Primeiras impressões de São Félix do Xingu

16 Janeiro, 2007

Jan 2007 – São Félix do Xingu Adoro a sensação de liberdade que uma viagem proporciona. Alguns momentos chegam a ser mágicos e acabo registrando como eternos dentro de mim. Esta semana fui a São Félix do Xingu. Oito horas de viagem para percorrer pouco mais de 300km, ficar pouco mais que algumas horas e voltar. Duro, não? Com certeza, ainda mais se imaginar que o trecho final, de 100km de terra, seriam percorridos por quatro pessoas na parte de trás de uma nissan. Acha a pick-up enorme?? Pois não é…Felizmente o Cacique Horácio ao ter que quase sentar no colo de outro companheiro de viagem parece ter percebido que poderia perder sua invencibilidade no trajeto e desistiu de nos acompanhar. Assim lá fomos nós: eu, o coordenador de uma ong que deve mudar de município, a coordenadora técnica de onde eu trabalho e o Cacique Pinká avaliar as condições médicas do município. O mais difícil foi manter a pose todo vestido de branco-barro (conhece esta cor?) para a inspeção, mas no final tudo deu certo. Além de visitar tudo ainda pude conhecer o famoso Xingu e comer um delicioso tucunaré.
A cidade, segunda maior do Brasil (em termos de área perde apenas para Altamira), é daquelas bem de fim de mundo, pois dali não se sai para nenhum outro lugar que não seja por esta estrada de 100 km de terra ou por avião. De barco são pelo menos dois dias até a cidade mais próxima. Lá eu vi um caminhão passando com duas enormes toras do que até poucos dias antes era uma árvore certamente centenária e onde se diz que se morre muito por pouco – frase dita por um dos médicos do hospital. Terra, garimpo e, recentemente pecuária e agricultura trazem dinheiro e gente a esta cidade que apesar de distante de tudo tem uma boa estrutura médica e de comércio. Fica faltando somente diversão e, para os aficcionados… o celular. Nenhuma operadora ainda se arrisca por lá.
Nota: Cerca de um ano após eu ter escrito este texto, São Félix do Xingu foi listado como um dos municípios que mais desmata no Brasil. Não deve ser coincidência também o fato de ser um dos municípios com maior número de homicídios per capita do Brasil e com vários registros de trabalho escravo.

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