Novamente em Islândia

12 Julho, 2005

Acabo de voltar de Islândia. Mais um final de semana aqui sem opções não valeria a pena, então convidei alguns amigos e saímos cedo para a ilha que é nossa vizinha peruana. Um dos meus acompanhantes era o Bruno, por coincidência vindo de… São José dos Campos. Ele é coordenador de saúde bucal da área indígena, e um cara muito legal. Ontem fiquei vendo fotos dele no meio dos Yanomani. Bem, estes sim são índios como sonhamos nos nossos devaneios sulistas de uma amazônia “legal”. São daqueles que sentam com a bunda no chão (bunda mesmo, sem cuecas ou bermudas), pintam as crianças de vermelho e mudam-se com toda família para passar um mês caçando. Achei as fotos sensacionais.
Esta região é um lugar onde se conhece “muita gente interessante”. E cada um chega com uma história, com uma busca e com uma descoberta. Isto é fascinante e ajuda a fazer com que o tempo vôe. Assim, em busca de fotos lá fomos nós a Islândia. Para os que chegaram tarde no IA, Islândia é uma ilha peruana que fica de frente a Benjamin. A piada conta que o perigo é mergulhar no rio em frente de Benjamin (rio Javarizinho) e sair de cara no Peru… bem, mas esta não tem mais nem graça. E também não tem graça os dois maiores problemas de Islândia. Um é o das madeireiras, onde trabalham brasileiros e peruanos derrubando o pouco do verde que ainda resta do lado de lá. O outro é o da porcaria, sujeira, lixo mesmo. As casas são muito pobres e em qualquer favela brasileira eles estariam do lado dos mais pobres. Apesar disso eu resolvi voltar. Porque? Bem, eu costumo dizer que Islândia é a Veneza peruana. Suas construções em palafitas tem uma arquitetura única e que me encanta. Além disso, apesar de toda a pobreza e sujeira ( Dona Jorgina, lá de Paraíbuna, com eles se sentiria em casa – o pessoal do Cedro com certeza sabe do que estou me referindo…. risos), que com certeza são culturais, eles tem um traço marcante: São muito simpáticos e educados. Enquanto sempre digo que é uma dificuldade ser bem atendido em Benjamin Constant, em Islândia eles estão sempre sorridentes e prontos a ajudar. Você não passa por uma pessoa na rua sem ser cumprimentado – “Buenas tardes, Buenos dias”. Se você está fotografando ou mesmo conversando e eles tem que passar na sua frente, além do comprimento sempre vem o educado “permisso”. E com toda pobreza andei com minha máquina a tiracolo me sentindo bastante seguro. Pena que minha tele não se comporta muito com a digital e só consigo fazê-la operar entre 200 e 300 mm, perdendo aproximações menores. Isso também pode ser um consolo, pois consegui bater em menos de seis horas 211 fotos. Haja CD para guardar tudo…

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