pm
melhor forma de represetação do noivado? cruzeeeeeeees!
ainda bem que meu marido é bonzinho e nunca puxou a corda, nem eu puxei a dele, rs rs rs.
e olha que são 25 anos de convivência, mas ainda somos apaixonados, parafraseando o Jorge Ben, ele é o meu amor, e eu sou o amor todinho dele, mesmo nesses tempos difíceis de desertificação, rs rs rs.
3.
Altamiro | 16 Julho, 2008 at 2:57 am
Carol, realmente não sei porque raspam tudo. Imagino – é mera suposição minha – que pode ser para evitar o tracoma, que é uma doença crônica, infecciosa, que pode levar a cegueira pela irritação dos cílios na conjuntiva. Sem cílios, os problemas são menores. Isso de qualquer forma não explicaria as sobrancelhas raspadas… Na verdade creio que é estética.
4.
cris | 16 Julho, 2008 at 9:29 pm
oi altamiro, acho que certos costumes indigenas judiam muito das crianças, como esse evento das sobrancelhas e aquele em que os coitadinhos têm que por a mão em um balaio de formigas, não consigo ver aquilo sem me incomodar. sou amiga de iuna, que me recomendou uma passagem por suas idéias e impressões amazonicas. moro em roraima e, atualmente, divido com ela as alegrias e agruras do mestrado em direito ambiental. aqui em boa vista temos uma turma de amigos bastante divertida que nos ajuda a esquecer a disntancia de nossas famílias deixadas no litoral do país. quando passar por bv, se puder e quiser, junte sua alegria com a nossa. será um prazer conhecer voce e sua família. um abraço. cris